They Don’t Miss The Beat.

Já não é de agora que tenho essa sensação.

Olho pro lado de fora dos trens, a noite passa rápida la fora. Os carros na rua, o asfalto molhado, o alaranjado dos postes desnudando um pouco da escuridão. Os elementos formam um quadro urbano solitário.

De dentro do trem, as pessoas distantes não ligam para nada além de seus destinos. A noite lá fora é só uma noite qualquer.

Mas para mim, que escuto algo como Killers, Strokes, KoL, ou qualquer ritmo mais ofegante, a noite está longe de ser algo qualquer.

Aquele quadro lá fora parece clamar por um autor. A lua as vezes brinca de aparecer entre as nuvens de garoa. O cheiro de ar fresco rasga os pulmões, transpirando inspiração…

E eu tenho essa sensação de que algo incrível ainda vai acontecer. Olhando pela janela, enquanto algumas gotas escorrem na horizontal, o peito se enche de alguma vontade mesclada de impotência.

O quadro está ali. Mas eu preciso chegar ao meu destino. Eu sou destoante na cena. Uma observadora do lado de fora. Eu sou a criança que debruça no parapeito e aproveita a brisa, sem poder sair e pisar na grama molhada para brincar.

E essa sensação não vai nunca embora. Porquê?

Uma resposta para “They Don’t Miss The Beat.

  1. você mesma cria seu mundo e cada um tem o seu particular, ou não.

    a maior ironia é que talvez somos nós os quadros pintado por outros pendurados numa vitrine escura da cidade, isso explicaria a falta de inércia.

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