Alô 2012!

Bem, vamos para outra retrospectiva, não é? Mais pela força do hábito do que pela necessidade. Na verdade, eis uma coisa que adquiri esse ano, infelizmente: Mais distância do blog.

Talvez eu volte. Sempre há planos, em todo o caso… Mais textos, mais reviews, mais viagens, mais experiências… Um curso de fotografia,  o desafio de perder peso, um curso de francês, de guitarra… Planos nunca faltam a um novo ano, embora falta a verdadeira disposição de realizá-los.

Certo, reflexões da madrugada, da virada de uma noite para a outra, de um final de mês para um começo, a quem todos chamam de “vida nova” e coisas do gênero… Bem, para mim, a vida é a mesma (mas melhor), felizmente. Sou a mesma também. Mudanças?

Ano passado eu creio que foi um ano de grandes… Como chamam? Revelações, eu acho. Depositei minha fé na pessoa errada, meti os pés pelas mãos, mas acho que todo mundo precisa fazer isso de fez em quando pra ter certeza das coisas importantes e de seu real valor. Acabou que o mundo não se acabou, vejam só. Fui surpreendida. A raiva passou, a razão veio a mim e aprendi o que o coração tem de passar pra provar pro cérebro que, no fundo, ele sempre tem uma pontada de certeza. Perdi alguém importante, todos nós perdemos. O ruim de verdade é ver o mesmo mal que se abate em você roubar outras pessoas. Ninguém de fato deseja isso pra quem ama. Mas o que aconteceu, o que foi fulminante, se foi e não volta mais, e nos deixa aqui pra sobreviver. E eu fui muito bem amparada.

Dick voltou de mansinho. Como eu disse, fui surpreendida por coisas que eu não cria serem possíveis. Nunca creio que eu seja de fato tão importante para outras pessoas que não sejam ligadas a mim pelo útero ou sangue, rs…  Mas perdi esse tipo de crença tola, e aprendi que as pessoas que de fato amam, amam para sempre. E Dick foi quem me ensinou isso. Voltou, me recapturou, deu a volta por cima, apagou os erros, criou acertos maiores e fez tudo valer a pena. Reconquistou a aliança no meu dedo. Reconquistou o meu coração de uma tal forma que duvido de todo o coração que um dia podemos nos separar outra vez, e esta é uma das coisas que abomino sequer pensar. Não importa o quão clichê isso pareça, mas pertencemos um do outro para sempre. E mal posso esperar para passar o resto da vida ao lado dele. Mal posso esperar para acordar as manhãs e vê-lo do meu lado. Mal posso esperar por todos os filmes juntos, os parques de fim de tarde, as viagens de férias e fins de semana, os show de rock, os passeios de carro e de moto, as aventuras da vida, enfim, venham. Quero tudo que um futuro bom de verdade possa oferecer para nós. E apenas com ele. Meu Dick Grayson. Meu amado Dick. Minha verdadeira conquista e revelação, não apenas do ano que passou, mas de todos os que virão, com certeza. E não importam nossas diferenças, nosso preto e branco, nós combinamos até mesmo nos opostos. Os amigos, a família, não há ninguém que discorde. E a cada novo elogio ou olhar eu percebo que eu não podia ter feito uma escolha mais acertada, não importa o que tivemos de passar ou o que ainda teremos. Tudo é tão perfeito quanto poderia ser. Não consigo deixar de rir sozinha depois de lembrar de amigos dizendo que não podíamos ser um casal que combina mais, tão divertido, tão natural, tão cheio de amor. Como disse um amigo “Parece que vocês namoram há uma semana, e não há um ano. Até eu queria ter isso”.

A família, essa dádiva que tenho, nos acolheu sempre com o maior dos sorrisos. Aliás, a cada ano eu só tenho mais certeza de que a família é uma das jóias mais preciosas do meu baú. Vox, Petit, Harry, Lubs, Rub, Pete, Sunshine, Janis, Buttercup, e a minha novíssima em folha, e tão amada Little Mary. A cada ano que passa, só tenho mais certeza de que nunca quero deixá-los. De que, mesmo com os seus quens e poréns, são uma das maiores maravilhas do mundo.

