A Alegoria Da Caverna

Olá, olá. Hoje posso dizer que estou inspirada pela metade. Vou postar mais um, neste caso.

Estou em semana ferrenha de provas, o que está realmente me deixando com os nervos a flor da pele. Odeio qualquer tipo de comprovação do meu conhecimento, colocando-me a prova, completamente sem finalidade, a não ser correr atrás de uma nota idiota. Mas, que seja… é só mais uma insatisfação da minha vida.

Não sei se quem lê percebe, mas ando cada vez mais extremista. E não em um sentido positivo. Costumo criticar bastante, e não achar qualquer solução, a não ser a morte, a destruição ou a indiferença, na melhor das hipóteses. E eu creio que encontrei uma explicação que achei satisfatória.

Estou estudando bastante Filosofia, por motivo do meu TCC, além de estar treinando a escrita criticando coisas de meu cotidiano. Isto me leva a enxergar melhor os defeitos da sociedade, e apontá-los com vontade. E então, entra a questão da Filosofia, que expõe as reais verdades do mundo, e dissecam na minha frente toda a falcatrua em que vivemos. Isto, combinado com minha personalidade um tanto violenta, só poderia resultar em polêmica. Elementar, meu caro Watson.

Enfim, hoje enquanto tínhamos aula de Filosofia, o professor nos explicava uma passagem em especial que teríamos de redatar. Se referia à Alegoria da Caverna, uma metáfora criada por Platão há trolhocentos anos atrás (creio que há 2.500 anos). Achei-a tão interessante que vou ter a liberdade de tentar explicar o pouco que entendi. rs…

Imagine um grupo de pessoas que vivessem no fundo de uma caverna. Estas pessoas estariam acorrentadas de frente para o fundo, sentadas, não podendo se virar ou se mover. Atrás delas, há uma fogueira que elas não vêem. E outras pessoas passam em frente a fogueira, projetando luzes no fundo da caverna, que é tudo o que o grupo acorrentado enxerga. Tendo isto em mente, me responda qual é a realidade deste grupo? Elas sabem que são pessoas como elas que estão do outro lado?

Não. Tudo o que existe na realidade delas são as sombras na parede, em toda a sua deformidade. Um dia, porém, uma destas pessoas consegue se libertar. Este ser vira-se e encara a fogueira pela primeira vez. Vê a luz de verdade, e não só sua iluminação fraca. Ele enxerga o fogo, e não só o amarelado nas paredes. Então, ele percebe que a caverna tem uma saída. Subindo por uma ladeira íngreme, ele se cansa, pelo fato de nunca ter andado. Mas ele consegue sair. Ele vê então, pela primeira vez, a grama, os pássaros, as árvores, outros seres, a água… e o sol. O sol e toda a sua luz e soberania. Ele fica confuso e assustado, mas também muito intrigado e curioso, e volta para dentro da caverna, até o seu grupo acorrentado. Ele conta as maravilhas que viu e ouviu, ele conta sobre as pessoas, e que aquilo que eles tinham visto até hoje eram só sombras. Mas o grupo não gosta das novidades, e julga que a visão dele só poderia ter sido prejudicada. O grupo então mata aquele que conseguiu fugir.

Não precisa questionar a metáfora, porquê, como já se explica, é apenas uma metáfora. Porém, se você pensar com cuidado, verá que ela é muito profunda, e que é incrível como Platão poderia ter pensado nisto numa época tão anciã.

A sombras na parede que o grupo via, pode ser considerada como a realidade que é imposta para nós. Seja pelas regras da sociedade, seja pela televisão, é apenas uma realidade disforme, distorcida e falsa.

Aquele que consegue se libertar representa todos os que conseguem pensar por si mesmos e descobrir a verdade das coisas. São aqueles que não acreditam em tudo o que lhes dizem, e questionam sobre tudo. São os curiosos, os rebeldes, os revolucionários.

Quando este ser volta para o seu grupo, que representa o povo que é manipulado, e vive acreditando nas sombras, ou seja, na falsa realidade, ele acaba morto, porquê suas idéias desafiam as mentes incapazes do grupo. Elas ameaçam o que as pessoas acorrentadas têm como verdade em sua vida, trazendo a mudança e visão.

Você pode enxergar aí grandes revolucionários, que viram como o mundo era enganoso, injusto ou absurdo, e tentaram se opor. Os grandes filósofos como Sócrates (a qual a alegoria se refere, uma vez que ele foi morto por quê expunha seus pensamentos para a sociedade que vivia), Cristo (se for considerar pelo lado religioso), ou até mesmo Martin Luther King Jr. (que lutou contra a segregação racial nos EUA, mas acabou assassinado).

