Eu Sou OZZY!

Pessoalmente, nunca fui de prestar muita atenção na vida de ninguém. Nunca sequer fui fanática a ponto de saber da vida das celebridades que gosto (claro, sendo John Lennon minha quase exclusiva exceção).

Na semana que passei junto a meu namorado em viagem, ele levou um exemplar do livro autobiográfico de Ozzy Osbourne. O que não me despertou um mínimo de interesse sequer, pois além de eu ter pouco interesse em fatos da vida de outros, nunca fui nem um décimo de mim fã de Heavy Metal, o estilo predominante do dito astro do rock. Mas as vezes, enquanto ele lia na rede, ria tão alto que eu tinha de pedir que ele lesse algumas partes pra mim. E enquanto ele lia, eu desacreditava no que escutava. Pensei… “Nah, não pode ser tão bom assim”. E então, tive de pedir o livro emprestado pra eu mesma conferir. E devo confessar a vocês: É de longe uma das melhores coisas que já li!!

O livro discorre a experiência de vida de um dos maiores astros do rock, considerado pai do Heavy Metal, escrito por seu próprio punho e lembrança, o senhor John Osbourne. O mundialmente conhecido… Ozzy Osbourne.

De um modo hilário e muito bem preenchido com palavrões e drogas, o rockstar decorre sua vida desde a sarjeta onde vivia passando fome em sua cidade natal, até sua estada no Black Sabbath, sua ascensão ao mundo brilhante do Rock’n’Roll e então, seu engajamento numa carreira solo de sucesso. Fala de suas experiências, casos, maluquices, shows, companheiros, Zappa, Lennon, Led Zeppelin, Yes, e milhões de outras coisas incríveis que qualquer fã do rock ficaria louco de saber. E mais! Até mesmo aqueles que não tem tanta afinidade com o mundo do rock gostariam de ler sobre as artimanhas de Ozzy, garanto!

O livro foi publicado pela editora Benvirá, com 416 páginas e custa em média de 30 reais.

Para comprovação, seguem alguns trechos da genialidade da obra:

Contra-capa:

Meu pai sempre disse que eu iria fazer algo importante algum dia.

“Sinto isso, John Osbourne”, ele me dizia, depois de algumas cervejas. “Ou você vai fazer algo muito especial, ou vai acabar na cadeia”.

E ele estava certo, meu velho pai.

Fui parar na cadeia antes de completar dezoito anos.

(Retirado do Site Oficial.)

Primeiras páginas:

Diziam que eu nunca escreveria um livro.

Pois que se fodam, aqui está ele.

Sinopse:

Ozzy Osbourne é um dos nomes mais importantes no rock. Ao formar a banda Black Sabbath, ele ajudou a moldar um estilo que, anos mais tarde, se tornaria conhecido no mundo todo e adorado por milhares de fãs. Além do impacto musical, sua personalidade carismática e desvairada foi responsável por sua popularidade. Nos anos loucos em que esteve à frente do Sabbath, Ozzy protagonizou episódios de exageros com drogas, os quais resultaram em sua saída do grupo. Iniciou uma carreira solo bem-sucedida, também permeada pelos excessos. Após a morte trágica do guitarrista de sua banda e grande amigo Randy Rhoads em um acidente de avião, Ozzy diminuiu o ritmo e a intensidade de seu comportamento, mas nunca o talento. Lançou discos excelentes que se tornaram clássicos e voltou a se reunir em algumas turnês com a antiga formação do Black Sabbath. Formou uma família tão feliz quanto insólita, o que lhes rendeu o convite para protagonizarem um reality show na MTV, “The Osbournes”. Nesta autobiografia, o “madman” conta em detalhes e com muito humor sua trajetória de sucesso, escândalos, amor e muito rock ‘n’ roll.
(retirado de LOVE ROCK LIVE)
Alguns trechos hilários do livro:

Você tem uma perspectiva diferente em relação à carne depois de trabalhar num abatedouro por algum tempo. Lembro de ter ido a um acampamento e estava fazendo um churrasco. Algumas vacas da fazenda ao lado vieram até ali perto, cheirando, como se soubessem que algo estava errado. Comecei a me sentir estranho. “Tenho certeza de que não era nenhuma vaca que vocês conheciam”, falei, mas elas não foram embora. Arruinaram a porra do meu churrasco. Não parece certo comer carne quando se está na companhia de uma vaca.

