Alô 2012!

Bem, vamos para outra retrospectiva, não é? Mais pela força do hábito do que pela necessidade. Na verdade, eis uma coisa que adquiri esse ano, infelizmente: Mais distância do blog.

Talvez eu volte. Sempre há planos, em todo o caso… Mais textos, mais reviews, mais viagens, mais experiências… Um curso de fotografia,  o desafio de perder peso, um curso de francês, de guitarra… Planos nunca faltam a um novo ano, embora falta a verdadeira disposição de realizá-los.

Certo, reflexões da madrugada, da virada de uma noite para a outra, de um final de mês para um começo, a quem todos chamam de “vida nova” e coisas do gênero… Bem, para mim, a vida é a mesma (mas melhor), felizmente. Sou a mesma também. Mudanças?

Ano passado eu creio que foi um ano de grandes… Como chamam? Revelações, eu acho. Depositei minha fé na pessoa errada, meti os pés pelas mãos, mas acho que todo mundo precisa fazer isso de fez em quando pra ter certeza das coisas importantes e de seu real valor. Acabou que o mundo não se acabou, vejam só. Fui surpreendida. A raiva passou, a razão veio a mim e aprendi o que o coração tem de passar pra provar pro cérebro que, no fundo, ele sempre tem uma pontada de certeza. Perdi alguém importante, todos nós perdemos. O ruim de verdade é ver o mesmo mal que se abate em você roubar outras pessoas. Ninguém de fato deseja isso pra quem ama. Mas o que aconteceu, o que foi fulminante, se foi e não volta mais, e nos deixa aqui pra sobreviver. E eu fui muito bem amparada.

Dick voltou de mansinho. Como eu disse, fui surpreendida por coisas que eu não cria serem possíveis. Nunca creio que eu seja de fato tão importante para outras pessoas que não sejam ligadas a mim pelo útero ou sangue, rs…  Mas perdi esse tipo de crença tola, e aprendi que as pessoas que de fato amam, amam para sempre. E Dick foi quem me ensinou isso. Voltou, me recapturou, deu a volta por cima, apagou os erros, criou acertos maiores e fez tudo valer a pena. Reconquistou a aliança no meu dedo. Reconquistou o meu coração de uma tal forma que duvido de todo o coração que um dia podemos nos separar outra vez, e esta é uma das coisas que abomino sequer pensar. Não importa o quão clichê isso pareça, mas pertencemos um do outro para sempre. E mal posso esperar para passar o resto da vida ao lado dele. Mal posso esperar para acordar as manhãs e vê-lo do meu lado. Mal posso esperar por todos os filmes juntos, os parques de fim de tarde, as viagens de férias e fins de semana, os show de rock, os passeios de carro e de moto, as aventuras da vida, enfim, venham. Quero tudo que um futuro bom de verdade possa oferecer para nós. E apenas com ele. Meu Dick Grayson. Meu amado Dick. Minha verdadeira conquista e revelação, não apenas do ano que passou, mas de todos os que virão, com certeza. E não importam nossas diferenças, nosso preto e branco, nós combinamos até mesmo nos opostos. Os amigos, a família, não há ninguém que discorde. E a cada novo elogio ou olhar eu percebo que eu não podia ter feito uma escolha mais acertada, não importa o que tivemos de passar ou o que ainda teremos. Tudo é tão perfeito quanto poderia ser. Não consigo deixar de rir sozinha depois de lembrar de amigos dizendo que não podíamos ser um casal que combina mais, tão divertido, tão natural, tão cheio de amor. Como disse um amigo “Parece que vocês namoram há uma semana, e não há um ano. Até eu queria ter isso”.

A família, essa dádiva que tenho, nos acolheu sempre com o maior dos sorrisos. Aliás, a cada ano eu só tenho mais certeza de que a família é uma das jóias mais preciosas do meu baú. Vox, Petit, Harry, Lubs, Rub, Pete, Sunshine, Janis, Buttercup, e a minha novíssima em folha, e tão amada Little Mary. A cada ano que passa, só tenho mais certeza de que nunca quero deixá-los. De que, mesmo com os seus quens e poréns, são uma das maiores maravilhas do mundo.

Amigos, amigos, negócios a parte… 2011 foi, sem dúvida, uma reviravolta brusca nesse quesito. Minhas queridas e amadas Hay Lin e Taranee não sumiram das portas da minha casa, e nem da minha geladeira, rs… Embora, eu lamente dizer que vejo-as com tão pouca frequência que meu coração dói de pensar. Gostaria de voltar um pouco na época das festas de pijama, das noitadas de cinema, nas lanchonetes e sorveterias e praquela adolescência ao lado das amigas. Mas o tempo passa, o mundo muda e as coisas se vão. Will parece ter se juntado, mesmo que aos poucos, ao mundo inabitado de Cornélia. Se tornou tão ausente quanto temíamos. Mas é assim que a vida funciona, infelizmente. Tenha aqueles que não quer deixar escapar bem presos entre os dedos, ou eles os deixarão, hora ou outra.

