1984

(Nineteen Eighty-Four) Um incrível romance de aproximadamente 277 páginas, do ano de 1949, publicado pela Companhia Editora Nacional, autoria de George Orwell (Eric Arthur Blair), tradução de Wilson Velloso.

Fuçando no antigo canto dos livros esquecidos em minha casa, encontro um exemplar de um velho livreto, assinado em caneta por meu pai, praticamente caindo aos pedaços. O papel amarelado e a dobra puída revelavam a idade escondida. Trata-se de “1984”, um romance que mergulha na política e na paranóia de um escritor que chegou um dia a ser um futurista maluco. Nem tão maluco assim. O livro trata de uma visão de mundo que pode não ser tão absurda assim. E talvez, estejamos vivenciando-a neste exato momento. George Orwell te leva pra fora da sala, pra dentro do regime sedento de almas que assistimos de frente pra teletela. Saia da frente da televisão, ache um canto escuro na casa e prepare-se para tremer na leitura do que pode ser um dos maiores choques de realidade que você vai receber. É “1984”, sendo vividamente revivido.

Sinopse: Este é um livro impressionante. Ao terminar sua leitura, fica em cada um de nós, latente, uma sensação estranha. É como se despertássemos de um pesadelo… e o pesadelo continuasse, em pleno dia.

O retrato que George Orwell nos fornece do que seria a vida no mundo, em particular na Inglaterra, no ano de 1984, é aterrorizante.

Em 1984 o mundo não conhece mais o que seja democracia: governos totalitários o controlam, de uma forma total e ultra-eficiente. Sistemas inteiros foram criados para controlar não somente as atividades, mas os próprios pensamentos dos seres humanos. Não há mais liberdade, a não ser aquele tipo de liberdade imposto pelo Estado. Não se conhece mais o amor: entre um homem e uma mulher somente se processam relações determinadas e controladas pelo Estado. É o Estado total, de uma forma total.

Em meio a esta atmosfera sinistra, fantástica mas possível, a pena magistral de George Orwell nos particulariza as angústias de um homem – Winston – no qual ainda restam vestígios de uma aspiração democrática. E é através desse homem, de sua consciência, de suas reações emotivas, que todos nós recebemos a descrição minuciosa de um quadro político realmente estarrecedor e, infelizmente, não de todo impossível.

Nota: Aos que forem ler, comparem o “Grande Irmão” com o programa de televisão atual “Big Brother”. É daí que surgiu a idéia. Depois de assimilar, você nunca mais vai dar uma “espiadinha” do mesmo jeito. Essa, nem eu tinha sacado, fica esperto.

Anúncios

O Mundo de Sofia

(Sofies Verden) Um excelente Romance de aproximadamente 547 páginas, de 1991, publicado pela Cia. Das Letras, de autoria de Jostein Gaarder, tradução de João Azenha Jr.

Ando numa onda viciosa de querer ler tudo que me colocam nas fuças. Já a um bom tempo atrás, meu namorado emprestou-me o livro O Mundo de Sofia. É um livro que assusta a princípio, pelo seu tamanho. O bicho é bem gordinho. A leitura chega a ser um tanto arrastada e cansativa em alguns momentos, mas isso se deve a enxurrada de informações que é passada. Informações estas realmente precisas para o desenvolver do raciocínio lógico dentro da história, que engloba muito mais do que só um conto em um livro. Trata-se da história da filosofia, mas não desista de ler ainda!! O livro trata-se de um romance… É didático, envolvente e muitíssimo valioso para o crescimento pessoal de cada um. É incrível como a leitura do mesmo pode elevar-te a níveis de pensamento que nunca sonhou dar-se o trabalho de ter! É como se o autor decidisse arrancar a sua cabeça do ócio e colocasse cada neurônio para funcionar na melhor performance que se pode ser obtida.

Jostein Gaarder (autor) trabalhou como professor de filosofia, e isso fica bem evidente enquanto ele discorre o romance, por exuberar conhecimentos precisos e bem estudados da filosofia. O livro é considerado um bem sucedido Best-Seller (invejinha) e foi muito vendido ao redor do globo. Se você ainda não leu, solte já o guia da TV ou o seu livro de bolso do Marley & Eu, e delicie-se na verdadeira literatura!