Sei que eu nunca poderia me comparar de verdade como personalidades que citei, mas, por instantes, enquanto o professor contava a história, eu me senti como aquele que viu o mundo como era. Eu senti que eu tinha enxergado o sol e as verdades, e que eu nunca mais me contentaria com as sombras mal feitas outra vez. E eu voltei. Eu tentei argumentar. Eu tento expor tudo o que penso. Eu tento mostrar que tudo não passa de um jogo de sombras. Mas eu percebo que quase não existem outros que querem me ouvir.

A diferença aqui, é que eu desisto antes de ser morta. Eu admito que nunca verão nada além de sombras, e desisto de suas correntes. Eu prefiro caminhar mais para fora da caverna e nunca mais voltar. Antes que eu seja seriamente prejudicada.

Só pra prevenir, vou conferir se as portas estão trancadas.

Fui.

Anúncios

11 Respostas para “A Alegoria Da Caverna

  1. Já tivee essa aula sobre o mito na caversa na minha aula de filosofia também.. e assim como você me senti a pessoa que sai da caverna… Porém o fim desda mesma pessoa me torno impotente…. Mah.. não sei como são as aulas ai.. mas acho que vocês também devem usar o mundo de sofia como base neh? se não o usam… ele é um ótimo guia de filisifos mirins como nos! *-* xD

    • Rs…
      O Mundo de Sofia, Bu, veja bem… é um romance. É uma ficção que um professor de filosofia conseguiu englobar boa parte da própria história filosófica. Mas não é um documento histórico, nem uma verdade total. É só um romance.
      O livro que usamos chama-se A República, que foi escrito por Platão sobre os diálogos de seu mestre, Sócrates (aliás, a alegoria da caverna remete à vida de Sócrates) com os jovens de Atenas.
      O Mundo de Sofia não é um guia, e sim uma ferramenta para que você exercite seu raciocínio. Pelo menos é o que eu acho. Assim como grande parte dos bons livros.
      O fim do ser da caverna não deve te deixar impotente, a menos que você tenha decidido na sua cabeça que quer mudar o mundo. rs
      Caso contrário, seja livre pra sair correndo e viva felirz. hehe!

  2. É bem simples.

    Cada um vive sua “Verdade Absoluta” e cada um tem seus argumentos para provar para si mesmo sua ‘verdade’.
    O que você vê como verdade, muitas vezes não é o que outros vão ver como ‘verdade’, não adianta expor seus pensamentos e tentar argumentar que as pessoas estão erradas, pois elas não estão.
    Veja bem, expor e argumentar sobre suas idéias, é um pensamento de imposição das suas idéias sobre as idéias de outras pessoas. Porque você enxerga que a “verdade” de outras pessoas é ridícula, mas de forma alguma você vê que sua verdade é também ridícula.
    Por exemplo.
    Você critica tanto os emos coloridos, e quando emos coloridos vêem seus post, acham ridículo, porque na mente deles esta tão certo o pensamento colorido Emo deles, que não existe argumentos suficientes para tira-los de sua “verdade” Colorido Absoluto.
    Assim como você vê que votar é uma perca de tempo, e não existe argumentos suficientes para ir te fazer votar, mas existem pessoas, em suas verdades, que acham isso ridículo. E elas estão erradas?

    Bom, o que quero dizer, é que você cometeu o erro de achar que está certa. Mas é normal, todo mundo pensa assim depois de interpretar mal “O Mundo de Sofia” e algumas aulas de filosofia.

    • Eu não acho que estou completamente certa sobre nada.
      Eu só vejo tudo o que acontece, e fico um tanto indignada.
      Mas pouco me importa, pois eu já desisti de tentar mudar qualquer opinião.
      Eu só gosto de expor o que penso, e ponto.
      Se estão errados ou não, não serei eu a decidir.
      A minha verdade é absolutamente minha, e ninguém mais poderá tê-la.
      Quem quiser acreditar em outra verdades, a vontade.
      Eu só cansei de ficar brincando de jogo das sombras.
      E… mundo de sofia?
      Esta alegoria de Platão é do próprio livro dele, sobre Sócrates, A República.

    • Minha opinião muda muito.
      Há 1 ano atrás, eu achava quase grande parte do que eu acho hoje uma grande baboseira.
      E, provavelmente, isto voltará a acontecer ao passar dos anos.
      As pessoas são completamente livres para discordar de mim, assim como eu também sou.
      E só.
      Eu gosto de expor o que acho por aqui.
      Os Coloridos podem continuar saltitando, os Pagodeiros batucando e os Funkeiros rebolando, que pra mim, tanto faz.
      Se cada um ficar na sua, pra mim, ta bom.

  3. “Para certificar-se da verdade, comece duvidando da mesma”.

    Em outras palavras: “Não confie nem em sua sombra”. (hahaha é uma piada)

    Bjos!!! =]

  4. Conhecendo as pessoas que estão ainda acorrentadas na caverna, uma vez fora dela, nem pensei em voltar, vou é viver fora dessa caverna e conviver com seja la quem eu encontrar aqui fora também.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s