Faculdade. Lá se foi o primeiro ano, tão logo ele veio. Na verdade, tenho até satisfação de ver como ou novos vestibulando estão preocupados com algo de que eu já risquei da minha lista. Não sou mais bixo, e eu nem sofri trote. Sabem como é, meu espírito esportivo acabaria em assassinato antes de passarem tinta pelo meu rosto. Mas, vamos ao que interessa… Amigos!! Novos em folha! Moe já se tornou indispensável no cardápio, minha pequena versão com um pedacinho de mim mesma. Tatuagens, rock’n’roll e devaneios. Tem também o Ryu, que não é tão próximo a mim como Moe, mas pelo menos é um camarada e tanto, entre outras grandes novas amizades e coisas do gênero. Aulas, bares e mais bares. Baladas, vida noturna e tudo o que uma vida universitária exige. Fico feliz comigo mesma de ter conseguido passar sem nenhuma DP, pois é a melhor faculdade do ramo, e a mais difícil… Ter passado para o próximo ano é quase que inacreditável, assim, rs…

Alterações no corpo: Finalmente, coragem! Passei um pouco por cima de minha fobia a agulhas e perfurei o nariz e tatuei LET IT BE no pulso. Não poderia estar mais feliz, nem mesmo com o cabelo preto bem pintado e cortado, as roupas novas… Enfim, como já mencionei, só me faltam uns quilos a menos.

Shows e viagens: Conheci Las Vegas! Conheci Atlanta! Ah, e que sonho são os lugares do mundo. A viagem começou entupida de saudades de Dick e de Little Mary. Mas tudo o que vi e vivi foi incontável. Las Vegas e seu constante estado de balada é tudo o que mostram nos filmes e mais. Muito mais!! Uma pena que fui enquanto menor de 21, e nada pude fazer a não ser olhar as coisas, mas mesmo assim, valeu mais que a pena. Finalmente realizei meu sonho de ver o espetáculo do Cirque du Soleil sobre os Beatles, um dos mais lindos shows que eu já vi na minha vida inteira. Fiz a maior loucura da minha vida, e fui nos brinquedos daquele parque de diversão que fica em cima de um prédio de 110 andares, o Stratosphere. Fiz tirolesa, andei de helicóptero, de jet ski e tomei café da manhã no meio do Grand Canyon. Andei de Hummer no meio do deserto. Visitei o Hard Rock local, me hospedei no Planet Holywood, enfim… Aproveitei a cidade infernal (se comparado à aqui, o calor do deserto consegue ser bem pior). E voltei com vontade de regressar! Ainda quero ver Las Vegas outra vez, e partilhar isso com Dick e com Moe. Atlanta, em si, foi um encanto à parte. O centro da cidade parecia encantadoramente congelado nos anos 80. Cinemas, grandes lojas, gramados verdejantes, jazz para todo o lado. E o aquário!! O Aquário mais lindo que já vi na vida! E ainda perdi a oportunidade de mergulhar com os grandes peixes, tubarões e arraias gigantes. Ainda voltarei lá para isto, assim espero. Conheci a maravilhosa Paranapiacaba, na qual planejo até ter casa, rs…

Shows e mais shows! Na agenda cultural, além do Cirque du Soleil LOVE, dos Beatles, em Las Vegas, pude me deliciar com outros grandes astros do Rock. Com Dick e Moe, logo no começo, fui conferir o grande Ozzy Osbourne. O Show foi de morno para frio, mas como não foi muito caro, valeu a pena a brincadeira. Tivemos Ringo Starr, em um show maravilhoso e cativante, Pearl Jam, no show mais épico do ano de 2011, sem sombra de dúvidas, com Dick, Vox, Sunshine e Lubs… Cirque Du Soleil, o Varekai, aqui mesmo em São Paulo… Zombie Walk 2011, que fez valer a pena não ter ido no Anime Friends para viajar a Vegas… Grandes filmes, excelentes livros. Um bom ano em questão cultural, creio eu.

De vitrola e LPs novos, com muitos CDs, um namorado maravilhoso, uma família hilária,  bons amigos e novas esperanças, espero novas experiências deste ano. Uma viagem ao Chile, quem sabe, não é? Um carro, finalmente! E muito Rock’n’roll… Que venho 2012!
E que venha o fim do mundo maia!