Amigos, amigos, negócios a parte… 2011 foi, sem dúvida, uma reviravolta brusca nesse quesito. Minhas queridas e amadas Hay Lin e Taranee não sumiram das portas da minha casa, e nem da minha geladeira, rs… Embora, eu lamente dizer que vejo-as com tão pouca frequência que meu coração dói de pensar. Gostaria de voltar um pouco na época das festas de pijama, das noitadas de cinema, nas lanchonetes e sorveterias e praquela adolescência ao lado das amigas. Mas o tempo passa, o mundo muda e as coisas se vão. Will parece ter se juntado, mesmo que aos poucos, ao mundo inabitado de Cornélia. Se tornou tão ausente quanto temíamos. Mas é assim que a vida funciona, infelizmente. Tenha aqueles que não quer deixar escapar bem presos entre os dedos, ou eles os deixarão, hora ou outra.

Faculdade. Lá se foi o primeiro ano, tão logo ele veio. Na verdade, tenho até satisfação de ver como ou novos vestibulando estão preocupados com algo de que eu já risquei da minha lista. Não sou mais bixo, e eu nem sofri trote. Sabem como é, meu espírito esportivo acabaria em assassinato antes de passarem tinta pelo meu rosto. Mas, vamos ao que interessa… Amigos!! Novos em folha! Moe já se tornou indispensável no cardápio, minha pequena versão com um pedacinho de mim mesma. Tatuagens, rock’n’roll e devaneios. Tem também o Ryu, que não é tão próximo a mim como Moe, mas pelo menos é um camarada e tanto, entre outras grandes novas amizades e coisas do gênero. Aulas, bares e mais bares. Baladas, vida noturna e tudo o que uma vida universitária exige. Fico feliz comigo mesma de ter conseguido passar sem nenhuma DP, pois é a melhor faculdade do ramo, e a mais difícil… Ter passado para o próximo ano é quase que inacreditável, assim, rs…

Alterações no corpo: Finalmente, coragem! Passei um pouco por cima de minha fobia a agulhas e perfurei o nariz e tatuei LET IT BE no pulso. Não poderia estar mais feliz, nem mesmo com o cabelo preto bem pintado e cortado, as roupas novas… Enfim, como já mencionei, só me faltam uns quilos a menos.

Shows e viagens: Conheci Las Vegas! Conheci Atlanta! Ah, e que sonho são os lugares do mundo. A viagem começou entupida de saudades de Dick e de Little Mary. Mas tudo o que vi e vivi foi incontável. Las Vegas e seu constante estado de balada é tudo o que mostram nos filmes e mais. Muito mais!! Uma pena que fui enquanto menor de 21, e nada pude fazer a não ser olhar as coisas, mas mesmo assim, valeu mais que a pena. Finalmente realizei meu sonho de ver o espetáculo do Cirque du Soleil sobre os Beatles, um dos mais lindos shows que eu já vi na minha vida inteira. Fiz a maior loucura da minha vida, e fui nos brinquedos daquele parque de diversão que fica em cima de um prédio de 110 andares, o Stratosphere. Fiz tirolesa, andei de helicóptero, de jet ski e tomei café da manhã no meio do Grand Canyon. Andei de Hummer no meio do deserto. Visitei o Hard Rock local, me hospedei no Planet Holywood, enfim… Aproveitei a cidade infernal (se comparado à aqui, o calor do deserto consegue ser bem pior). E voltei com vontade de regressar! Ainda quero ver Las Vegas outra vez, e partilhar isso com Dick e com Moe. Atlanta, em si, foi um encanto à parte. O centro da cidade parecia encantadoramente congelado nos anos 80. Cinemas, grandes lojas, gramados verdejantes, jazz para todo o lado. E o aquário!! O Aquário mais lindo que já vi na vida! E ainda perdi a oportunidade de mergulhar com os grandes peixes, tubarões e arraias gigantes. Ainda voltarei lá para isto, assim espero. Conheci a maravilhosa Paranapiacaba, na qual planejo até ter casa, rs…

Shows e mais shows! Na agenda cultural, além do Cirque du Soleil LOVE, dos Beatles, em Las Vegas, pude me deliciar com outros grandes astros do Rock. Com Dick e Moe, logo no começo, fui conferir o grande Ozzy Osbourne. O Show foi de morno para frio, mas como não foi muito caro, valeu a pena a brincadeira. Tivemos Ringo Starr, em um show maravilhoso e cativante, Pearl Jam, no show mais épico do ano de 2011, sem sombra de dúvidas, com Dick, Vox, Sunshine e Lubs… Cirque Du Soleil, o Varekai, aqui mesmo em São Paulo… Zombie Walk 2011, que fez valer a pena não ter ido no Anime Friends para viajar a Vegas… Grandes filmes, excelentes livros. Um bom ano em questão cultural, creio eu.