Sinopse: Às vésperas de seu aniversário de quinze anos, Sofia Amundsen começa a receber bilhetes e cartões postais bastante estranhos. Os bilhetes são anônimos e perguntam a Sofia quem é ela e de onde vem o mundo que vivemos. Os postais foram mandados do Líbano, por um major desconhecido, para uma tal de Hilde Knag, jovem que Sofia igualmente desconhece.

O mistério dos bilhetes e dos postais é o ponto de partida deste fascinante romance, que vem conquistando milhões de leitores em todos os países em que foi lançado. De capítulo em capítulo, de “lição” em “lição, o leitor é convidado a trilhar toda a história da filosofia ocidental – dos pré-socráticos aos pós-modernos -, ao mesmo tempo em que se vê envolvido por um intrigante thriller que toma um rumo surpreendente.

Evolução

Redação meio instantânea, escrevendo pra me distrair no meio da aula. Professora pediu para que eu passasse a limpo e mandasse a ela. Pois bem, sendo feito.

Na passagem da vida, soprava o leviano vento. Vinha do Norte, juntava-se ao Sul, encontrando-se a leste, vasculhando o oeste. O Vento, curioso, revolto, abusado, levava histórias, entregava lágrimas, esticava-se no som, girava os moinhos, acariciava os pastos, chicoteava as casas, afugentava pragas, propagava o mundo de cinzas e pureza.

Ventava uma vez, numa remota fenda em grutas esquecidas, onde descobriu o Tempo. Não o conhecia, não o sentia, não lhe dava importância. Era um velho disforme, de olhar jovial e espírito confuso. Seus gestos, además de sua idade, eram planejados e inteligentes. Não acreditava no acaso, mas não largava mão da amizade do Destino. “És tão envolvente”, dizia-lhe o velho”.

O desprendido vento, tão veloz e inconsequente, entristeceu-se de repente.

“Que afliges o espírito” perguntava o velho sábio.

“Não lamentas? Estás velho, és enclausurado. Vê-se nos olhos tua vontade de vida, teu tempo infindado. Quê te adianta? Não tocas as maravilhas, não sentes os calores, não presencias os humanos, animais ou natureza…”

No profundo olhar, o Tempo pronuncia-se. “Achas que por quê o Vento não me sentes, que não existo? Mas sou o Deus do mundo e o pai da evolução. Sou o grande criador, inventor, procriador e amante. Desenvolvo a vida, e então, a tomo para outros. Os humanos sentem-me no corpo, na mente, no esírito e coração. Eu sou o Universo, e ele todo és quem sou”. O Vento não acreditava, leviano como era, que aquela deplorável criatura numa fenda fosse tão absoluta.  “Abaixo da Terra, ou mesmo a seu redor, sou, fui e serei ainda mais essencial que ti”, concluiu o velho.

“Sem mim, a vida se vai, ainda assim” o Vento inflou-se de importância.

“Antes de ti, criei a vida e sem ti, dei-lhe os primórdios. És um caprinho da Natureza nova deste planeta, onde não existe além daqui”.

Sentindo-se enfim submetido, reconheceu o Tempo como Senhor da existência. Mas havia algo. “Se és tão soberano, que fazes isolado nesta fenda, enquanto sou livre e viajo pelos continentes?”.

“Escondo-me. Os humanos, meu maior trunfo, enfadonham-se de mim e matam-se em campos áridos, ainda jovens. Os que perduram a mim, cultivam novas formas de matar-me. Querem imortalidade, saltam dos limites. E se não guerreiam, vivem em vão, gastando-me atrás de luxúria, falsos propósitos e hipocrisisas, até debilitarem-se e suplicarem a mim permissão para mais. Tenho vergonha… Por isso, torno-me fenda”.

Perplexo, o Vento deixa a gruta numa baixa brisa confusa, e entende a primeira vez a Sabedoria. Toca a Natureza e escuta-a ferida. Sopra em desertos que um dia foram mares e escuta pelo globo explosões nucleares. Engasga-se numa nuvem escurecida de dióxido poluente e agentes corrosivos de si. Ao sentir-se tão doente, baixa-se de altura e diminui-se. Sente então o rosto de cansados seres vestidos em terno novo. Ignoram sua presença, desrespeitam-na! Sopra pelos olhos molhados de uma moça surrada, levando-lhes as lágrimas e a dor aos poucos. Por fim, entrou desnorteado numa fenda de concreto, um beco, e ali leva o ruído da arma certeira de um imundo ao peito de outro igual.

