I don’t belong here, and you know that.

Fases são coisinhas engraçadas mesmo, estive pensando.

Não engraçadas do tipo hilárias, mas hilárias do tipo bizarras e espertas, que podem deixar coisas engraçadas no seu rastro, e em você.

As coisas na vida acontecem, sabe? As desgraças e tudo o mais, como já dizia aquele velho sábio, o gordinho. Buda, se não me engano. Hehe.

E quando você é mais novo, você sempre anda ansioso por ser mais velho e viver coisas melhores.

Mas a gente percebe quando cresce que quer ser criança pra sempre, e foi uma puta estupidez a Wendy não ter ficado na Terra do Nunca e escolhido crescer. Criança ingênua.

Minha infância deixa saudade. Teve desgraças, sempre tem. Aquele braço quebrado, aquele menino que arrasou seu coração pela primeira vez, as primeiras travessuras com pólvora… A separação dos pais, as brigas e tudo o mais. Mas tem suas horas de ouro. Os riachos, as gargalhadas, os pique-pegas, luta de espadas samurai de bambu em cima do estrado da cama, joguinhos de computador, programas velhos de televisão, desenhos animados, vontades de ser superespião e cantora internacional.

Passou.

Como aquele vento que passa pelo cabelo numa tarde bonita, em que aproveita ansiosa pelo pôd do sol, e quando anoitece, a coisa meio que perde o sentido aos poucos, até esperar o sol voltar na manhã seguinte. Passou.

Cada fase tem sua importância. Cada passo leva um pouco mais pra frente. As vezes leva pro lado, as vezes leva pra trás, mas sempre te tira do lugar, remove a poeira, estimula os músculos do corpo e o faz pensar em pra onde o novo passo deve te levar.

Como a Wendy, ando ansiosa por crescer. Sei o quanto fui tola em deixar a infância cheia de vontade de virar adolescente. E então, uma “jovem adulta”. E logo mais, adulta de verdade, de acordo com a lei, o tempo humano e todos esses protocolos idiotas. Mas eu sei que a aventura está lá fora. Em algum lugar.

E quando eu perceber… Ela vai ter passado.

E eu vou estar de novo esperando o sol aparecer. Num novo dia e numa nova fase.

Dá medo, né?

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Uma resposta para “I don’t belong here, and you know that.

  1. Isso todos nós passamos, alguns percebem mais que os outros, que só continuam se afundando e se esquecendo de viver suas fases e suas vidas, seguinte o fluxo dessa chamada sociedade…

    Outros percebem mais, aproveitam mais, aprendem e vivem mais, sempre desejando viver ainda mais proveitosamente, não de acordo com regras pré-estabelecidas e um chamado bom senso… Mas de acordo com suas próprias mentes libertadas, desejando ainda mais liberdade, mais estranheza e diferenciação: Mais vida de verdade.

    E é isso que eu adoro.

    Excelent text, as usual from you, my muse. =]

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