Clockwork City

Em aula de português, a missão era a seguinte: produzir uma crônica de tema livre, mas que mencionasse a cidade de São Paulo, de qualquer maneira possível. Cheguei cerca de uma hora atrasada em aula, tendo apenas 30 minutos pra concluir a missão. Considerei-a finalizada. Crônica dada, é crônida cumprida.

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O asfalto estala discretamente enquanto o som do salto alto ecoa na viela escura. A garoa fina, ácida, típica da cidade de São Paulo, escorre nos escassos rostos puídos da madrugada. Aos poucos, sempre aos poucos, as pessoas despertam. Como uma sinfonia arrastada, o sol vai expulsando a escuridão, entrando nas janelas empoeiradas, com o tempo marcado. As engrenagens do velho relógio de pulso da garota na viela parecem castigar a multidão que logo salta dos ônibus e plataformas. É um desfile de malas, maletas, marchas, manchas, tantas prioridades estampadas no rosto sonolento da multidão.
Sete horas da manhã e o café do executivo já está na mesa de seu escritório, junto com a papelada da próxima reunião. A esposa tinha ligado, dizia o bilhete rosa em seu monitor. Na rua o tempo voa, levanta a velha poeira, que, como dunas, acumula-se em corpos esquecidos na sarjeta. Cafeína vai, relatório vem, contrato assinado, ponteiro do relógio acelerado.
Meio dia, o sol decide espantar a garoa e observar os engravatados atordoados. A buzina da perua escolar leva e traz a alegria na casa da avó, da tia, do condomínio, naquela quadra para a qual a criançada marcou o futebol da tarde. Cheiro de bolo de fubá na rua, bolinho de chuva. E o incansável ponteiro continua implacável.
Cinco e meia, suspiram os funcionários da avenida. O expediente vai se encerrando, os chefes afrouxam o arrogante colarinho, a saia da secretária já está abarrotada. O céu cinza de São Paulo vai fechando suas nuvens, esperando para derramar a dose habitual de caos. A garota da viela estala os saltos outra vez, o batom impaciente. O diretor de vendas descola o bilhete da esposa e o amassa, a aliança fora do dedo, jogada no chão, assim como a secretária, nua como prata.
Nove horas da noite e o menino de joelho ralado espera, na janela, a avó na sala vendo a novela. A garota da viela olha o céu escuro, a garoa fina escorrendo pelos muros. O executivo entorna a aliança no dedo, hora de voltar para casa, limpando as marcas de batom de sua gravata. Passeia na viela, caminho cotidiano. É esfaqueado, o sangue vira chuva, os gritos são trovões, fora tudo calculado. A mulher deixa a faca junto ao corpo do marido traidor. A cidade a lavaria, morrera o seu amor.
Dez e meia. O salto estala na porta da frente da casa de esquina, cortina entreaberta na cozinha. O rapazinho beija a face da senhora, agradece pelo bolo e vai embora. “E o papai? Quando virá?”, pergunta para a mãe, que dirige em silêncio na chuva. “Creio que irá se atrasar para o jantar”. E o relógio continua a fazer a sua sina pela chuva em São Paulo, velho, apressado, abandonado em tantas vielas traiçoeiras, com seus corpos cotidianos na sarjeta.

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Não acho que foi meu melhor texto, mas pelo menos tirei nota máxima. De fato aos poucos me agrada. Aos poucos, sempre aos poucos. Hehe.

Roubaram meu celular.

Sim, de novo.

É, eu sei, só pra variar.

Estava no vagão do metrô, chegando na Sé, quando tirei o celular do bolso para checar as horas. Eram 6:20 pm. Coloquei-o no bolso da jaqueta novamente, e o fechei.

Sai do vagão naquela muvuca, naquele aperto, naquele sufoco, mas saí. Chequei os bolsos, como sempre faço. Tudo estava no lugar, menos o celular. Procurei por toda a plataforma, falei com os policiais, fui atrás no achados e perdidos. Quem disse que o mundo é bonito assim, né?

O guardinha me contou uma lorota esperançosa de uma mulher que achou a bolsa depois de achar ter perdido, mas até aí, o pobre coitado não tinha ciência do meu histórico criminal. Digo, de vítima.

Para quem é leigo no meu azar, já fui assaltada perto de casa, onde tive que trocar o celular pela vida de uma amiga, que estava sendo sufocada pelo marginalzinho de merda, já fui assaltada a mão armada na praia, e desta vez pedi ao ladrão para que eu pudesse ficar com o ship, pois recuperar a agenda era um saco. Ele deixou, tranquilo. E já fui roubada na igreja (SIM, na igreja) por uma criança (SIM, uma criança). Essa é a ironia da minha vida.

