One, Two, Tragicomic Is Coming For You.

Este fim de semana foi dia de minha primeira experiência com Krueger. Não em pesadelos, rs. Mas sim em questão cinematográfica. Assisti Nightmare On Elm Street, ou mais conhecido como Hora do Pesadelo junto com o Dick (my boyfriend). Não, este não é o original, é o segundo filme, o remake que saiu em 2010, dirigido pelo Samuel Bayer. E sim, como eu havia dito, assisti pela primeira vez, nunca vi o primeiro. Eu já era um pouco familiarizada com o querido e amado Freddy, mas nunca o havia visto em ação, e devo dizer meus amigos, que eficientes pares de garras que aquele rapaizinho tem, rs.

 O filme todo tem uma interpretação péssima por parte de todos os atores, exceto pelo nosso excelentíssimo assassino e os dois freaks, Nancy e Quentin (Tarantino? nah! rs). O humor tenebroso de Freddy chegava a me fazer gargalhar por dentro em suas aparições aos personagens. Efeitos muito bem feitos, e mesmo assim, poucos, o que acresceu a qualidade do filme. Descarte os que morreram, sua interpretação chegava a ser tão nojentinha que mereceram ter o fim do filme, rs.

 Mas o filme em si, em algumas cenas chegava a me remeter uma lembrança de infância. Calma! Não matei ninguém em seus pesadelos por vingança de meus crimes. E mesmo que o tivesse feito, nunca diria em meu blog, certo? (será?) rs… Mas a lembrança a qual me refiro retrocede alguns anos, na pré-adolescência, quando eu ainda fazia meu curso de inglês. Era Halloween, e toda o lugar estava arrumado com salas temáticas. A minha era sobre filmes de terror. Vi capas escuras, de capuz, largadas em um canto e me encantei. Logo me encarregaram do que eu viria a me lembrar. As capas eram para algumas crianças usarem candando a cantiga de Freddy Krueger, de mãos dadas, nada do corpo além da capa a mostra, enquanto os convidados eram conduzidos no escuro pela sala cheia de efeitos. Aquilo foi uma diversão absurda para mim. Eu me dava ao luxo de as vezes olhar bruscamente em direção de alguém e levantar só um pouco a cabeça, sorrindo à meia luz. Aquilo devia ser incrivelmente macabro e engraçado!! rs.

Voltando ainda mais no passado, quando eu ainda era criança de terceira série, houve algo parecido em minha escolinha. Havia uma sala com temática de susto. As luzes eram apagadas e nós éramos conduzidos pra dentro da sala, com sons de monstros, batidas fortes e repentinas, e muito saíam chorando. Eu entrava e saía daquela sala sem parar, pra tomar os sustos. E saía rindo. Em uma das vezes, decidi que eu queria era assustar, então, quando alguém pegou meu pé por debaixo de uma mesa no escuro, me abaixei e entrei para baixo dela também. O aluno mais velho que se assustou, mas eu expliquei que queria ajudar e ali eu fiquei. Passei o dia todo puxando os pés de crianças e gritando assustadoramente, esperando que alguém saísse correndo morrendo de medo. Diversão pura!

Ainda criança, eu gostava de assustar meus primos. Passávamos muitas férias em uma casa de campo da família, e eu sempre fui muito criativa e espoleta. E perturbada, claro, creio que isso já deu para perceber. Muitas vezes, quando escurecia, eu ficava procurando por morcegos nas árvores, olhando pra cima, querendo me embrenhar em trilhas. Uma vez, fiz todos os meus primos, tão crianças quanto eu, acreditarem que eu era algo como um lobisomem, e que quando anoitecia, eu ficava insana e poderia virar um animal selvagem. E eles acreditavam, porquê eu olhava pra lua obcecada e sumia por horas no quintal. Quando na verdade eu só estava procurando morcegos, hehe. As vezes eu uivava alto, só pra alguém ficar com medo, escondida no escuro. rs…

Um pouco mais velha, já por volta da quinta série, eu cuidava de algumas crianças menores no período integral. As vezes, a professora nos levava pra uma sala fechada, quando eu pedia. Eu apagava as luzes e acendia uma lanterna no meu rosto. Por horas, eu contava histórias de terror para os menores, enquanto a professora corrigia provas ou lia alguma coisa. As vezes ela também prestava atenção, para depois ameaçar as crianças com algum elemento dos meus terrores fantasiosos, caso fossem desobedientes. As vezes eu piscava a lanterna pela sala. As vezes deixava tudo escuro e acendia derepente, gritando e assustando os pequenos. Era uma diversão imensa para mim. Hehe!

