Praise Be God.

Aviso: Falo sobre religião. E não falo bem. Se és religioso, pode se sentir ofendido. Essa não é minha intenção, mas pode ser inevitável. Pode poupar-se, se quiser. Ou não.

Recentemente, concretizei minha antiga secreta revolta para com a religião. Parei de acordar contra vontade pelos domingos, de controlar o que posso ou não pensar, falar ou fazer de acordo com uma vontade que não é minha, parei de sustentar um alguém que nunca fui, e uma fé que nunca tive, e muitas vezes, não fiz questão de ter. Os motivos para isso, são até pessoais demais para que eu os explicite… Mas existem alguns que merecem ser citados, pois não é apenas um motivo, é uma opinião, e após compartilhá-la, achei muitos que pareciam sempre sustentá-la em seu íntimo. Mais uma vez, se és religioso fervoroso, pare por aqui… E não diga que não avisei. Não pretendo aceitar críticas no momento.

Eu cresci dentro de uma religião. Na cristã, mais especificamente na Presbiteriana Conservadora. Tive todos os meus conceitos, morais, atitudes e pensamentos moldados dentro daquela doutrina. Segue-se “fielmente” os mandamentos bíblicos, tim tim por tim tim. A Palavra de Deus como manual da vida, Jesus como o exemplo e o purificador, salvador, e Deus como único pai e protetor. Visa-se a vida eterna da alma, através de uma vida pura e boa, dentro dos ensinamentos de Deus. E não, eles não se resumem tanto assim nos dez mandamentos, existe uma gama bem maior de posturas a serem tomadas por um “verdadeiro cristão”. Enfim, passei toda a infância e adolescência nas aulas dominicais e cultos, e louvores e atividades. Sabia cada lição de cor e salteado, por ter passado por cada uma pelo menos umas duas vezes. Cheguei a ser monitora, a cantar no Coral, a ser professora e mais algumas coisas. Mas eu nunca fiz com a sinceridade cristã que todos ali pareciam compartilhar. Sempre baixei a cabeça, decorei os cânticos, aprendi a falar bem uma oração e a sempre concordar em Amém. Mas eu nunca realmente tive a intenção de nada disso. No fundo, eu sempre discordei. Eu sempre contestei. Mas eu sempre me calei. Achava desnecessário uma revolta. Porém, com a maioridade batendo aí na porta, a honestidade consigo mesmo e para com os outros torna-se quase uma exigência. E nada mais certo que isso. Foi um belo pontapé numa religião que nunca me serviu de muita coisa.

Agora, sobre religião, eis uma coisa que precisa ser dita: Ela não é, nunca foi, nem nunca será absoluta, perfeita ou 100% verdadeira, não importa quanta fé você invista. Não existe a religião perfeita. Não existe a doutrina absoluta. E nada do que lhe disserem, partindo de uma história de mais de 2000 anos de idade, será totalmente verdade.

O Deus que se prega, as vezes soa como um menino mau com uma lupa. Uma vez Onipotente, controlando tudo o que acontece, controla os maus pesares que se passam com todos, que vai saber porquê, agradecem pela “provação”. Eu não agradeço pelos meus problemas, e vou reclamar deles sim! Onde já se viu? É um Deus seletor, e preconceituoso, afinal, escolhe apenas as almas Arrependidas e conhecedoras dele para a vida eterna. Se você mentir, se pensar alguma coisa “errada”, e não se arrepender, será condenado. E ainda existe o preconceito! Se você opta por ser homossexual, então, estará banido do reino perfeitinho que Deus quer do lado dele, pois isso desobedece as leis dele. Como pode um ser assim ser comparado a um pai? Sim, um pai é misericordioso e amoroso, e pune seus filhos quando estão errados, e sente-se grato se os filhos expressam seu amor por ele. Mas um pai faria o bem a um filho mesmo que este nada lhe desse em troca. Nem atenção, nem arrependimento, nem amor, nem nada. Um pai não faria o filho passar por perrenhes, nem cobraria dele obras em seu nome. Pelo menos meu pai ou minha mãe, que sempre foram excelentes, nunca fariam uma coisa dessas. Quanto a remição de pecados, eu até agradeço se um dia alguém sacrificou-se por outros, mas eu não tenho nada com isso. Meu erros são meus erros, e eu não gostaria nem um pouco de alguém dando sangue por eles.

Colocando as falhas óbvias da religião de lado (e não é só a cristã que tem milhões de falhas assim), eu gostaria de destacar o fanatismo, a falta de respeito e a imposição religiosa, que são coisas que certamente abomino. A religião é naturalmente impositora. Isto é, ela impõe a você os conceitos dela, pois o que ela lhe diz é a verdade, e somente aquilo é a verdade, que deve ser seguida, acreditada e vivida. Isso lhe impõe apenas uma visão, limita seu estilo de vida, sua mente, lhe impõe algo prescrito pelos pregadores, tirando de si a personalidade e opinião própria. Aquilo que você pensa deve ser controlado, aquilo que você faz deve ser severamente revisado, e quem você é deve ser mudado. Isto não é mais só imposição, é uma falta de respeito. É uma repreensão a quem você é, ou o que você pensa. Quanto ao fanatismo, perdoe-me, mas eu julgo quem o pratica, um doente. Viver obcecado, cercado e limitado por palavras milenares de um possível mito, por que assim lhe disseram. Defender uma causa que já matou tantos, pelo nome de um ser que pode nem existir. E outra! Se vai levantar a bandeira de que é Cristão, então que faça isso da maneira certa. Respeite a religião que pretendeu seguir, antes de tentar pregar ou corrigir outros. Se disser que é um verdadeiro cristão, então aja de acordo com a bíblia, faça-me o favor. Não pense ou diga coisas torpes, não aja errado, não caçooe, ame, apenas dê, não julgue, e tente não respirar muito rápido.