De vitrola e LPs novos, com muitos CDs, um namorado maravilhoso, uma família hilária,  bons amigos e novas esperanças, espero novas experiências deste ano. Uma viagem ao Chile, quem sabe, não é? Um carro, finalmente! E muito Rock’n’roll… Que venho 2012!
E que venha o fim do mundo maia!

Pirâmide Invertida

Alô alô marcianos. Eis que venho hoje aqui compartilhar um pouco de cultura com vocês, só para variar.

Tópico da noite: Pirâmide Invertida, a técnica jornalística de fazer a notícia mais interessante. Como funciona?

Para entender esse conceito, primeiro é preciso especificar o que é Lead, ou lide. Do inglês “to lead” (liderar, conduzir), é o começo, a introdução que supre as perguntas básicas de uma notícia. Informa de forma rápida e resumida sobre o quê a notícia se trata, de forma a prender a atenção do leitor na matéria. As perguntas básicas que devem ser respondidas no lide são: Quem, O que, Quando, Por que, Onde, Como. Porém, para chamar a atenção do leitor, é possível usar da técnica da pirâmide invertida, que trata-se de explicitar as perguntas de forma a escrever do mais importante para o menos importante. Portanto, pode-se alterar a ordem dos fatos.

O professor de Jornalismo Básico deu-nos a seguinte missão: Criar um lide criativo e ao mesmo tempo interessante, usando da técnica de pirâmide invertida.

E eu, como bobona travessa que sou, não pude deixar de aproveitar o tema para fazer de uma ou duas graças. Mas ressalto logo, quem fizer a apuração da minha notícia, encontrará fatos verdadeiros. Eu apenas tornei as coisas um pouco mais… Criativas e interessantes, hehe. Divirtam-se.

 

As pirâmides invertidas: O fenômeno que está intrigando o mundo.

Nas terras do Cairo, no Egito, é onde se encontra a primeira grande maravilha do mundo: as Pirâmides de Gizé, que perduram através do tempo por mais de cinco mil anos, mantendo seu relativo bom estado. Porém, na noite de quarta-feira foram registradas queixas na polícia egípcia de Mênfis. No início foram levadas pelas autoridades como brincadeira, mas devido à grande massa de pessoas que continuavam ligando para a delegacia, causaram muita preocupação e espanto. Exploradores, cientistas e moradores locais declaravam ter visto as Pirâmides invertidas.
Numa equipe de reconhecimento, a polícia confirmou as queixas, encontrando as Pirâmides com as bases maiores apontadas para o céu, equilibradas pela ponta na areia. O evento absurdo foi reportado para a UNESCO por volta das 23h52min, conforme relatório oficial do delegado Hah-Amun. “Nunca vimos nada afetar as grandes pirâmides. Encontrá-las naquele estado me deixou perturbado. Até agora ainda não consegui dormir” Ele declarou em entrevista para a Reuters nesta manhã. Foram encontradas ferramentas de escavação ao redor das pirâmides, o que deixa o fato ainda mais estranho, uma vez que a polícia e os especialistas afirmam ser impossível inverter um monumento de tamanho porte e idade com instrumentos tão simples. Entre as ferramentas encontradas foram registrados três martelos, quatro pás, sete picaretas e uma enxada. Ainda no local foram encontradas placas de granito esculpidas por material desconhecido, todas com os dizeres: A situação pode ser invertida.
A busca por suspeitos de ter invertido as Pirâmides ainda não mostram nenhum resultado significativo, levantando inúmeras teorias entre os estudiosos do mundo todo, sendo intervenção alienígena a principal delas. “Isto é bobagem” disse o chefe do caso pelo FBI, George Russel, “O que aconteceu aqui só pode ter sido coisa de manifestantes. Não se preocupem, nós encontraremos o responsável por isto. Ninguém sairá impune” completou o oficial. O Egito tem passado por grandes reformas políticas desde os conflitos do começo do ano, entre o povo e o governo do ex-presidente Hosni Mubarak, deposto por acusações de corrupção e assassinatos. Tendo sido um ditador por 30 anos, Mubarak criou inúmeras tensões e organizações locais, e muitos manifestantes foram executados durante os protestos. Indo a julgamento no Cairo, e com a chance de ser condenado à pena de morte, o evento político é outra grande teoria explicativa do monumento ter sido invertido.
A situação ainda está sendo estudada a fundo, e todos os grandes órgãos de pesquisa e conservação do mundo estão envolvidos no mistério egípcio. “Seja lá o que tenha acontecido, nós nunca poderemos compreender completamente. Manifestantes, aliens, isto não importa muito. De qualquer forma, foi um grande sinal para todos nós” declarou o delegado Hah-Amun ao final de sua entrevista, enquanto olhava fixamente para as Pirâmides invertidas.