(Ainda adolescente, quando trabalhava num açougue)

*

Fui a uma degustação de vinhos, em Birmingham. Era um mercado de comida ou algo assim, na época do Natal. Pensei: Puta merda, uma degustação de vinhos, isso parece algo que um adulto civilizado faria. Na manhã seguinte, Thelma me perguntou: “O que você comprou?”. Eu respondi: “Oh, nada”. E ela continuou: “Mesmo? Deve ter comprado algo”. E eu disse: “Ah, bem, sim –acho que comprei algumas caixas”.

Acontece que eu havia comprado 144 caixas.

Fiquei tão bêbado que achava que estava comprando 144 garrafas.

Aí um caminhão de entregas do tamanho do petroleiro Exxon Valdez parou em frente a Bulrush Cottage e começaram a descarregar caixas de vinho suficientes para encher a casa até o teto. Demorou meses para que eu e os roadies terminássemos com aquilo.

(Nos anos 70, ainda casado com Thelma)

*

Eu me apaixonei loucamente por Sharon. O que acontece é que, antes de conhecê-la, nunca tinha encontrado uma garota que fosse como eu. Quero dizer, quando saíamos as pessoas achavam que éramos irmãos, de tão parecidos. Onde fôssemos, sempre éramos os que estavam mais bêbados e os que falavam mais alto.

(Declarando seu amor por Sharon)

*

Eu me levantei, andei pela sala, sentei-me no braço da cadeira da garota de RP e tirei uma pomba do meu bolso.

— Ah, que linda –ela falou, dando outro sorriso falso. E olhou de novo para seu relógio.

É isso, pensei. Abri minha boca o máximo possível.

Do outro lado da sala, vi Sharon estremecer.

Aí comecei: chomp, spit.

A cabeça da pomba caiu no colo da garota, salpicando sangue. Para ser honesto com vocês, eu estava tão bêbado que tinha gosto de Cointreau. Bom, Cointreau e penas. E um pouco de bico. Aí joguei a carcaça na mesa e olhei enquanto se mexia.

(Arrancando a cabeça de uma pomba numa reunião da gravadora)

*

A coisa mais engraçada do Mötley Crüe era que eles se vestiam como garotas, mas viviam como animais. Foi um aprendizado, até para mim. Aonde iam, carregavam uma mala gigante cheia de todo tipo de bebida imaginável. Assim que terminava o show, abriam a mala e as portas do inferno.

Toda noite, garrafas voavam, facas eram mostradas, cadeiras estraçalhadas, narizes quebrados, propriedades destruídas. Era como se o hospício e o pandemônio se juntassem, multiplicados pelo caos.

(Nos anos 80, em turnê com o Mötley Crüe)

(Retirado do site da Folha Online)

 O trecho mais hilário do livro, na minha opinião:

Estava a ponto de sair de casa quando ouvi Thelma descendo as escadas. Ela entrou na cozinha e disse: “Vou até a casa da minha mãe pegar as crianças”. Fiquei olhando enquanto ela pegava uma pilha de revistas Good Housekeeping da mesa e a locava numa bolsa. Aí, parou e olhou para mim, parado ali, ao lado da geladeira, de cueca e roupão, cigarro na boca.

– Você alimentou as galinhas? – perguntou.

– Eu falei, elas estão com defeito.

– Vá alimentá-las, John, pelo amor de Deus. Ou, sabe o quê? Deixe que elas morram, não me importo mais.

– Vou até o pub.

– Usando o roupão felpudo que ganhou de Natal?

– É.

– Classe, John. Você tem muita classe.

– Você viu meus chinelos?

– Procure na caminha do cachorro. Volto às oito.

O que me lembro em seguida é de sair da casa com minhas botas – não consegui encontrar meus chinelos – e ir na direção do pub. Enquanto andava, tentava amarrar o cordão do meu roupão. Não queria ficar me mostrando como um louco para os fazendeiros; principalmente, não queria me mostrar para o travesti barbudo do final da rua.

Quando cheguei ao portão no fim da entrada, repentinamente mudei de ideia. “Sabe o quê?”, disse para mim mesmo. “Vou alimentar aquelas galinhas. Se isso a deixar feliz, vou fazer.” Virei-me e comecei a andar na direção da casa. Mas fiquei com sede, então fui até onde o Range Rover estava estacionado, e abri a porta e o porta-luvas, onde guardava minha garrafa de uísque de emergência.

Um trago. Ahhhh. Muito melhor! Burp.

Continuei pelo jardim… Mas aí mudei de ideia de novo. *****-se as galinhas, pensei. Nenhuma dessas *******s botou um ovo para mim! *****-se! *****-se todas elas.