A agonia, a indiferença, a ousadia, o cansaço, a dor e o sangue deixam-no pesado e mais pesado. A corrente do Vento encontra-se sufocada. É preciso expandir… É preciso acabar com o sofrimento! É preciso acelerar e ir. É preciso destruir. O Vento atordoado, já não mais leviano, carregado, torna-se furacão, derruba casas e edifícios, furioso tufão. Livra de si e espalha por aí toda a maldade que antes coletara. Outra vez leve, acalma-se e passa. Deixa para trás escombros e choros.

O problema fora-se e tornara-se consequência. A ganância e dor tornaram-se ruína. Sobra poucos desafortunados para tomarem a cena como lição. Mal sabia o ingênuo vento que o humano endurece o coração. O Tempo, velho envergonhado, torna-se inimigo e aliado.

Maiores prédios surgem, novas armas criam-se e até o fim, o tornado de angústia gira, cada vez mais embalado de veneno, reflexo da sociedade, arrasando cidades. Até que nada mais sobre. Nem humanos, nem Sabedoria, nem Destino, nem Natureza, nem vento. Só tempo…

Infindo, velho e enclausurado.

Marina Rocha

Um passo à frente.

Essa tirada é o resultado de ter feito 3 provas estressantes no mesmo dia, sair tarde do curso e ainda ser ignorada pelo ônibus, que quase subiu na calçada e matou o povo. Isso inclui a mim. Depois de ter que voltar andando, entendi o que já me disseram… que a raiva é uma boa inspiração… Ou não. Enfim…

Estava morta e nasci.

Aproximei-me do meio fio e parei ali.

Quis pegar o ônibus, mas não tinha lugar.

Quis pegar um táxi, mas não tinha onde achar.

Quis dirigir, mas não podia pilotar.

Quis aventura, mas não tinha mais coragem.

Quis inovar, mas já não tinha o que criar.

Quis surpreender, mas não saí do meu lugar.

Quis ir embora, mas não tinha onde ir.

Quis diversão, mas não tinha como sorrir.

Quis pensamento, mas não tinha mais idéias.

Quis falar, mas não tinha mais palavras.

Quis amar, mas não tinha mais coração.

Quis participar, mas estava na contra-mão.

Quis dançar, mas não tinha mais ritmo.

Quis resistir, mas não tinha mais razão.

Quis musicar, mas não tinha mais melodia.

Quis gritar, mas não tinha mais voz.

Quis rejeitar, mas não tinha mais o que negar.

Quis desistir, mas não tinha o que largar.

Quis correr, mas não tinha mais forças.

Quis subir, mas não havia mais andar.

Quis cair, mas não havia quem pudesse me segurar.

Quis ir embora, não tinha como ficar.

Quis estar ali, mas eu não era existência.

Quis me calar, mas nem havia dito.

Quis chorar, mas não haviam lágrimas.

Quis desespero, mas não tinha emoção.

Quis emoção, mas só achei solidão.

Quis compania, mas estavam todos apressados.

Quis lentidão, mas tudo só girava ainda mais.

Quis rebeldia, mas não havia nada para deixar.

Quis saciar-me, mas não havia mais comida.

Quis hidratar-me, mas não tinha mais água.

Quis respirar, mas não tinha mais ar.

Quis me encontrar, mas não tinha mais chão.

Quis fumar, mas não tinha mais pulmão.

Quis me embebedar, mas não tinha mais motivo.

Quis rezar, mas não tinha mais fé.

Quis ter esperança, mas não tinha mais desejo.

Quis olhar para cima, mas não tive qualquer resposta.

Quis salvar-me, mas encontrei-me na fossa…

Por qualquer motivo ou força, dei um passo à frente. Decidi ir um pouco adiante. Pisei fundo…

Quis escutar, mas o barulho foi muito alto.

Quis olhar, mas já não tinha mais ninguém ali.

Quis desviar, mas não fui mais rápido.

Quis ficar deitada, mas a força me puxava.

Quis ver as estrelas mais uma vez, mas era tudo escuridão.

Quis então viver… Mas ali já não existia vida.

Quis a morte, mas tive de nascer.

 

Autoria Própria.

Nem sempre um passo à frente lhe fará seguir adiante. Nem sempre te trará novas forças. Nem sempre dar mais um passo sem rumo te dará mais minutos de vida.