One, Two, Tragicomic Is Coming For You.

Este fim de semana foi dia de minha primeira experiência com Krueger. Não em pesadelos, rs. Mas sim em questão cinematográfica. Assisti Nightmare On Elm Street, ou mais conhecido como Hora do Pesadelo junto com o Dick (my boyfriend). Não, este não é o original, é o segundo filme, o remake que saiu em 2010, dirigido pelo Samuel Bayer. E sim, como eu havia dito, assisti pela primeira vez, nunca vi o primeiro. Eu já era um pouco familiarizada com o querido e amado Freddy, mas nunca o havia visto em ação, e devo dizer meus amigos, que eficientes pares de garras que aquele rapaizinho tem, rs.

 O filme todo tem uma interpretação péssima por parte de todos os atores, exceto pelo nosso excelentíssimo assassino e os dois freaks, Nancy e Quentin (Tarantino? nah! rs). O humor tenebroso de Freddy chegava a me fazer gargalhar por dentro em suas aparições aos personagens. Efeitos muito bem feitos, e mesmo assim, poucos, o que acresceu a qualidade do filme. Descarte os que morreram, sua interpretação chegava a ser tão nojentinha que mereceram ter o fim do filme, rs.

 Mas o filme em si, em algumas cenas chegava a me remeter uma lembrança de infância. Calma! Não matei ninguém em seus pesadelos por vingança de meus crimes. E mesmo que o tivesse feito, nunca diria em meu blog, certo? (será?) rs… Mas a lembrança a qual me refiro retrocede alguns anos, na pré-adolescência, quando eu ainda fazia meu curso de inglês. Era Halloween, e toda o lugar estava arrumado com salas temáticas. A minha era sobre filmes de terror. Vi capas escuras, de capuz, largadas em um canto e me encantei. Logo me encarregaram do que eu viria a me lembrar. As capas eram para algumas crianças usarem candando a cantiga de Freddy Krueger, de mãos dadas, nada do corpo além da capa a mostra, enquanto os convidados eram conduzidos no escuro pela sala cheia de efeitos. Aquilo foi uma diversão absurda para mim. Eu me dava ao luxo de as vezes olhar bruscamente em direção de alguém e levantar só um pouco a cabeça, sorrindo à meia luz. Aquilo devia ser incrivelmente macabro e engraçado!! rs.

Voltando ainda mais no passado, quando eu ainda era criança de terceira série, houve algo parecido em minha escolinha. Havia uma sala com temática de susto. As luzes eram apagadas e nós éramos conduzidos pra dentro da sala, com sons de monstros, batidas fortes e repentinas, e muito saíam chorando. Eu entrava e saía daquela sala sem parar, pra tomar os sustos. E saía rindo. Em uma das vezes, decidi que eu queria era assustar, então, quando alguém pegou meu pé por debaixo de uma mesa no escuro, me abaixei e entrei para baixo dela também. O aluno mais velho que se assustou, mas eu expliquei que queria ajudar e ali eu fiquei. Passei o dia todo puxando os pés de crianças e gritando assustadoramente, esperando que alguém saísse correndo morrendo de medo. Diversão pura!

