Da noite pro dia.

Sem retrospectivas. Sem memórias rebuscadas. Sem complexidades. Por enquanto, talvez.

Tentei de todo modo descrever esse ano, como vi tantos outros fazerem, mas não é algo que consigo fazer tão facilmente.

Foi incrível, foi indescritível, e por isso, dispensa quaisquer descrições, qualquer tentativa de passar pro monitor sentimentos intransponíveis, acontecimentos extraordinários e situações inimagináveis.

Desisti então de qualquer pensamento que exigisse demais de meu bem-estar mental e físico, e deixei-me levar pelas cenas que me arrastavam na vida.

Fui passar a virada do ano com meus tios e primos, o que foi extremamente agradável e compensador.

Tínhamos Vox online conosco, depois de um bem feito churrasco, já na sala, assitindo ao DVD do 360º do U2. Ela aprontava-se para uma festa lá no outro continente, enquanto aqui no nosso, já contávamos os minutos para a virada da noite. E foi então que meu tio disse: É nessas horas que você percebe a asneira que é contar as coisas pelo tempo, pelas horas. Nós aqui já começando a escutar os fogos e você, Vox, só vai comemorar a mesma coisa daqui a três horas.

Bateu a meia noite, tomei os primos no embalo, e fomos ao telhado, para ver o espetáculo de fogos. Ficamos todos ali: eu, lubs, Harry, Petit, Sunshine, Pete e Rub, deslumbrados com aquele céu cintilante e multicolorido de um espetáculo que rompia de todos os arredores. O motivo é tolo, e todos sabemos, mas temos de admitir que a diversão pelo fogaréu é excitante. Um a um, foram descendo do telhado, deixando-me a sós com lubs. Ouvíamos Beatles e Marley em meu celular, olhando os resquícios dos raios vermelhos, verdes e amarelados cruzarem alguns pontos distantes no céu.

Ela então desceu dali e eu fiquei sozinha, deitada, olhando as nuvens se moverem pela noite, acompanhada de Joplin, Pink Floyd e Zeppelin. Tentei organizar os pensamentos mais uma vez junto aos acontecimentos do meu ano… mas tudo o que eu conseguia ter em mente eram as nuvens em movimento e a melodia de Let The Sun Shine – 5th Dimension tomando meus ouvidos. Percebi então que eu havia mudado incrivelmente aquele ano. Não só de aparência, mas de pensamento, comportamento… de coração.

Fiquei maior, mais ciente, um tanto menos tolerante, um tanto mais mente aberta, muito mais rebelde, largamente crítica, até mais depressiva, mas também, mais espontânea e leve. Mudei opiniões, voltei-as, moldei-as, mudei outra vez, cultivei sentimentos maiores, alegrias impensáveis, tristezas também. Tive em mim o extremo de tudo o que nunca imaginei poder ter, e um tanto mais, e muito menos…

Lembro de que li que medir mudanças por tempo de anos é ridículo, é só uma idiota medição de tempo que alguém decidiu estabelece. Pois mudei muito mais no decorrer dos meses que numa virada de noite qualquer, dum tal de dia 31 pro dia 01 de 2011.

Foi então que levei uma bolada na testa. Harry subiu no telhado atrás da bola de vôlei, rindo de mim. Sentou do meu lado, e ficou ali me escutando cantar as melodias que vinham sem fim, as vezes batucando no ritmo pra acompanhar.

– Você é meu anti-social preferido, sabe? – E eu dei risada.

Ele fez algo como uma careta, soltou um “Oown” e continuou batucando e me mandando mudar de músicas.

– Vamos andar de bicicleta? – Ele sugeriu, e eu, nada boba, levantei rápida e descemos dali.

Passamos a próxima hora da madrigada, eu, lubs e Harry rodando pelas ruas desertas, ainda acompanhados de Beatles, Doors e Police, como os reis do mundo. Sentindo o vento da madrugada batendo forte no rosto, as folhas das árvores roçarem nas mãos, uivando a todo pulmão, como malucos, rindo e escutando o eco das risadas entre as sombras dos postes de luz nas ruas abandonadas.

Encerro minha noite sentindo-me da mesma forma como pude me sentir naquele telhado, naquela bicicleta, aproveitando minha noite com dois de meus melhores acompanhantes em todo meu tempo de vida. Aqueles que mais me viram mudar e me tornar o que sou…

Sem a idiotice de uma “virada de ano”. E sim, pela vida experimentada.

Uivando a todo pulmão.

E olhando pras nuvens no céu… Tão inconstantes como sempre fui e ei de ser.

Ah, claro. Um bom “2011” pra você também. Ou que seja… rs

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