O Estranho Mundo de Jack

Muito bem crianças, aproximem-se e tomem seus lugares sentadas nas lápides do cemitério, e tragam suas abóboras e camisas listradas, pois é hora de Tim Burton.

(Título original: The Nightmare Before Christmas)

O estúdio da Walt Disney Pictures apresenta O Estranho Mundo de Jack, de Tim Burton. Um filme musical animado infantil, com duração de 77 minutos aproximadamente. Direção de Henri Selick, produzido e co-escrito por Burton, do ano de 1993.

Trailer em inglês

Concorrendo em 1994 ao Oscar, e perdendo para o venerado Jurassic Park, O Estranho Mundo de Jack é sem dúvida uma das estrelas douradas na testa do Tim Burton. O musical foi cogitado cerca de dez anos antes do projeto do filme acontecer, mas a Disney sempre esteve com o pé atrás, pois a idéia parecia ser macabra e sinistra demais para as crianças. De fato, este é um dos filmes que costumava me botar medo e fascínio na minha época de girininha. Com o inconfundível e único toque de meu diretor preferido, o filme te leva para dentro do mundo dos feriados. Com portais para o Dia de Ação de Graças, Dia de São Valentim, Dia de São Patrício (típicas comemorações americanas), Páscoa e Natal, entramos pelo do Halloween, chegando à cidade tenebrosa de Jack Esqueleto, o rei do susto. Os personagens mórbidos, cantantes e perversos de massinha encantam os tragicômicos. Mas Jack não está satisfeito, e vaga até a Cidade do Natal. Se encanta pela magia da cidade e convence os habitantes do Halloween a terem sua própria versão natalina. Dois dos meus mais queridos personagens, além de Jack, encontram-se Sally, a boneca de pano com um bom coração, e o Oogie (bicho-papão), que me fazia esconder o rosto no cobertor, hehe. 

O elenco inclui Chris Sarandon (Jack Skellington) e Catherine O´Hara (Sally) na versão original.

Cartão postal da cidade do Halloween

No mais, é preciso assistir o filme. O enredo é apaixonante, e se você é um fã do submundo, vale a pena ver, se nunca teve a chance. Pra você que é familiarizado com o queridíssimo Rei da Abóbora, vale rever agora em remasterização digital, ou até mesmo em Blu-Ray. A qualidade do DVD realmente influi no modo como a cidade do Halloween encanta. Como coloquei as mãos na edição de colecionador, nem sequer tive tempo ainda de ver todos os extras e especiais do filme. Vale lembrar aos fissurados por Tim Burton que, embora a decepção, ele esteve muito ausente na produção do filme, deixando-a nas costas de Selick. Então, não se engane quanto ao cenário, personagens e tudo o mais… Desilude saber que Burton tinha outras coisas mais importantes pra cuidar. Mas é um bom conforto ao nosso coração obscuro que pelo menos a idéia geral é dele. Palmas e palmas para o conto de Natal mais legal da minha infância, e um grande abraço para o Burton, que só não me ganha mais do que Beetlejuice no seu passado.

Burton e seus monstrinhos apaixonantes

Sinopse: Entediado com a velha rotina de gritos e sustos, o Rei do Halloween Jack Esqueleto, deseja espalhar a alegria do Natal. No entanto, esta alegre missão coloca Papai Noel em perigo e cria, por toda a parte, um pesadelo para meninos e meninas!

Junte os amigos da noite na sessão nostalgia.

Seguem alguns links pra download gratuito do Estranho Mundo de Jack. Nenhum destes links foi testado, então, boa sorte.

Filmes Para Download (com legenda separada)

Baixar Filmes e Séries (O link do Megaupload está inválido)

Factory Filmes (legenda separada)

Telona (RMVB, Dublado -também é legal assistir-)

Elite Dos Filmes (Avi, dublado, link com trailer)

Lindo Colibri.

Aviso: Post Besta.

