Preto x Néon

É, é uma história verídica. Vejam bem vocês…

Estava combinado de eu passar esta tarde com um trio de amigas minhas nas redondezas que incluíam Liberdade e a Galeria do Rock. Eu, sabendo plenamente o tipo de estilo que estas companheiras são adeptas, decidi sair completamente de preto. Trajada de camisa preta, calça preta, all-star preto e um sobretudo da mesma tonalidade, saí de casa. Encontrei-me com elas no ponto, como planejado, e seguimos, primeiramente, para a Galeria do Rock.

Lá estando, ao passarmos por um certo grupo, evidentemente alguns anos mais velho que o nosso, fomos paradas. “Estamos fazendo um trabalho para a faculdade. É um documentário sobre o tipo de estilo de vocês. Sabe? Que se veste todo colorido. Podemos gravar vocês?”. Alguns minutos de pensamento vazio. Segurei a risada. “Claro!”.

As perguntas começam com Kuchiki, vestida de moletom Adidas azul, uma calça azul quase néon e um tênis cano longo da nike, daqueles gordinhos da moda. “Como você aderiu a moda?”, e ela responde “Foi influência da Emo”. “Há quanto tempo se veste assim?”… “Por volta de 6 meses”. “Por quê decidiu seguir o estilo?”… “Ah, é legal! É colorido!”. As perguntas são então dirigidas à Emo, vestida de um rosa berrante com bolinhas escuras: “Que bandas você escuta?”… “Ah, Restart, Tokio Hotel… (etc.)”. “E vocês têm frequentado os shows?”… “Não o último, só o penúltimo Happy Rock Sunday”. “Você se considera emo?”, e a Emo responde: “Não. Sou só confundida pelo tipo de música que gosto e jeito que me visto ou falo”. “Porquê você se veste assim?”… “Ah, porquê é diferente! É para provocar sensação de estranheza nas pessoas”.

Nesse momento, o rapaz me fitou, e pareceu segurar a risada, como eu tinha feito anteriormente. “Mas eu vejo que a amiga de vocês não é adepta a esse estilo”. E eu respondi sucintamente: “Não”. “Porquê você não gosta desse estilo?”… “Você vê nexo? Vê algum sentido aí? Nem eu. Não tenho preconceito, mas isso definitivamente não é a minha praia”. “E que bandas você escuta?”… “Caras como Killers, Beatles, até Joy Division, Bowie (etc.)”… Neste momento, meus amigos, devo lhes dizer que todos os integrantes do grupo abriram um sorriso e complementaram: “Boa, vocês deviam seguir mais o exemplo da amiga de vocês!”. E eu não consegui mais conter a risada.

Veja você, que o que eu quero ressaltar não é a entrevista em si, mas o contraste absurdo em que nos encontrávamos. Chegava a ser completamente hilário me ver com os olhos cirrados de lápis, e aquelas três lâmpadas de néon, juntas, andando praticamente de mãos dadas. Repare que realmente não tenho preconceitos, nem abomino. Só não é a minha praia. E quanto mais eu puder, mais preto eu vou vestir perto de quem brilha no escuro.

Galeria do Rock

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