Ainda criança, eu gostava de assustar meus primos. Passávamos muitas férias em uma casa de campo da família, e eu sempre fui muito criativa e espoleta. E perturbada, claro, creio que isso já deu para perceber. Muitas vezes, quando escurecia, eu ficava procurando por morcegos nas árvores, olhando pra cima, querendo me embrenhar em trilhas. Uma vez, fiz todos os meus primos, tão crianças quanto eu, acreditarem que eu era algo como um lobisomem, e que quando anoitecia, eu ficava insana e poderia virar um animal selvagem. E eles acreditavam, porquê eu olhava pra lua obcecada e sumia por horas no quintal. Quando na verdade eu só estava procurando morcegos, hehe. As vezes eu uivava alto, só pra alguém ficar com medo, escondida no escuro. rs…

Um pouco mais velha, já por volta da quinta série, eu cuidava de algumas crianças menores no período integral. As vezes, a professora nos levava pra uma sala fechada, quando eu pedia. Eu apagava as luzes e acendia uma lanterna no meu rosto. Por horas, eu contava histórias de terror para os menores, enquanto a professora corrigia provas ou lia alguma coisa. As vezes ela também prestava atenção, para depois ameaçar as crianças com algum elemento dos meus terrores fantasiosos, caso fossem desobedientes. As vezes eu piscava a lanterna pela sala. As vezes deixava tudo escuro e acendia derepente, gritando e assustando os pequenos. Era uma diversão imensa para mim. Hehe!

Quando eu escutava algo assustador sobre a vida real, sobre mortes, acidentes, tragédias ou monstros que poderiam me arrastar enquanto eu dormia ou me distraía, eu tentava distrair a mente com algo que me divertisse. Eu tinha medo de caveiras. Ossos humanos. Isso por quê uma vez, acabei encontrando um enterrado na praia, vítima de traficantes. Aquilo me perturbou muito. Mas eu descobri um jeito rápido de desviar o medo: o humor. Bastava deixar o que era assustador, divertido. Então, quando eu lembrava do esqueleto, eu o imaginava dançando. Eu o imaginava como Tim Burton fazia: Cantando, se remexendo, rindo e fazendo outras coisas ainda tenebrosas, mas que me entretiam em minha cabeça (aliás, quando criança eu gostava de muitos filmes do Tim Burton, mas só depois de muito tempo descobri que ele era o autor das obras). Imaginava a Ivete Sangalo na micareta. Mas só o esqueleto dela. Não sei porquê, mas eu sempre achei ela um pouco de motivo pra piada, desde criança. Eu também imaginava a Xuxa da mesma forma. Nunca fui muito com a cara dela, rs…

 No fim das contas, acabei voltando minha atenção para o filme, enquanto Freddy ia contando suas vítimas, arranhando as garras nas paredes, aparecendo em silhuetas portas afora na noite. Com um final que poderia ser um pouco mais interessante, a Hora do Pesadelo entrará em meu rank de filmes que pretendo colecionar, e um novo em minha lista de terrores (por incrível que possa parecer, eu não era muito fã desse gênero. Agora eu sou, claro, rs). Depois que superei o medo dos esqueletos, parei de enxergar olhos vermelhos no vão das portas e temer lobos bestiais desossando pessoas quando as luzes se apagavam (mas eu ainda tenho medo de agulha!), minha mente transformou o medo em humor e eu acabei me tornando fã das risadas sinistras, e dos monstros da noite. Acabei me tornando, como Dick definiu-me perfeitamente uma vez…

TragiCômica.

Eu já tive pesadelos repetidos. Você não?

One, Two, Freddy Is Coming For You

Three, Four, Better Lock Your Door

Five, Six, Grab a Crucifix

Seven, Eight, Better Stay Up Late

Nine, Ten, Never Sleep Again!

 pra quem curtiu as caveirinhas dançantes, eis aqui um link [english required] do bom pra dançar com os mortos: http://sweetskulls.blogspot.com/2008/07/musical-dead.html

Vintage: Glamour With Dust

Eu deixaria essa nostalgia passar em paz se não fosse o sonho que tive noite passada… E claro, minha ausência característica do blog, hehehe.

Noite passada sonhei que embracava em um tipo qualquer de viagem com meu querido Dick, e no meu trajeto, eu estava me preocupada com meus pertences essenciais, que hoje em dia acabaram tornando-se masi tecnológicos que o que eu realmente esperava. Uma câmera semi-profissional, um notebook com wi-fi, um ipod classic, meu celular, o videogame… enfim. Estes pequenos pertences com custos elevados e que em meus atuais estudos e vida eu já não posso me dar o luxo de deixá-los para trás.

Mas havia sonhado com uma máquina de escrever. Daquelas antigas, mas ainda portáteis, uma capa plástica turquesa velha, uma maleta pra empacotar e levar embora consigo. E eu de fato usava a velha máquina. Isto vem da minha constante vontade de adquirir uma belezinha destas. Sim, uma máquina de escrever. Daquelas de precisar bater forte na tecla, colocar papel, tirar papel.