Escutando The Killers – The World We Live In , e , Smile Like You Mean It.

Happiness is a Warm Gun

A garota usava um colete de couro desgastado de franjas por cima da bata branca de mangas compridas e largas. O cabelo solto, cacheado, estava preso por uma faixa de crochê. A calça jeans completamente rasgada exibia por baixo sandálias amarradas aos tornozelos. O olhar estava oculto por óculos redondos escuros, acima de um sorriso simpático. Seu nome variava. Chamavam-na de Lucy, Jude, Sadie, Martha… Era o tipo de garota que passava na rua levando olhares estranhos, mas gentis, por sua fama de boa moça. Era divertida, tocava violão com as crianças na praça no fim da tarde e tecia colchas com as senhoras do abrigo aos domingos. Trabalhava na livraria, como uma boa trabalhadora tem de ser. Era amigável e sociável, como uma boa pessoa tem de ser. E sempre dizia que procurava pelo homem certo, como toa boa mulher tem de procurar. As luzes da casa eram apagadas cedo de noite, para não incomodar os vizinhos. Mas ninguém a conhecia de verdade.

Lá fora se fazia noite… E ela bem sabia disto. Era a hora de despir as flores do corpo e tomar para si o seu fardo. A garota jogou a fantasia da paz e amor ao chão e subiu pelas pernas a meia arrastão. Fechou o sobretudo preto sobre o corpo feroz e delineou os lábios antes sorridentes de batom vermelho vivo. Apanhou o livro “O Apanhador no Campo de Centeio” e o depositou no bolso interno do sobretudo. Era sua missão de vida, verdadeiramente. Do alto do armário, tirou o ápice de sua noite. Seu revólver calibre 38, comprado de um amigo na Georgia há tempos atrás. Calçou as botas de couro plastificado até as canelas e tirou de si a peruca cacheada, livrando os cabelos curtos, lisos e negros-ébano pelo pescoço.

Contou 5 balas, beijando a cada com o batom, e carregando a arma, meteu-a pelo sobretudo. Saiu pela noite, pisando fundo e elegante passo ante passo. O clube The Cavern Club brilhava com fortes neóns sobre a porta revestida de camurça. Era seu palco perfeito e predileto. Era de onde inspirava do melhor cheiro de caça. New York estava fria aquela noite, como esteve tantas outras em que presenciou a dama de lábios vermelhas solta pelas ruas. Ao vê-la, o segurança liberou-lhe. Já era da casa, mesmo que sempre se mantesse discreta. Era uma impressão momentânea. Uma sombra passageira. A presença que mantinha era forte, e quando se ia, levava-a embora. Ninguém lhe sabia seu nome ou qualquer informação. Chamavam-na de nomes mirabolantes como Red Lips, ou Black Lady… ou não chamavam-na. Simplesmente não viam a moça passar.

O saguão era um tanto fazio, algumas mesas de sinuca, um bar apagado e alguns poucos jovens espalhados pelos cantos. Uma seta apontava para uma grande escada de ferro vermelho, que levava ao subsolo. Era ali que descia ao inferno. No salão inferior, a fumaça carregava o ambiente pouco espelhado, de luzes escuras e mal-direcionadas, as paredes de pedra úmida e um palco no fim do cômodo, onde uma banda de Rock Alternativo arranhava guitarras e teclados. O baixo se pronunciava mais que os outros instrumentos, mas podia-se jurar que a guitarra gemeu alto na frente da sombra de lábios vermelhos. Ela fixou-se numa mesa ao canto de frente ao palco. Fitava exatamente o baixista que arriscava o back vocal. Ele não era tão alto, mas não era baixo… Tinha os cabelos até quase os ombros e usava óculos escuros redondos um pouco abaixo do olhar. Usava roupas de panos leves e que pareciam surrados, enquanto balançava o antigo baixo para frente e para trás. Não se demorou para enxergar a mulher de cabelos curtos da mesa da frente. 3 segundos e um contato visual forte, foi o que bastou. Ela sabia, ele sabia. Que se encontrariam depois do show. Enquanto esperavam ansiosos o encontro desconhecido, as garotas da primeira fileira deliravam ao som do rock da banda. Era relativamente famosa, a ponto de ter o holofote central do concorridíssimo clube. 