Enfim. Agora, fui roubada por um batedor de carteira da Sé. Liguei no celular em seguida, que caiu imediatamente na caixa postal. Alguma dúvida que já deve ter virado crack? Pois é.

Fui hoje numa loja da Tim comprar um aparelho novo, e enquanto o vendedor queria me vender os aparelhos top de linha, expliquei: Meu rapaz, se eu sair com um celular caro na rua, serei roubada na porta da sua loja. Me vê o de 50 conto mesmo.

E esse é o ciclo da vida, meus leitores. Compro um celular, logo ele é roubado, lovo ele vira erva. Do lixo eletrônico ao apoio à produção de “naturebas”. É a cidade grande mostrando o seu apoio ao meio ambiente, e rindo da minha cara de otária.

Moral da história: Não seja gentil com as pessoas no metrô. Elas podem parecer trabalhadores cansados, gente honetsa voltando do serviço, mas no fim das contas, são só infelizes sem educação que te empurram e dão brecha pra algum marginal roubar o que você, ironicamente, com muito trabalho honesto, possui nos bolsos.

Aí eu fico aqui imaginando. Como será que vão roubar meu próximo celular?

Eu aposto em abdução alienígena. Pq né, a gente precisa variar.

Eduardo e Mônica

Entre o frio e o quente, o preto e o branco, o gótico e o hippie, o sim e o não, a razão e o sentimento, o amor e o ódio, as diferenças andam juntas em pé de igualdade  e moldam tudo que de mais belo e sólido existe nesse mundo. Como o Ying e o Yang se completam, foram dos opostos os conjuntos perfeitos, vemos nas nossas vidas os contrastes funcionarem de maneiras explêndidas. O sol tocando a neve numa manhã de inverno, a chuva no fim de um dia quente de verão, o resultado das tintas se tocando na tela, o encontro do cume de uma montanha com as nuvens do céu… O olhar de um casal numa praia vazia, num dia nublado. Lados contrários de uma mesma moeda que se refletem. Pólos contrários dos ímas que na verdade, se atraem com uma força inimaginável. Tudo para dar certo numa equação improvável e que, exatamente por isso, acaba se resolvendo com uma perfeição impensada. Duas mãos juntas, um abraço, a uníão dos lábios. O feminino e o masculino se contrapondo no nascer do sol em uma cidade cinzenta, mas que esconde amor de vez em quando, nas casas fechadas e distantes de casais que se encontraram nas diferenças e se completaram. Não mais deixarão de se amar. O Ying e o Yang nunca se desatam. A harmonia de estarem conectados traz o “para sempre” dos contos de fadas para uma realidade pouco fantástica. Mas nem por isso, menos perfeita.

PERFEITO COMO DEVE SER.

Quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?

Eduardo abriu os olhos, mas não quis se levantar
Ficou deitado e viu que horas eram
Enquanto Mônica tomava um conhaque
No outro canto da cidade, como eles disseram

Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer
E conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer
Um carinha do cursinho do Eduardo que disse
“Tem uma festa legal, e a gente quer se divertir”

Festa estranha, com gente esquisita
“Eu não tô legal”, não agüento mais birita”
E a Mônica riu, e quis saber um pouco mais
Sobre o boyzinho que tentava impressionar
E o Eduardo, meio tonto, só pensava em ir pra casa
“É quase duas, eu vou me ferrar”

Eduardo e Mônica trocaram telefone
Depois telefonaram e decidiram se encontrar
O Eduardo sugeriu uma lanchonete
Mas a Mônica queria ver o filme do Godard

Se encontraram então no parque da cidade
A Mônica de moto e o Eduardo de “camelo”
O Eduardo achou estranho, e melhor não comentar
Mas a menina tinha tinta no cabelo

Eduardo e Mônica eram nada parecidos
Ela era de Leão e ele tinha dezesseis
Ela fazia Medicina e falava alemão
E ele ainda nas aulinhas de inglês

Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus
Van Gogh e dos Mutantes, de Caetano e de Rimbaud
E o Eduardo gostava de novela
E jogava futebol-de-botão com seu avô

Ela falava coisas sobre o Planalto Central
Também magia e meditação
E o Eduardo ainda tava no esquema
Escola, cinema, clube, televisão

E mesmo com tudo diferente, veio mesmo, de repente
Uma vontade de se ver
E os dois se encontravam todo dia
E a vontade crescia, como tinha de ser

Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia
Teatro, artesanato, e foram viajar
A Mônica explicava pro Eduardo
Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar

Ele aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer
E decidiu trabalhar (não!)
E ela se formou no mesmo mês
Que ele passou no vestibular

E os dois comemoraram juntos
E também brigaram juntos, muitas vezes depois
E todo mundo diz que ele completa ela
E vice-versa, que nem feijão com arroz

Construíram uma casa há uns dois anos atrás
Mais ou menos quando os gêmeos vieram
Batalharam grana, seguraram legal
A barra mais pesada que tiveram

Eduardo e Mônica voltaram pra Brasília
E a nossa amizade dá saudade no verão
Só que nessas férias, não vão viajar
Porque o filhinho do Eduardo tá de recuperação

E quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?

Perfeito como deveria ser <3

Tudo parece esta perfeitamente certo, sem problemas terríveis sem solução. Tudo parece estar devidamente no seu lugar, caminhando para um futuro melhor, vivendo cada bons momentos com uma paz interna que me faz sorrir cada dia que se inicia. Tudo parece um sonho, eterno. Cada sorriso, cada olhar eu sinto que vale muito apena.
E quando sinto seu toque, sua mão apertando a minha, meu ombro servindo de descanso e descabelando ela, meu coração dispara por um momento e eu fecho os olhos quase nem acreditando em tudo isso.
Então a vejo correndo em minha direção com um sorriso cheio de saudades, pula em meus braços e me beija como se fosse a primeira vez todas as vezes. Todo esforço vale apena, nem o frio intenso me faz arrepender de ter que esperar esse momento.
Eu vou encarar tudo. Eu vou superar qualquer obstáculo. Desde que seja pra ficar com ela, eu sei que vai valer a pena.

Por Robson Degan. Meu Dick Grayson.

One, Two, Tragicomic Is Coming For You.

Este fim de semana foi dia de minha primeira experiência com Krueger. Não em pesadelos, rs. Mas sim em questão cinematográfica. Assisti Nightmare On Elm Street, ou mais conhecido como Hora do Pesadelo junto com o Dick (my boyfriend). Não, este não é o original, é o segundo filme, o remake que saiu em 2010, dirigido pelo Samuel Bayer. E sim, como eu havia dito, assisti pela primeira vez, nunca vi o primeiro. Eu já era um pouco familiarizada com o querido e amado Freddy, mas nunca o havia visto em ação, e devo dizer meus amigos, que eficientes pares de garras que aquele rapaizinho tem, rs.

 O filme todo tem uma interpretação péssima por parte de todos os atores, exceto pelo nosso excelentíssimo assassino e os dois freaks, Nancy e Quentin (Tarantino? nah! rs). O humor tenebroso de Freddy chegava a me fazer gargalhar por dentro em suas aparições aos personagens. Efeitos muito bem feitos, e mesmo assim, poucos, o que acresceu a qualidade do filme. Descarte os que morreram, sua interpretação chegava a ser tão nojentinha que mereceram ter o fim do filme, rs.

 Mas o filme em si, em algumas cenas chegava a me remeter uma lembrança de infância. Calma! Não matei ninguém em seus pesadelos por vingança de meus crimes. E mesmo que o tivesse feito, nunca diria em meu blog, certo? (será?) rs… Mas a lembrança a qual me refiro retrocede alguns anos, na pré-adolescência, quando eu ainda fazia meu curso de inglês. Era Halloween, e toda o lugar estava arrumado com salas temáticas. A minha era sobre filmes de terror. Vi capas escuras, de capuz, largadas em um canto e me encantei. Logo me encarregaram do que eu viria a me lembrar. As capas eram para algumas crianças usarem candando a cantiga de Freddy Krueger, de mãos dadas, nada do corpo além da capa a mostra, enquanto os convidados eram conduzidos no escuro pela sala cheia de efeitos. Aquilo foi uma diversão absurda para mim. Eu me dava ao luxo de as vezes olhar bruscamente em direção de alguém e levantar só um pouco a cabeça, sorrindo à meia luz. Aquilo devia ser incrivelmente macabro e engraçado!! rs.

Voltando ainda mais no passado, quando eu ainda era criança de terceira série, houve algo parecido em minha escolinha. Havia uma sala com temática de susto. As luzes eram apagadas e nós éramos conduzidos pra dentro da sala, com sons de monstros, batidas fortes e repentinas, e muito saíam chorando. Eu entrava e saía daquela sala sem parar, pra tomar os sustos. E saía rindo. Em uma das vezes, decidi que eu queria era assustar, então, quando alguém pegou meu pé por debaixo de uma mesa no escuro, me abaixei e entrei para baixo dela também. O aluno mais velho que se assustou, mas eu expliquei que queria ajudar e ali eu fiquei. Passei o dia todo puxando os pés de crianças e gritando assustadoramente, esperando que alguém saísse correndo morrendo de medo. Diversão pura!