Um trago. Ahhhh. Burp. Acendi outro cigarro.

Aí me lembrei que não tinha terminado aquele cigarro que já estava na minha boca, então o apaguei na horta de Thelma. Mudei de direção novamente, dessa vez indo para casa.

Abri a porta e fiquei ali, olhando para a minha Benelli semiautomática. Peguei-a, abri para ver se estava carregada – estava –, aí enchi os bolsos do meu roupão de balas. Em seguida alcancei no alto da estante a lata de gasolina que o jardineiro guardava para usar no cortador de grama – aquele que eu costumava dirigir até o pub para fazer piada (o escritório de Patrick Meehan tinha me mandado, apesar de eu ter pedido uma colheitadeira).

Então, com a lata numa mão, a arma na outra e o uísque embaixo do braço – ainda fumando meu cigarro – , saí no jardim em direção ao galinheiro. O sol estava se pondo e o céu tinha ficado todo vermelho e laranja. Na minha cabeça, a única coisa que ouvia era Thelma pedindo: “John, alimente as galinhas. John, já alimentou as galinhas?”

Aí, nosso contador falando: “Caras, isso é sério. É um imposto de um milhão de dólares da Receita Federal americana.”

E Geezer falando: “Vamos chamar o disco de Technical Ecstasy. Precisamos de novos direcionamentos. Não podemos ficar usando essa ***** de magia negra para sempre”.

Não paravam.

Nunca.

“John, alimente as galinhas.”

“Caras, isso é sério.”

“Vamos chamar de Technical Ecstasy.”

“John, você alimentou as galinhas?”

“Um imposto de um milhão de dólares.”

“John, alimente as galinhas!”

“Precisamos de uma nova direção.”

“Isso é sério.”

“Não podemos continuar com essa ***** de magia negra para sempre.”

AAAAAAAAAARRRRRRRRRRGGGGGGGGGGHHHHHHHHHH!

Quando cheguei ao galinheiro, coloquei a lata e a arma no chão, tirei o cartaz de “Oflag 14” e olhei dentro. As galinhas cacarejavam e deram umas bicadas.

– Alguma de vocês botou ovo? – perguntei, como se não soubesse a resposta a essa ***** de pergunta. – Era o que eu pensava – falei, ficando em pé. – Uma pena.

Aí, peguei a arma.

Tirei a trava.

Mirei.

Cluck-cluck.

Bang-bang!

Mirei.

Squawk!

Squwaaawwwwwwwwwwkkkkkkkkkk!!!!!

BANG!

O som da arma era terrivelmente ensurdecedor, e ecoava pelo campo. Parecia que se podia ouvir a milhas de distância. E, a cada tiro, uma luz branca iluminava o galinheiro e o jardim ao redor, seguida por um cheiro forte de pólvora. Eu estava me sentindo melhor.

Muito melhor.

Um trago. Ahhh. Burp.

As galinhas – as que ainda não tinham ido para o céu – estavam loucas.

Esperei um momento, para que a fumaça baixasse.

Mirei.

Cluck-cluck.

Bang-bang!

Mirei.

Squawk!

Bang-bang.

Mirei.

Squaaawwwwwwwwwwkkkkkkkkkk!!!!!

BANG!

Quando terminei, o lugar estava cheio de sangue, penas e pedaços de bicos. Parecia que alguém tinha jogado um balde de restos de galinha em mim e depois esvaziado um travesseiro em cima da minha cabeça. Meu roupão estava arruinado. Mas eu me sentia fabuloso – como se alguém tivesse tirado um peso de três toneladas das minhas costas. Coloquei a arma no chão, peguei a lata de gasolina e comecei a esvaziá-la sobre o que tinha sobrado das galinhas. Acendi outro cigarro, dei uma longa tragada, me afastei e aí botei fogo no galinheiro.

(Retirado do site da Veja)

Para quem gostou, adquira o livro, ou peça emprestado e divirta-se no mundo do madman do Heavy Metal.

Depois dessa belezura, eu até deixei de ser chata e baizei alguns dos álbuns citados no livro, e simplesmente não consigo parar de escutá-los. É como se eu pudesse arrancar a cabeça de um morcego!!

2 Respostas para “Eu Sou OZZY!

  1. Os primeiros álbuns do Sabbath e o mais recente dele, Scream, são ótimos, mas…

    Black Sabbath – Vol. 4 e Sabbath Bloody Sabath
    e os álbuns BARK AT THE MOON e NO MORE TEARS do Ozzy são mais fantásticos ainda!!

    Gotta listen ;D

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s