Em meio a aula de Geografia, Rouxinol puxou a melodia infantil, mas catching da músiquinha… “Eu preciso de você, você precisa de mim, nós precisamod e Cristo, até o fim… Sem parar, sem cessar, sem vacilar, sem temer, sem chorar…” Na segunda vez, Terk se juntou a nós e então, nas consecutivas, Bob e Tuki também embalaram. Depois de um tempo, paramos. Mas eu já estava animada demais pra sufocar as melodias com lições de Super Potências Mundiais…

Comecei a cantar sozinha, em alto e bom som, uma músiquinha há muito tempo esquecida, mas que me marcou muito, e provavelmente só eu lembre da cena… No filme infantil “A Hora do Recreio” (com uma excelente trilha sonora, com direito a Steppenwolf), existe um momento em que em cima da árvore, na vigilha da noite, os 5 amigos, tão diferentes um do outro, relembram da infância cantando. E a melodia tomou força na minha voz. Terminei com as mãos pra cima, nos exatos gestos doidos que compõe a loucura. Deparei com a professora e a turma do fundo (onde estou) me encarando. Olhei para ela, abaixei os braços… e Caímos as duas na gargalhada. Depois ensinei a musiquinha a todos eles…

Eu fui no parque passear

Junto do Lago Azul…

E foi então que eu vi

um lindo Colibri

Sob o sol bem alegre a cantar…

La la la la la la la!!

Na segunda, provavelmente não irão se lembrar…

Mas eu não esquecerei aquelas gargalhadas…

Tu és responsável pelo que cativas.

Voltei hoje de cabeça cheia do curso, pra variar. Decidi puxar os fones, botei um Bowie (com Mayer na cabeça) e abri O Pequeno Príncipe, pra organizar os pensamentos. Havia parado na minha parte preferida. Me surpreende a utilidade.

E foi então que apareceu a raposa:

-Bom dia – disse a raposa.

-Bom dia – respondeu educadamente o pequeno príncipe que, olhando a sua volta, nada viu.

-Eu estou aqui – disse a voz – debaixo da macieira…

-Quem és tu? – perguntou o principezinho – tu és tão bonita!

-Sou uma raposa – disse a raposa.

-Vem brincar comigo – propôs ele. – Estou tão triste…

-Eu não posso brincar contigo – disse a raposa – Não me cativaram ainda.

-Ah! Desculpa. – Disse o principezinho

Mas após refletir, acrescentou:

-Que quer dizer “cativar”?

-Tu não és daqui – disse a raposa. – Que procuras?

-Procuro os homens – disse o pequeno príncipe – Que quer dizer “cativar”?

-Os homens – disse a raposa – têm fuzis e caçam. É assustador! Criam galinhas também. É a única coisa que fazem de interessante. Tu procuras galinhas?

-Não. Eu procuro amigos. –disse o príncipe. – Que quer dizer “cativar”?

-É algo quase sempre esquecido. – disse a raposa. – Significa “criar laços.”

-Criar laços?

-Exatamente. – disse a raposa. – Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a ti uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo.

-Começo a compreender – disse o pequeno príncipe. – Existe uma flor… eu creio que ela me cativou…

-É possível – disse a raposa – vê-se tanta coisa na Terra…

-Oh! Não foi na Terra – disse o principezinho.

A raposa pareceu intrigada:

-Num outro planeta?

-Sim.

-Há caçadores neste planeta?

-Não.

-Que bom! E galinhas?

-Também não.

-Nada é perfeito.

Mas a raposa retomou seu raciocínio.

-Minha vida é monótona. Eu caço galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens também. E isso me incomoda um pouco. Mas, se tu me cativas, minha vida será como cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me chamarão para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha!  Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim não vale nada. Os campos d etrigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos dourados. Então será maravilhoso quando tiveres me cativado. O trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo…

A raposa calou-se e observou por muito tempo o príncipe:

-Por favor… cativa-me! – disse ela.

Eu até gostaria – disse o principezinho – mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.

-A gente só conhece bem as coisas que cativou. – disse a raposa – Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas, como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!