Quando eu escutava algo assustador sobre a vida real, sobre mortes, acidentes, tragédias ou monstros que poderiam me arrastar enquanto eu dormia ou me distraía, eu tentava distrair a mente com algo que me divertisse. Eu tinha medo de caveiras. Ossos humanos. Isso por quê uma vez, acabei encontrando um enterrado na praia, vítima de traficantes. Aquilo me perturbou muito. Mas eu descobri um jeito rápido de desviar o medo: o humor. Bastava deixar o que era assustador, divertido. Então, quando eu lembrava do esqueleto, eu o imaginava dançando. Eu o imaginava como Tim Burton fazia: Cantando, se remexendo, rindo e fazendo outras coisas ainda tenebrosas, mas que me entretiam em minha cabeça (aliás, quando criança eu gostava de muitos filmes do Tim Burton, mas só depois de muito tempo descobri que ele era o autor das obras). Imaginava a Ivete Sangalo na micareta. Mas só o esqueleto dela. Não sei porquê, mas eu sempre achei ela um pouco de motivo pra piada, desde criança. Eu também imaginava a Xuxa da mesma forma. Nunca fui muito com a cara dela, rs…

 No fim das contas, acabei voltando minha atenção para o filme, enquanto Freddy ia contando suas vítimas, arranhando as garras nas paredes, aparecendo em silhuetas portas afora na noite. Com um final que poderia ser um pouco mais interessante, a Hora do Pesadelo entrará em meu rank de filmes que pretendo colecionar, e um novo em minha lista de terrores (por incrível que possa parecer, eu não era muito fã desse gênero. Agora eu sou, claro, rs). Depois que superei o medo dos esqueletos, parei de enxergar olhos vermelhos no vão das portas e temer lobos bestiais desossando pessoas quando as luzes se apagavam (mas eu ainda tenho medo de agulha!), minha mente transformou o medo em humor e eu acabei me tornando fã das risadas sinistras, e dos monstros da noite. Acabei me tornando, como Dick definiu-me perfeitamente uma vez…

TragiCômica.

Eu já tive pesadelos repetidos. Você não?

One, Two, Freddy Is Coming For You

Three, Four, Better Lock Your Door

Five, Six, Grab a Crucifix

Seven, Eight, Better Stay Up Late

Nine, Ten, Never Sleep Again!

 pra quem curtiu as caveirinhas dançantes, eis aqui um link [english required] do bom pra dançar com os mortos: http://sweetskulls.blogspot.com/2008/07/musical-dead.html

Anúncios

Vintage: Glamour With Dust

Eu deixaria essa nostalgia passar em paz se não fosse o sonho que tive noite passada… E claro, minha ausência característica do blog, hehehe.

Noite passada sonhei que embracava em um tipo qualquer de viagem com meu querido Dick, e no meu trajeto, eu estava me preocupada com meus pertences essenciais, que hoje em dia acabaram tornando-se masi tecnológicos que o que eu realmente esperava. Uma câmera semi-profissional, um notebook com wi-fi, um ipod classic, meu celular, o videogame… enfim. Estes pequenos pertences com custos elevados e que em meus atuais estudos e vida eu já não posso me dar o luxo de deixá-los para trás.

Mas havia sonhado com uma máquina de escrever. Daquelas antigas, mas ainda portáteis, uma capa plástica turquesa velha, uma maleta pra empacotar e levar embora consigo. E eu de fato usava a velha máquina. Isto vem da minha constante vontade de adquirir uma belezinha destas. Sim, uma máquina de escrever. Daquelas de precisar bater forte na tecla, colocar papel, tirar papel.

Ainda lembro da primeira vez que tive contato com uma destas, que me fascinou no primeiro apertar de botão. Foi na gráfica de meus tios, quando o computador ainda não tinha se instaçado tão rigorosamente. Aquela velha máquina era usada para digitar documentos e memorandos para a pequena empresa. Mas no tempo sem uso, deixavam-me brincar de escrever forte no papel e tocar aquele antigo sininho indicando que eu devia empurrá-la para continuar o fascínio da escrita. E foi assim que eu entendi aos poucos que aquele seria meu grande sonho dali pra frente. Lendo contos onde a máquina aparecia, onde escritores pedantes de Poe e Conan Doyle teclavam e teciam thrillers intrigantíssimos, que definiram meu gênero preferido de escrita. O da velha máquina de escrever, com o cachimbo na mão, as botas na mesa e a fumaça no ar, com um cadáver suspeito no lugar errado e na hora errada.

Não é apenas a máquina de escrever que é uma grande nostalgia da minha realidade. O relógio de pulso, acessório atualmente desnecessário (perdeu sua fundamental utilidade para os digitais e em seguida, para o celular), também muito me maravilha. As engrenagens, a pulseira no pulso, o tique taque chato, hehehe. O estilo vintage, o óculos antigo, de aro largo e grosso, as saias rodadas, as cinturas altas, a maquiagem pin-up, as calças rasgadas, as botas cano alto… Os braceletes, as pérolas, o glamour empoeirado, os discos de vinil, os antigos aparelhos de telefone, de câmeras fotográficas, de mirofone. Tudo tão cheio de tempo, tão fora do meu tempo, encontrado em seu início, e ainda assim, tão fascinante e eterno. O clássico nunca torna-se ultrapassado em sua essência, pois o clássico nada mais é que a melhor seleção da história, aquela que vale a pena emoldurar e ter pendurado na memória com um lugar especial.

A correria, os touch screens, os fones intrauriculares, as telas de LED e LCD, a conexão em tempo real, em alta velocidade, espaço digital ilimitado, o artificial, o tecnológico, o ponta de linha… Isto continua preso e atrelado ao que sempre queremos no nosso tempo. Mas ao meu ver, a realidade na medida é aquela apresentada na maioria das vezes em filmes pós-apocalípticos, onde a tecnologia é a maior alcançada, mas tudo o que resta são olascas do passado, os antigos objetos, misturados com os efeitos da sobrevivência, sem o luxo, sem o brilho. Só o glamour empoeirado.