Ainda criança, eu gostava de assustar meus primos. Passávamos muitas férias em uma casa de campo da família, e eu sempre fui muito criativa e espoleta. E perturbada, claro, creio que isso já deu para perceber. Muitas vezes, quando escurecia, eu ficava procurando por morcegos nas árvores, olhando pra cima, querendo me embrenhar em trilhas. Uma vez, fiz todos os meus primos, tão crianças quanto eu, acreditarem que eu era algo como um lobisomem, e que quando anoitecia, eu ficava insana e poderia virar um animal selvagem. E eles acreditavam, porquê eu olhava pra lua obcecada e sumia por horas no quintal. Quando na verdade eu só estava procurando morcegos, hehe. As vezes eu uivava alto, só pra alguém ficar com medo, escondida no escuro. rs…

Um pouco mais velha, já por volta da quinta série, eu cuidava de algumas crianças menores no período integral. As vezes, a professora nos levava pra uma sala fechada, quando eu pedia. Eu apagava as luzes e acendia uma lanterna no meu rosto. Por horas, eu contava histórias de terror para os menores, enquanto a professora corrigia provas ou lia alguma coisa. As vezes ela também prestava atenção, para depois ameaçar as crianças com algum elemento dos meus terrores fantasiosos, caso fossem desobedientes. As vezes eu piscava a lanterna pela sala. As vezes deixava tudo escuro e acendia derepente, gritando e assustando os pequenos. Era uma diversão imensa para mim. Hehe!

Quando eu escutava algo assustador sobre a vida real, sobre mortes, acidentes, tragédias ou monstros que poderiam me arrastar enquanto eu dormia ou me distraía, eu tentava distrair a mente com algo que me divertisse. Eu tinha medo de caveiras. Ossos humanos. Isso por quê uma vez, acabei encontrando um enterrado na praia, vítima de traficantes. Aquilo me perturbou muito. Mas eu descobri um jeito rápido de desviar o medo: o humor. Bastava deixar o que era assustador, divertido. Então, quando eu lembrava do esqueleto, eu o imaginava dançando. Eu o imaginava como Tim Burton fazia: Cantando, se remexendo, rindo e fazendo outras coisas ainda tenebrosas, mas que me entretiam em minha cabeça (aliás, quando criança eu gostava de muitos filmes do Tim Burton, mas só depois de muito tempo descobri que ele era o autor das obras). Imaginava a Ivete Sangalo na micareta. Mas só o esqueleto dela. Não sei porquê, mas eu sempre achei ela um pouco de motivo pra piada, desde criança. Eu também imaginava a Xuxa da mesma forma. Nunca fui muito com a cara dela, rs…

 No fim das contas, acabei voltando minha atenção para o filme, enquanto Freddy ia contando suas vítimas, arranhando as garras nas paredes, aparecendo em silhuetas portas afora na noite. Com um final que poderia ser um pouco mais interessante, a Hora do Pesadelo entrará em meu rank de filmes que pretendo colecionar, e um novo em minha lista de terrores (por incrível que possa parecer, eu não era muito fã desse gênero. Agora eu sou, claro, rs). Depois que superei o medo dos esqueletos, parei de enxergar olhos vermelhos no vão das portas e temer lobos bestiais desossando pessoas quando as luzes se apagavam (mas eu ainda tenho medo de agulha!), minha mente transformou o medo em humor e eu acabei me tornando fã das risadas sinistras, e dos monstros da noite. Acabei me tornando, como Dick definiu-me perfeitamente uma vez…

TragiCômica.

Eu já tive pesadelos repetidos. Você não?

One, Two, Freddy Is Coming For You

Three, Four, Better Lock Your Door

Five, Six, Grab a Crucifix

Seven, Eight, Better Stay Up Late

Nine, Ten, Never Sleep Again!

 pra quem curtiu as caveirinhas dançantes, eis aqui um link [english required] do bom pra dançar com os mortos: http://sweetskulls.blogspot.com/2008/07/musical-dead.html

Vintage: Glamour With Dust

Eu deixaria essa nostalgia passar em paz se não fosse o sonho que tive noite passada… E claro, minha ausência característica do blog, hehehe.