Ainda lembro da primeira vez que tive contato com uma destas, que me fascinou no primeiro apertar de botão. Foi na gráfica de meus tios, quando o computador ainda não tinha se instaçado tão rigorosamente. Aquela velha máquina era usada para digitar documentos e memorandos para a pequena empresa. Mas no tempo sem uso, deixavam-me brincar de escrever forte no papel e tocar aquele antigo sininho indicando que eu devia empurrá-la para continuar o fascínio da escrita. E foi assim que eu entendi aos poucos que aquele seria meu grande sonho dali pra frente. Lendo contos onde a máquina aparecia, onde escritores pedantes de Poe e Conan Doyle teclavam e teciam thrillers intrigantíssimos, que definiram meu gênero preferido de escrita. O da velha máquina de escrever, com o cachimbo na mão, as botas na mesa e a fumaça no ar, com um cadáver suspeito no lugar errado e na hora errada.

Não é apenas a máquina de escrever que é uma grande nostalgia da minha realidade. O relógio de pulso, acessório atualmente desnecessário (perdeu sua fundamental utilidade para os digitais e em seguida, para o celular), também muito me maravilha. As engrenagens, a pulseira no pulso, o tique taque chato, hehehe. O estilo vintage, o óculos antigo, de aro largo e grosso, as saias rodadas, as cinturas altas, a maquiagem pin-up, as calças rasgadas, as botas cano alto… Os braceletes, as pérolas, o glamour empoeirado, os discos de vinil, os antigos aparelhos de telefone, de câmeras fotográficas, de mirofone. Tudo tão cheio de tempo, tão fora do meu tempo, encontrado em seu início, e ainda assim, tão fascinante e eterno. O clássico nunca torna-se ultrapassado em sua essência, pois o clássico nada mais é que a melhor seleção da história, aquela que vale a pena emoldurar e ter pendurado na memória com um lugar especial.

A correria, os touch screens, os fones intrauriculares, as telas de LED e LCD, a conexão em tempo real, em alta velocidade, espaço digital ilimitado, o artificial, o tecnológico, o ponta de linha… Isto continua preso e atrelado ao que sempre queremos no nosso tempo. Mas ao meu ver, a realidade na medida é aquela apresentada na maioria das vezes em filmes pós-apocalípticos, onde a tecnologia é a maior alcançada, mas tudo o que resta são olascas do passado, os antigos objetos, misturados com os efeitos da sobrevivência, sem o luxo, sem o brilho. Só o glamour empoeirado.

They Don’t Miss The Beat.

Já não é de agora que tenho essa sensação.

Olho pro lado de fora dos trens, a noite passa rápida la fora. Os carros na rua, o asfalto molhado, o alaranjado dos postes desnudando um pouco da escuridão. Os elementos formam um quadro urbano solitário.

De dentro do trem, as pessoas distantes não ligam para nada além de seus destinos. A noite lá fora é só uma noite qualquer.

Mas para mim, que escuto algo como Killers, Strokes, KoL, ou qualquer ritmo mais ofegante, a noite está longe de ser algo qualquer.

Aquele quadro lá fora parece clamar por um autor. A lua as vezes brinca de aparecer entre as nuvens de garoa. O cheiro de ar fresco rasga os pulmões, transpirando inspiração…

E eu tenho essa sensação de que algo incrível ainda vai acontecer. Olhando pela janela, enquanto algumas gotas escorrem na horizontal, o peito se enche de alguma vontade mesclada de impotência.

O quadro está ali. Mas eu preciso chegar ao meu destino. Eu sou destoante na cena. Uma observadora do lado de fora. Eu sou a criança que debruça no parapeito e aproveita a brisa, sem poder sair e pisar na grama molhada para brincar.

E essa sensação não vai nunca embora. Porquê?

Sobre Almas e Metrô.

Quando eu era pequena, as vezes andava de metrô.

Eram trens antigos, que rangiam muito mais.

