TCC: Crítica de Frankfurt à Indústria Cultural

Bem, vamos dar prosseguimento à meu TCC. Anteriormente, vimos os conceitos de Grupo Social, de Concepção de Cultura, de Diferenças de Culturas e a necessidade de se usar a crítica para com a Mídia. Mas estes conceitos e idéias, essas críticas principalmente, não brotaram do espaço. Elas são originárias de reuniões de pensadores (iluministas e revolucionários) alemães, de Frankfurt. Entre eles estão destacados Max Horkheimer, Theodor Adorno, Walter Benjamin e Herbert Marcuse. Mas não vamos nos ater aos pensadores e nem a sua história (embora sejam interessantes), pois ainda temos muito o que refletir sobre a Cultura de Massa. Vamos então, aproveitar de alguns raciocínios Frankfurtianos e progredir na nossa linha. Nós vamos discutir…

• A Crítica à Indústria Cultural.

Nas palavras do grande Max Horkheimer, “tudo se transforma em bem de consumo”. E neste  mercado, qualquer teoria pode ter seu espaço, seja de Hitler, seja de Lenin, de Lutero ou de Marx. O interesse em manter este mercado vigorando (mercado cultural) é tanto, que até mesmo as maravilhas eruditas como a música clássica, o Jazz ou a poesia são uniformizadas e entupidas de padrões. Porquê? Ora, pense bem.

Toda a fórmula que se torna popular e tem sucesso, além de ser bem consumida, não pára de ser repetida. A indústria Cultural não mexeria em time vencedor afinal, mesmo que seja algo repetido, dá lucro! Como exemplo nós temos a tão famosa Malhação, ou as novelas da Globo. Ou você nunca percebeu que é sempre a mesma base de história?

Antes, a cultura distinguia-se entre a elite e o povo (isto veremos com mais cuidado mais tarde). E então, esta Indústria Cultural simplesmente rompe estas distinções para criar uma barbaridade generalizada e cheia de floreios.

Para utilizarmos uma citação do próprio Theodor Adorno: “… A abolição da educação pelo mecanismo de venda cultural não abre para todos as alas das quais foram excluídos, mas considerando as condições sociais, contribui para a decadência da educação e para o progresso da inexpressividade bárbara”.

A Cultura de Massa é algo completamente regressivo. Para os pensadores de Frankfurt, esta tal Cultura de Massa não podia ser considerada nem Cultura, nem que havia sido criada pela Massa.

Vamos ver agora algumas críticas que vão te remeter a Propaganda e Publicidade, que andam de mãos atadas com a Mídia, um cúmplice fiel. A lei é a novidade. Mas esta novidade deve ser algo manso, de tal modo que não perturbe a ordem imposta pelos “superiores”. É apenas uma ilusão. E esta novidade deve ser completamente compreensível a todo tido de pessoa, padronizando a informação. É por isso que as vezes nós vemos umas propagandas tão idiotas que sentimos até nosso Q.I. baixar uns pontos. Isso é uma exclusão da verdadeira diversidade, que é apresentada com a maior facilidade nas telinhas. Esta Indústria Cultural, não sei se você já percebeu, é algo totalmente anti-democrático, numa política “Democrática”!  Além de tudo, ela é agramatical e desortográfica, afinal, é tudo verbal. Isto claramente emburrece qualquer um. De acordo com Adorno, “A luta contra a cultura de massa só pode ser levada adiante se mostrada a conexão entre ela e a injustiça social”.