Da noite pro dia.

Sem retrospectivas. Sem memórias rebuscadas. Sem complexidades. Por enquanto, talvez.

Tentei de todo modo descrever esse ano, como vi tantos outros fazerem, mas não é algo que consigo fazer tão facilmente.

Foi incrível, foi indescritível, e por isso, dispensa quaisquer descrições, qualquer tentativa de passar pro monitor sentimentos intransponíveis, acontecimentos extraordinários e situações inimagináveis.

Desisti então de qualquer pensamento que exigisse demais de meu bem-estar mental e físico, e deixei-me levar pelas cenas que me arrastavam na vida.

Fui passar a virada do ano com meus tios e primos, o que foi extremamente agradável e compensador.

Tínhamos Vox online conosco, depois de um bem feito churrasco, já na sala, assitindo ao DVD do 360º do U2. Ela aprontava-se para uma festa lá no outro continente, enquanto aqui no nosso, já contávamos os minutos para a virada da noite. E foi então que meu tio disse: É nessas horas que você percebe a asneira que é contar as coisas pelo tempo, pelas horas. Nós aqui já começando a escutar os fogos e você, Vox, só vai comemorar a mesma coisa daqui a três horas.

Bateu a meia noite, tomei os primos no embalo, e fomos ao telhado, para ver o espetáculo de fogos. Ficamos todos ali: eu, lubs, Harry, Petit, Sunshine, Pete e Rub, deslumbrados com aquele céu cintilante e multicolorido de um espetáculo que rompia de todos os arredores. O motivo é tolo, e todos sabemos, mas temos de admitir que a diversão pelo fogaréu é excitante. Um a um, foram descendo do telhado, deixando-me a sós com lubs. Ouvíamos Beatles e Marley em meu celular, olhando os resquícios dos raios vermelhos, verdes e amarelados cruzarem alguns pontos distantes no céu.

Ela então desceu dali e eu fiquei sozinha, deitada, olhando as nuvens se moverem pela noite, acompanhada de Joplin, Pink Floyd e Zeppelin. Tentei organizar os pensamentos mais uma vez junto aos acontecimentos do meu ano… mas tudo o que eu conseguia ter em mente eram as nuvens em movimento e a melodia de Let The Sun Shine – 5th Dimension tomando meus ouvidos. Percebi então que eu havia mudado incrivelmente aquele ano. Não só de aparência, mas de pensamento, comportamento… de coração.

Fiquei maior, mais ciente, um tanto menos tolerante, um tanto mais mente aberta, muito mais rebelde, largamente crítica, até mais depressiva, mas também, mais espontânea e leve. Mudei opiniões, voltei-as, moldei-as, mudei outra vez, cultivei sentimentos maiores, alegrias impensáveis, tristezas também. Tive em mim o extremo de tudo o que nunca imaginei poder ter, e um tanto mais, e muito menos…

Lembro de que li que medir mudanças por tempo de anos é ridículo, é só uma idiota medição de tempo que alguém decidiu estabelece. Pois mudei muito mais no decorrer dos meses que numa virada de noite qualquer, dum tal de dia 31 pro dia 01 de 2011.

Foi então que levei uma bolada na testa. Harry subiu no telhado atrás da bola de vôlei, rindo de mim. Sentou do meu lado, e ficou ali me escutando cantar as melodias que vinham sem fim, as vezes batucando no ritmo pra acompanhar.

– Você é meu anti-social preferido, sabe? – E eu dei risada.

Ele fez algo como uma careta, soltou um “Oown” e continuou batucando e me mandando mudar de músicas.

– Vamos andar de bicicleta? – Ele sugeriu, e eu, nada boba, levantei rápida e descemos dali.

Passamos a próxima hora da madrigada, eu, lubs e Harry rodando pelas ruas desertas, ainda acompanhados de Beatles, Doors e Police, como os reis do mundo. Sentindo o vento da madrugada batendo forte no rosto, as folhas das árvores roçarem nas mãos, uivando a todo pulmão, como malucos, rindo e escutando o eco das risadas entre as sombras dos postes de luz nas ruas abandonadas.

Encerro minha noite sentindo-me da mesma forma como pude me sentir naquele telhado, naquela bicicleta, aproveitando minha noite com dois de meus melhores acompanhantes em todo meu tempo de vida. Aqueles que mais me viram mudar e me tornar o que sou…

Sem a idiotice de uma “virada de ano”. E sim, pela vida experimentada.

Uivando a todo pulmão.

E olhando pras nuvens no céu… Tão inconstantes como sempre fui e ei de ser.

Ah, claro. Um bom “2011” pra você também. Ou que seja… rs