Noite passada sonhei que embracava em um tipo qualquer de viagem com meu querido Dick, e no meu trajeto, eu estava me preocupada com meus pertences essenciais, que hoje em dia acabaram tornando-se masi tecnológicos que o que eu realmente esperava. Uma câmera semi-profissional, um notebook com wi-fi, um ipod classic, meu celular, o videogame… enfim. Estes pequenos pertences com custos elevados e que em meus atuais estudos e vida eu já não posso me dar o luxo de deixá-los para trás.

Mas havia sonhado com uma máquina de escrever. Daquelas antigas, mas ainda portáteis, uma capa plástica turquesa velha, uma maleta pra empacotar e levar embora consigo. E eu de fato usava a velha máquina. Isto vem da minha constante vontade de adquirir uma belezinha destas. Sim, uma máquina de escrever. Daquelas de precisar bater forte na tecla, colocar papel, tirar papel.

Ainda lembro da primeira vez que tive contato com uma destas, que me fascinou no primeiro apertar de botão. Foi na gráfica de meus tios, quando o computador ainda não tinha se instaçado tão rigorosamente. Aquela velha máquina era usada para digitar documentos e memorandos para a pequena empresa. Mas no tempo sem uso, deixavam-me brincar de escrever forte no papel e tocar aquele antigo sininho indicando que eu devia empurrá-la para continuar o fascínio da escrita. E foi assim que eu entendi aos poucos que aquele seria meu grande sonho dali pra frente. Lendo contos onde a máquina aparecia, onde escritores pedantes de Poe e Conan Doyle teclavam e teciam thrillers intrigantíssimos, que definiram meu gênero preferido de escrita. O da velha máquina de escrever, com o cachimbo na mão, as botas na mesa e a fumaça no ar, com um cadáver suspeito no lugar errado e na hora errada.

Não é apenas a máquina de escrever que é uma grande nostalgia da minha realidade. O relógio de pulso, acessório atualmente desnecessário (perdeu sua fundamental utilidade para os digitais e em seguida, para o celular), também muito me maravilha. As engrenagens, a pulseira no pulso, o tique taque chato, hehehe. O estilo vintage, o óculos antigo, de aro largo e grosso, as saias rodadas, as cinturas altas, a maquiagem pin-up, as calças rasgadas, as botas cano alto… Os braceletes, as pérolas, o glamour empoeirado, os discos de vinil, os antigos aparelhos de telefone, de câmeras fotográficas, de mirofone. Tudo tão cheio de tempo, tão fora do meu tempo, encontrado em seu início, e ainda assim, tão fascinante e eterno. O clássico nunca torna-se ultrapassado em sua essência, pois o clássico nada mais é que a melhor seleção da história, aquela que vale a pena emoldurar e ter pendurado na memória com um lugar especial.

A correria, os touch screens, os fones intrauriculares, as telas de LED e LCD, a conexão em tempo real, em alta velocidade, espaço digital ilimitado, o artificial, o tecnológico, o ponta de linha… Isto continua preso e atrelado ao que sempre queremos no nosso tempo. Mas ao meu ver, a realidade na medida é aquela apresentada na maioria das vezes em filmes pós-apocalípticos, onde a tecnologia é a maior alcançada, mas tudo o que resta são olascas do passado, os antigos objetos, misturados com os efeitos da sobrevivência, sem o luxo, sem o brilho. Só o glamour empoeirado.

I wanna hold your hand

Quero sair pra um parque de diversões, e no meio da noite, deitar no seu colo e receber um codinome eterno, selado com beijo.

Quero pular cercas na escuridão, no êxtase de um espetáculo, e lembrar disso pra sempre.

Quero olhar de longe você caminhando de costas num dia nublado de praia.

Quero ver o sorriso bobo e o rosto vermelho de quem parece que se apaixonou pela primeira vez.

Quero, depois de dias sem te ver, abraçar sem dizer nada e mesmo assim, entender tudo.

Quero cobrir o rosto pra esconder lágrimas de felicidade, de vez em quando.

Quero achar que é um sonho, quando é tudo muito real.

Quero não entender o quanto tudo parece tão certo pra ser, desde minha tenra idade. Desde a nossa ingenuidade.

Quero me sentir completa desse jeito como nunca me senti de outra maneira.

Quero num só olhar entender um sentimento que não pode ser traduzido nunca pra palavras.

Quero esperar os faróis vermelhos pra poder te olhar sem você notar.

Quero deitar no capô do carro, escutando beatles, e olhar as estrelas, no meio de uma estrada de terra.

Eu quero tudo.

Eu quero você.

Dick 🙂