Como pode ser possível a existência de uma aparelho assim? Impositor, desrespeitoso, emburrecedor, enscandalizador, controlador e sensacionalista? Isso é pela falta do pensamento próprio. Hoje em dia, ele é quase um mito. Só é seguido o que se manda. Um exemplo que encontramos no próprio noticiário, que por si só é uma arma mortal, é a seleção de notícias e até mesmo a voz e postura do apresentador. Elas funcionam de forma que você possa concluir exatamente o que eles querem. Até mesmo nas entrevistas, o entrevistado só pode falar pelo tempo que lhe é concedido, afim de que também possa ser induzido. E tem mais. E este mais é algo que duvido que você ainda não pensou consigo. A versatilidade de notícias. Os apresentadores são indiferentes na troca entre objetos e indivíduos, enquanto que eles falam de uma catástrofe natural e logo depois, de futebol, ou da Bolsa de Valores. O funcionamento da Televisão, e os sistemas em que ela opera é uma quebra absurda à qualquer direito humano, porquê oblitera o pensamento individual e entope a cabeça do povo de comandos e consciências de uma forma que lembra o adestramento de um animal. Mas isso, meu querido leitor, não é escancarado. Estes ratos televisivos são espertos. Fazem tudo de maneira subliminar. O preconceito com o próximo, a visão de beleza, a vontade de consumir… Isso tudo vem de um jeito manso e irresistível para você, que faz-te pensar até mesmo que as idéias são suas.

Uma curiosidade… Nanossa Ecologia atual você pode encontrar conceitos valiosos dos Frankfurtianos. Conceitos como: A natureza não deve ser explorada com fins lucrativos e egoístas, e a proposta da conciliação do homem para com o meio através da ciência. E também de distribuir de graça Cultura e Arte. Vamos entender melhor continuando o assunto…

A arte é fruto da criatividade, do pensamento e do sentimento de cada um. Ela pode romper padrões e generalizações. Ela não é submissa, nem obediente. Para os Frankfurtianos, a arte era o antídoto contra os bárbaros da sociedade. A Cultura é o resultado também do pensamento, que faz a todos refletirem e verem as coisas com olhos mais críticos e curiosos. Ao contrário da Arte e da Cultura, a Publicidade e a Televisão bloqueiam a capacidade do ser humano de pensar sozinho. Para estes meios emburrecedores, tudo pode ser convertido em entretenimento, como as guerras, e catástrofes, que dão audiência. Exposto estes argumentos, nesta luta entre Cultura e Televisão, eu te digo que pensar é o contrário de obedecer. É a libertação da alienação. O direito a Cultura, que nós podemos ver que nem todo mundo tem (mesmo que a televisão de fale que tem) e a compreensão dela é a chave para a transformação do ser humano para melhor. E não se preocupe… a Cultura não nasce apenas de gênios. Ela é a herança que todos tem no mundo moderno. Todos os “excuídos” da classe média ou alta têm seu direito a ela. Mas não é isso que acontece. Ou você consegue falar sobre livros com o pedreiro da obra ao lado, ou com o zelador de um edifício?

A Indústria Cultural, que monopoliza a Cultura como se ela fosse um produto a ser vendido a alto preço, deserdou descaradamente seus verdadeiros herdeiros. Todos Nós.

Os deserdados da Cultura são seus verdadeiros herdeiros ” – Theodor W. Adorno

Texto baseado no capítulo 6 do livro “A Escola De Frankfurt – Luzes e Sombras do Iluminismo“, de Olgária C. F. Matos pela Editora Moderna, da Coleção Logos.

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4 Respostas para “TCC: Crítica de Frankfurt à Indústria Cultural

  1. Muito bom o texto, gostaria de fazer meu tcc em fillosofia nessa temática, tens alguma sugestão de leitura? Aguardo seu retorno, té!

    • Sou aluno do 2º período da Filosofia na PUC-CAMPINAS e estou no momento realizando um fichamento referente ao consumo, industria cultural, baseado no Adorno e seu conceito de industria cultural Uma sugestão seria o livro:
      Theodor W. Adorno e a Teoria Crítica à Industria Cultural: comunicação e teoria crítica da sociedade.
      É sensacional
      Fábio Guimarães de Castro

      • Obrigada, Fábio.
        Mas o TCC está finalizado há algum tempo já.
        Mesmo assim, obrigado pela dica de livro.
        E boa sorte com o fichamento.

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