-Que é preciso fazer? – perguntou o pequeno príncipe.

-É preciso ser paciente – respondeu a raposa. – Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto…

No dia seguinte o principezinho voltou.

-Teria sido melhor se voltasse à mesma hora – disse a raposa – Se tu vens, por exemplo, as 4 horas, desde as três eu começarei a ser feliz. Às 4 horas, então, estarei inquieta eagitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar meu coração… é preciso que haja um ritual.

-Que é um “ritual”? – perguntou o principezinho.

-É uma coisa muito esquecida também. – disse a raposa – E o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, adotam um ritual. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira é então o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem em qualquer dia, os dias seriam todos iguais e eu não teria férias!

Assim, o pequeno príncipe cativou a raposa. Mas, quando cehgou a hora da partida, a raposa disse:

-Ah, eu vou chorar.

-A culpa é tua – disse o principezinho – Eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse…

-Quis. – disse a raposa.

-Mas tu vais chorar! – disse ele.

-Vou. – disse a raposa.

-Então, não terás ganho nada!

-Terei, sim – disse a raposa – por causa da cor do trigo. Depois, ela acrescentou: – Vai rever as rosas, assim compreenderás que a tua é única no mundo. Tu voltarás e eu te presentearei com um segredo.

O pequeno príncipe foi rever as rosas:

-Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu a tornei minha amiga. Agora ela é única no mundo.

E as rosas ficaram desapontadas.

-Sois belas, mas vazias – continuou ele – Não se pode morrer por vós. Um passante qualquer sem dúvida pensaria que a minha rosa se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que todas vós, pois foi ela quem abriguei com o pára-vento. Foi nela que matei as larvas (exceto uma ou duas, por causa das borboletas). Foi ela quem eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. Já que ela é a minha rosa.

E então, voltou à raposa:

-Adeus… – disse ele…

-Adeus – disse a raposa. – Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.

O essencial é invisível aos olhos. – repetiu ele, para não esquecer.

-Foi o tempo que perdeste com tua rosa que a fez tão importante.

– Foi o tempo que eu perdi com minha rosa… –repetiu ele, para não se esquecer.

-Os homens esqueceram essa verdade – disse ainda a raposa. – Mas tu não deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela tua rosa…

-Eu sou responsável pela minha rosa… – Repetiu o principezinho, para não esquecer.

Acho que a raposa chorou muito durante alguns dias, quando se aproximava as 4 horas… e Riu muito sozinha quando escutava o vento nos campos de trigo.

Talvez eu poste mais deste livretinho infantil… É um santo remédio para a inocência.

Conselho de uma lagarta.

“Quem é você” perguntou a Lagarta.

Não era um começo de conversa muito animador. Alice respondeu, meio encabulada: “Eu… mal sei, Sir, neste exato momento… pelo menos sei quem eu era quando me levantei esta manhã, mas acho que já passei por várias mudanças desde então.”

“Que quer dizer com isso?” esbravejou a Lagarta. “Explique-se!”

“Receio não poder me explicar”, respondeu Alice, “porque não sou eu mesma, entende?”

“Não entendo”, disse a Lagarta.

“Receio não poder ser mais clara”, Alice  respondeu com muita polidez, “pois eu mesma não consigo entender, para começar; e ser de tantos tamanhos diferentes num dia é muito pertubardor.”

“Não é”, disse a Lagarta.

“Bem, talvez ainda não tenha descoberto isso”, disse Alice; “mas quando tiver de virar uma crisálida… vai acontecer um dia, sabe… e mais tarde uma borboleta, diria que vai achar isso um pouco esquisito, não vai?”

“Nem um pouquinho”, disse a Lagarta.

“Bem, talvez seus sentimentos sejam diferentes”, concordou Alice; “tudo que sei é que para mim isso pareceria muito esquisito.”

Aventuras de Alice no País das Maravilhas, Lewis Carroll

 

Copiado e colado do blog Libriana http://meninadovento.wordpress.com/