Eu olhava para a janela e imaginava, enquanto as coisas passavam rápido…

Que o cinza das paredes em movimento eram lápides de um cemitério, o branco das lâmpadas eram os fantasmas, as manchas pretas que passavam era os corvos e o rangido dos trilhos era o lamento das almas…

Acho que é até um pensamento legal pra uma criança de 6 anos. Hehe

Perfil

O professor deu um exercício bem interessante semana passada, para entregar hoje. Acabo de finálizá-lo, e achei tão legal que vou postar por aqui. Deve ter ficado uma droga, mas eu até gostei, hehe. Era bem simples: Os alunos teriam de fazer uma entrevista consigo mesmo. Como se montassem um perfil, mas como uma outra pessoa. Era possível inventar sua personalidade… Por exemplo, você podia escolher se entrevistar como astro do rock, presidente da república, super vilão… etc. Devo dizer que no meu caso, a influência do Douglas Adams foi quase discreta… hehe. Segue o exercício.

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Perfil – Marina Rocha Ciavatta Corrêa.

É conhecido que entre nós humanos, sempre houve a dúvida sobre existir ou não vida fora de nosso planeta. Olhamos para o céu e muitas vezes nos questionamos se afinal estamos ou não sozinhos. Tememos que um dia formas de vida alienígena venham até nós, e que sua missão não seja de paz. Porém, eu devo dizer que algo extraordinário aconteceu hoje. Todas as nossas dúvidas foram de uma vez saciadas com esta presença que hoje me acompanha: Marina Rocha. Eis que estou diante de um extraterrestre, que veio até nós, e nos concedeu uma entrevista exclusivíssima. Com muita simpatia e uma aparência muito similar a nossa própria, Marina declarou querer responder qualquer questão que possa estar nos causando curiosidade.

Repórter: Marina, de que planeta você veio?

Marina: Puxa, isso é uma pergunta um tanto abrangente. Veja, eu nunca tive uma nacionalidade, como vocês dizem. Lá em cima é bem grande, fácil de perder-se. E é isso o que faço lá, me perco sempre que posso. Já nem sequer lembro-me de onde vim, e não faço ideia de para onde vou.

R: Uau, isso é muito interessante. O quão grande é o espaço? Quero dizer, de uma visão terráquea.

M: Este planeta, comparado ao Universo é algo tão pequeno, tão ínfimo, que podemos vê-lo como uma vírgula numa multiplicação de logaritmos por razões de números infinitos. No ditado de vocês, está bem longe de ser uma agulha no palheiro. Vocês estão mais para… Um ácaro num campo de futebol.

R: Quantos anos você tem, Marina?

M: Responder a este tipo de pergunta é algo engraçado. O que vocês consideram como tempo aqui é um sistema muito relativo. O que diferencia um dia ou outro de uma galáxia que tenha mais de dois sóis e uma lua? Outros sistemas ainda mais complexos. Não sei calcular o quanto já vivi por dias e noites. É algo que deve ser calculado pela experiência de cada.

R: Certo… Então, se tudo é tão relativo, Marina seria seu verdadeiro nome?

M: Ah, claro que não (risos). Só o adquiri por que vocês aqui da Terra parecem julgar a pessoa desde sua aparência até o seu nome. Se eu viesse até aqui me apresentando como Sqw4l0w-t3rMin4tor, acho que eu não seria nada aceita. E provavelmente, nem sequer estaríamos tendo esta conversa. Mas nomes também são coisinhas bem inúteis, se você for pensar. O que te dá a individualidade não é um rótulo, e sim seu próprio conteúdo.

R: E como é viver no espaço, com tantas possibilidades e liberdade?

M: É o mesmo que viver aqui na Terra, eu creio. Sem as naves tecnológicas, a presença de oxigênio, luz e numa velocidade muito mais absurda. Mas as possibilidades e liberdade nunca mudam de um lugar para outro. O que muda tudo isto são as imposições que vocês parecem precisar para viver em paz no mesmo planeta. Se um cientista do que vocês chamam de NASA não tivesse de lidar com tantas normas, regras, impostos, burocracias e permissões, vocês provavelmente estariam com três frotas de naves de titânio pousando no solo de Anúvia 7, há duas galáxias e três quartos de cinturão daqui.

R: Você parece bem experiente em viagens desse gênero. Tem alguma que queira compartilhar conosco?

M: Acho que esta em especial. Aqui é tudo muito… Curioso e diferente.

R: O que quer dizer?

M: Bem, em todos os planetas habitados que já visitei, existiam duas ou três regras para todos, e um conhecimento amplo de muitas coisas além-estratosfera. Aqui, vocês parecem fechados em uma caixa de laboratório, em que vocês mesmos montam os labirintos, fecham caminhos e criam normas malucas. Olhar para o céu é bem mais que olhar para um monte de pontinhos brilhantes, e querer saber o que há lá em cima exige muito mais que alguns robozinhos com rodas. Mas parece que estão ocupados demais para de fato olharem para o céu.