Algumas músicas depois, o show é finalizado, a banda ovacionada sai de cena e deixa as luzes do palco focalizarem os instrumentos abandonados. Ela dirigiu-se aos fundos, pela porta dos bastidores, até ficar oculta pela sombra dos equipamentos. Mas ele a vira. Não a perdera de vista desde o momento em que a focara. Tornou-se parte do negro esconderijo da dama que lhe sorria. Alguns minutos, talvez um pouco mais do que o necessário, foram passados. Nenhum som se ouvira da fresta escura. Nenhum movimento se vira. Apenas distinguia-se o reflexo fosco do batom vermelho da jovem. 5 pequenos estalidos. Novas marcas pelo corpo do rapaz. O líquido fundia-se com a cor da maquiagem. A garota levou o sangue e deixou o corpo, com 5 buracos espalhados pelas costas. Era sua assinatura. E sua sede, sua caçada, e sua missão estavam finalizadas.

Voltou para casa no mesmo passo, escutando atrás de si passos apressados. Mas não temeu. Sabia que da sombra, ninguém acharia a vítima tão cedo. Seu caminhar permanecia firme e elegante até a porta dos fundos de sua casa esquecida. Despiu-se da alcunha sombria, ateou fogo à roupa e ao livro. No dia seguinte, traria outro do mesmo para casa. Encobriu-se da madrugada pelo edredom frio e adormeceu satisfeita consigo.

Acordaria no dia seguinte como sempre acordou. Disposta, sorridente, de longos cachos feitos em trança, jeans rasgado e um broche de John Lennon do colete desgastado. No jornal matinal, antes de sair para cumprir seu doce dever com a sociedade, escutaria a notícia rotineira… “Ontem, dia 8, mais uma vez o assassino que revive Chapman fez uma vítima. O baixista da banda é encontrado morto no clube que antes foram encontrados vestígios de outras vítimas…” e por assim em diante. Aquilo não lhe interessava. Calculava o novo furto do livro “O Apanhador no Campo de Centeio”, após o intervalo de seu trabalho, um pouco antes de poder ir tocar violão com as crianças. E se fazia certeza no espelho de que não sobravam vestígios rubros de quem fora, ou de quem seria.

Autoria Própria

Escutando Happiness is a Warm Gun – The Beatles

A diferença, veja bem…

Não quero ser redundante, mas também não quero passar a impressão errada.

Eu não sou preconceituosa.

Se você quiser, seja gay, seja evangélico, seja rockeiro, seja pagodeiro, goste de Lady Gaga ou Britney Spears, seja hétero, seja aboiolado, vista-se de roupas coladinhas e coloridas, jogue a franja de lado em cima do olho, ame o Justin Bieber, vá no baile funk, beba até cair, odeie tatuagens, seja malicioso, goste de rosa choque e de chorar vendo comédia romântica.

Eu não acho que nada disso decaia a pessoa como ser. São gostos! E cada um tem direito de gostar ou desgostar de algo. Não é isso que eu abomino.

Na minha opinião, e veja bem, esta é a Minha opinião, é a opinião de uma garota como qualquer outra pessoa, que também tem gostos e degostos, manias e defeitos, EU abomino é a falta de cérebro dentro da cabeça. Eu vou explicar isso um pouco melhor pra você…

Com “falta de cérebro” eu quero dizer que quando você vai conversar ou convive com uma pessoa que só sabe falar sobre a roupa que vai usar no dia seguinte, o número de meninas que pegou na baladinha passada, da vida do jogador mais gato da seleção, ou sobre o rolê que quer dar com os amigos no fim de semana pro forró, é simplesmente insuportável! Eu não quero dizer que o problema é falar disso. Uma pessoa pode perfeitamente fazer ou gostar de tudo o que eu acabei de falar. O problema é quando ela SÓ sabe isso. SÓ, e nada mais. A vida gira em torno do “exaltasamba”, os fins de semana são dedicados exclusivamente à caça de meninas pra contar pros amigos depois, ou ir gritar no estádio contra aquele time que odeia o seu. Se a pessoa SÓ fizer isso da vida, é aí que eu te mostro o problema.

Estou dizendo que se tal pessoa for assim, que ela procure mudar. Se ela só se preocupar com a opinião dos outros e se baseie em ser apenas o que ela vê na TV, que ela procure saber o que está fazendo consigo. Porquê dizem estar sendo diferentes, mas não passam de só mais um pontinho num bando de gente igual!

