Eduardo e Mônica

Entre o frio e o quente, o preto e o branco, o gótico e o hippie, o sim e o não, a razão e o sentimento, o amor e o ódio, as diferenças andam juntas em pé de igualdade  e moldam tudo que de mais belo e sólido existe nesse mundo. Como o Ying e o Yang se completam, foram dos opostos os conjuntos perfeitos, vemos nas nossas vidas os contrastes funcionarem de maneiras explêndidas. O sol tocando a neve numa manhã de inverno, a chuva no fim de um dia quente de verão, o resultado das tintas se tocando na tela, o encontro do cume de uma montanha com as nuvens do céu… O olhar de um casal numa praia vazia, num dia nublado. Lados contrários de uma mesma moeda que se refletem. Pólos contrários dos ímas que na verdade, se atraem com uma força inimaginável. Tudo para dar certo numa equação improvável e que, exatamente por isso, acaba se resolvendo com uma perfeição impensada. Duas mãos juntas, um abraço, a uníão dos lábios. O feminino e o masculino se contrapondo no nascer do sol em uma cidade cinzenta, mas que esconde amor de vez em quando, nas casas fechadas e distantes de casais que se encontraram nas diferenças e se completaram. Não mais deixarão de se amar. O Ying e o Yang nunca se desatam. A harmonia de estarem conectados traz o “para sempre” dos contos de fadas para uma realidade pouco fantástica. Mas nem por isso, menos perfeita.

PERFEITO COMO DEVE SER.

Quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?

Eduardo abriu os olhos, mas não quis se levantar
Ficou deitado e viu que horas eram
Enquanto Mônica tomava um conhaque
No outro canto da cidade, como eles disseram

Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer
E conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer
Um carinha do cursinho do Eduardo que disse
“Tem uma festa legal, e a gente quer se divertir”

Festa estranha, com gente esquisita
“Eu não tô legal”, não agüento mais birita”
E a Mônica riu, e quis saber um pouco mais
Sobre o boyzinho que tentava impressionar
E o Eduardo, meio tonto, só pensava em ir pra casa
“É quase duas, eu vou me ferrar”

Eduardo e Mônica trocaram telefone
Depois telefonaram e decidiram se encontrar
O Eduardo sugeriu uma lanchonete
Mas a Mônica queria ver o filme do Godard

Se encontraram então no parque da cidade
A Mônica de moto e o Eduardo de “camelo”
O Eduardo achou estranho, e melhor não comentar
Mas a menina tinha tinta no cabelo

Eduardo e Mônica eram nada parecidos
Ela era de Leão e ele tinha dezesseis
Ela fazia Medicina e falava alemão
E ele ainda nas aulinhas de inglês

Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus
Van Gogh e dos Mutantes, de Caetano e de Rimbaud
E o Eduardo gostava de novela
E jogava futebol-de-botão com seu avô

Ela falava coisas sobre o Planalto Central
Também magia e meditação
E o Eduardo ainda tava no esquema
Escola, cinema, clube, televisão

E mesmo com tudo diferente, veio mesmo, de repente
Uma vontade de se ver
E os dois se encontravam todo dia
E a vontade crescia, como tinha de ser

Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia
Teatro, artesanato, e foram viajar
A Mônica explicava pro Eduardo
Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar

Ele aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer
E decidiu trabalhar (não!)
E ela se formou no mesmo mês
Que ele passou no vestibular

E os dois comemoraram juntos
E também brigaram juntos, muitas vezes depois
E todo mundo diz que ele completa ela
E vice-versa, que nem feijão com arroz

Construíram uma casa há uns dois anos atrás
Mais ou menos quando os gêmeos vieram
Batalharam grana, seguraram legal
A barra mais pesada que tiveram

Eduardo e Mônica voltaram pra Brasília
E a nossa amizade dá saudade no verão
Só que nessas férias, não vão viajar
Porque o filhinho do Eduardo tá de recuperação

E quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?

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Perfeito como deveria ser <3

Tudo parece esta perfeitamente certo, sem problemas terríveis sem solução. Tudo parece estar devidamente no seu lugar, caminhando para um futuro melhor, vivendo cada bons momentos com uma paz interna que me faz sorrir cada dia que se inicia. Tudo parece um sonho, eterno. Cada sorriso, cada olhar eu sinto que vale muito apena.
E quando sinto seu toque, sua mão apertando a minha, meu ombro servindo de descanso e descabelando ela, meu coração dispara por um momento e eu fecho os olhos quase nem acreditando em tudo isso.
Então a vejo correndo em minha direção com um sorriso cheio de saudades, pula em meus braços e me beija como se fosse a primeira vez todas as vezes. Todo esforço vale apena, nem o frio intenso me faz arrepender de ter que esperar esse momento.
Eu vou encarar tudo. Eu vou superar qualquer obstáculo. Desde que seja pra ficar com ela, eu sei que vai valer a pena.

Por Robson Degan. Meu Dick Grayson.