R: Então você já esteve em outros planetas habitados. E todos são como você?

M: Ninguém nunca é como eu. Assim como eu nunca sou como ninguém. A menos é claro, que eu atravesse a barreira espaço tempo em dimensões, para dar um oi a mim mesma em algum ponto do presente ou do futuro. Mas isso geralmente causa muita confusão. Enfim, o que estou tentando dizer é que não existe uma única forma animada ou inanimada nessa imensidão que eu já tenha visto igual. Assim como eu e você.

R: E qual é o veículo que você usa para se locomover no espaço?

M: A velha pergunta não é? Que carro você tem, que roupa você usa, onde você mora… Certo, deixe-me ver. É uma nave básica, mas reajustada. Implantei recentemente um sistema de circuito temporal mais discreto, por isso o casco teve de ser reforçado com Ionita. Não é nada demais.

R: Eu não diria isso, parecem ser peças incríveis e muito difíceis de conseguir, não são?

M: Na verdade, não. Tudo nessa vida é possível de se conseguir. Seja uma promoção, achar uma moeda no asfalto, ou instalar um circuito temporal eficiente. Mas eu deveria saber que esta seria a reação quando eu falasse sobre minha nave.

R: E porquê?

M: Por que mesmo quando vocês humanos não fazem ideia do que se trata, se os rótulos forem complicados, vocês atribuem grande significância para a coisa.

R: Você está em alguma missão na Terra?

M: Na verdade, não sei dizer. Todos estão em algum tipo de missão. Até mesmo aqueles sem esperanças têm como missão o suicídio ou algo assim. Nenhum ser é inerte. Eu só estou de passagem, não pretendo ficar para qualquer tipo de experimento. Eu apenas estava admirando a paisagem, aproveitando do resto de beleza que este planeta ainda pode oferecer de natural.

R: E o que te levou a vir aqui dar uma entrevista?

M: Tédio. Veja bem, terráqueo, eu não sou um ser nobre que pretende salvar a vida de vocês ou destruí-los por algum motivo conspiratório, nem coisa parecida. Nenhum ser na verdade é tão nobre assim. Todos apenas vivem suas próprias missões, e isso as vezes impressiona um ou outro. Assim como pode parecer impressionante para você que eu dê uma entrevista.

R: Entendo. E tem algo que você queira deixar como mensagem para o nosso planeta?

M: Ah, bem, nada que já não saibam.

R: Como assim?

M: Vocês sabem que vão destruir a natureza. Sabem que vão acabar matando sua própria espécie. Sabem que essa busca maluca por dinheiro e poder é besteira. Sabem que tantas regras acabam enlouquecendo vocês. Sabem de tudo o que pode ser vital para a sobrevivência de vocês. O que não sabem, e que eu pudesse talvez falar, de nada vai adiantar.

R: E por quê não adiantaria?

M: Por que amanhã, estará em manchete, a Casa Branca vai desmentir a todos para não causar pânico, muitos estudiosos debaterão isso por anos e anos, alguns entrarão em paranoia. Talvez vocês até criem alguma religião sem sentido sobre isso. Mas a verdade é que nada vai mudar, e vocês vão continuar no mesmo passo.

R: Quando partir da Terra, o que fará?

M: Vou procurar algum lugar frio. Isto aqui está cada vez mais quente. Talvez eu vá jantar no Restaurante do Fim do Universo, ou jogar alguma coisa nos anéis de Lulapalik, há setenta e nove anos luz por hectare ao quadrado daqui. Vou continuar vivendo em função de minha própria missão. Seja ela de paz ou não.

Repórter: Então desde já eu lhe agradeço pela entrevista, Marina. E tenha uma boa viagem de volta.

Marina: Eu até teria. Uma pena que o seu governo confiscou minha nave e anda causando muitos problemas no casco dela, com essas tais bombas atômicas. Eu não queria causar tanto rebuliço por ser diferente. Mas quando essas coisas acontecem, o que tem de se fazer é sacar o laser subeta-atômico e apontar para a cabeça do líder de vocês com a ameaça de disparar uma guerra mundial. Bem, tenho de ir, tenho uma nave a recuperar e o resto do universo para explorar. Passar bem.