Estou pedindo para que elas procurem a verdadeira diferença do ser. Em serem como quiserem, e não como mandarem ou influenciarem. E que elas tenham mais na cabeça do que um conjunto famosinho de samba, um menino lindo e popular e a roupa da festa de amanhã.

É isso que EU abomino. Que EU acho errado. Que EU acho um desperdício.

Se você que está lendo gosta de ser igualzinho ao Fiuk, com a gola V, a calça laranja gritante e o cabelinho jogado no rosto, então, paciência… Espero sinceramente que você tenha algo dentro da cabeça que te faça diferente dos mais 500 menininhos que também são iguais ao Fiuk.

Veja bem, que esta é a diferença. Não pretendo que todos pensem igual ou gostem somenta das coisas que eu gosto. Eu tenho amigos emos, pagodeiros, que gostam de sertanejo, rockeiros, baladeiros, que trabalham, que vivem do papai, que amam o futebol, que assistem a novela da globo… e eu não os mudaria. São como são e sou amiga deles porquê eles são assim e ponto. A diferença é que os meus amigos de verdade tem mais na cabeça do que uma pessoa que não sabe mais nada além do que é modinha.

Veja bem, que esta é a diferença. Esse é o meu ponto. E essa é a minha opinião.

Saiba diferenciar. Seja diferencial.

Para concluir a “tese” que venho tecendo aqui (hehe), quero que tenham em mente que a minha opinião é contra a massa. Que quero dizer?

Veja bem… Uma garota pode sim ser máscula, mas se o caráter dela for bom, se ela tiver algo na cabeça que não seja apenas mulheres, cerveja e futebol no domingo, então está perfeito.

Um cara pode ser afeminado, ou bicha, desde que na cabeça ele tenha mais do que só Justin Bieber, meias coloridas, Lady Gaga e Britney Spears.

O problema não é o comportamento, mas sim o que está por trás dele. Os bichinas de hoje, mal sabem porquê agem desse jeito! Uma conversa com um destes (que estou generalizando) é tão entendiante quanto falar com uma parede! A parede até vá, né, afinal ela é só branca e não multicolorida néon.

A minha crítica é contra a modinha que virou o termo “seguir o fluxo”.

Se você faz isso, pare! Pergunte-se porquê você se comporta do jeito que se comporta. É porquê você quis ser assim, ou porquê você viu na Malhação que blusa corte V e calça coladinha é uma fofura? Não desrespeite a você mesmo, nem se envergonhe desta forma! Você é um ser humano, é único, é composto de momentos e pessoas com que só você conviveu e aprendeu. Não desperdice sendo mais um no bolinho de gente na moda.

O problema em ser exagerado, é que você dissemina a aversão. Não estou dizendo que se deve viver preocupado em agradar os outros, muito pelo contrário. Mas não deve prejudicá-los também. O problema do exagero, de ser bicha louca, é que outros te verão como Gay. E tendo a aversão ao tipo de comportamento, vão classificar os Gays como culpados e nojentos. A culpa foi na verdade, transferida de um único idiota para um grupo que nem se meteu na história.

Quer ver como é verdade? Se pedirem para que eu imite um gay, eu vou afinar a voz, empinar a bunda e sair dizendo asneiras. Mas isso só porquê algum imbecil um dia passou na minha frente assim e alguém o rotulou de gay. Isso é inconsciente! Mas não deveria ser, porquê acaba com a imagem e moral de qualquer um.

Se você quer ser gay, então seja e dane-se o mundo! Seja bi, seja Gótico, seja Espírita, seja Louco, seja Gaviões, seja Mancha, seja Sertanejo… mas pelo menos seja diferente de todos! Tenha conteúdo dentro do cérebro, que não faça parte de qualquer programa atual da TV. Goste de uma coisa que ninguém mais gosta, ou que todos já esqueceram que existe. Aja de uma maneira que ninguém esperava. Mas nunca seja preconceituoso, rotule, seja vazio, siga a modinha, seja ignorante, seja estúpido ou prejudicial a outro ser humano.

Não importa o que você seja, o importante é que você seja você, como você bem quer. Mas seja sempre diferente.

Saiba diferenciar a moda da personalidade. Saiba diferenciar comportamento de “seguir a onda”. Saiba diferenciar algo prejudicial do ignorante.

Saiba ser diferencial.