A religião até tem alguns conceitos que acho saudável ensinar ao ser humano, como a ordem, o amor ao próximo, a comunhão e o empenho. Mas essas ações na sua essência, como alguns mandamentos. E não voltadas apenas ao ser Deus. Voltadas para a pessoa ao seu lado. Para si mesmo. E para com o meio.

O meio. Está aí um ponto de que muito me interessa. Não eu não vou pregar um sermão ambientalista. Quero dizer que o meio sim, é um verdadeiro Deus. Provê o que precisamos, e mantém uma ordem tão incrível e perfeita quanto se pode imaginar. Não se acha falhas na natureza. E ela não lhe castigará se lhe fizer bem. Ela não lhe julgará se pensar torto. Ela manterá seu equilíbrio, não importa o quê. É nesta força que realmente acredito. Se existe um Deus, aí está ele, meus queridos. Nessa harmonia perfeita, nessa força que reje desde o nascer de uma rosa até o pôr e o nascer do sol. Que rege os Astros Celestes e as formigas. É a força que une duas pessoas diferentes em amor, em amizade, em respeito e união. É a ajuda prestada a quem precisa e o ombro estendido a quem lhe procura. Isto sim é a religião que se vale. Isso sim é a sinceridade da alma e do Planeta. O perfeito equilíbrio da força do Universo e o Amor. E o Respeito. Aí está a salvação. Na felicidade de si, no sorriso dos outros, nos pequenos momentos de grande deleite na vida.

E eu sou meu Salvador. O amor é minha religião. E o Universo é meu Deus.

Amém.

7 Respostas para “Praise Be God.

    • Sei que devem pensar dessa forma, e é uma pena… Deveriam saber que as idéias que tenho são minhas, até mesmo por direito. Afinal, penso e sinto como qualquer outra pessoa que possa tirar próprias conclusões. E se me acham mesmo tão esperta e talentosa como dizem, então é bom que saibam o que essa pessoa esperta pensa. Mas, desculpe por acabar fazer parecendo que é culpa sua, hehe. Eu só amo que você esteja comigo, do meu lado. ♥

  1. Marina…
    Essa é a primeira vez que entro em seu blog…

    É difícil encontrar textos na internet em que os autores escrevam expressando suas sinceras opiniões, exibindo seus sentimentos ao abordar um determinado assunto. Muitos escrevem para que o leitor leia o que quer ler, sinta o que quer sentir e não leiam e sintam o que realmente deve ser lido e sentido. Eis aqui, nesse blog, uma exceção a regra.
    A forma com que você escreve, se utilizando de expressões rebruscadas (a palavra certa não seria “rebruscada” seria mais uma forma “bem pensada”, beirando um ar poético), acaba fazendo com que o leitor interprete o texto de forma mais analítica, com mais seriedade, ainda mais se tratando de religião, um tema tão polêmico e pessoal, por mutos visto como um tabu.
    O texto acima ficou fantástico! Difícil de definir em palavras diante de tal coesão de idéias bem formadas, que pelo visto, demorou muito tempo para serem formadas a ponto de serem exprimidas em palavras.
    Gostei muito da forma com que você retratou a imposição religiosa. afinal, a religião impõe doutrinas para que fiéis as sigam de acordo com os preceitos morais e éticos ou essas doutrinas são deturpadas para que sejam seguidas com outros ideais? Existem casos e casos ou ocorre em todos casos? rsrs
    Mas o que eu mais gostei foi o sétimo parágrafo, ou quase chegar a ser uma sétima estrofe, pois se assemelha a uma poesia. A jeito como você retrata Deus e Natureza ficou excelente. Lembra uma mescla entre Fernando Pessoa e Bento de Espinoza. Esse último foi um Filósofo racionalista do séc XVII, que pregava que ‘Deus sive Natura (Deus ou Natureza em latim) eram um só ser de infinitos atributos’. Bento foi excomungado por afirmar isso. Ainda bem que os tempos mudaram. Nota alguma semelhança? ; )
    Suas redações servem de inspiração para muitos, inclusive para mim, que, escreve de forma muito técnica, muito objtetiva. Tenho que usurpar um pouco do seu “eu poético”…
    Continue assim, escrevendo com o coração em conjunto com a razão e os sentimentos, pois falta muitos como você… e se você não seguir em alguma área de letras ou jornalismo, chega a ser um egoísmo de sua parte…

    Beijos Marina,
    Se cuida!

    Sem mais,
    Jeff

  2. E eu me surpreendia com o quê já havia lido… Me mandou isso só por ser sua masterpiece, não?

    Como uma boa música, seu encerramento só não foi melhor que a própria integralidade.

    Tudo que escreveste concordo, aliás, sei muito bem o quanto a ignorância supera quaisquer outro ponto da vida da pessoa fanática, não importa se a pessoa seja sua filha, sua irmã, seu sangue. O preconceito por etnia fazia mais sentido.

    Como sempre digo, “espero que, se Deus existir, não seja como dizem por aí, e seja realmente bom, que não selecione as almas de seus ‘fillhos’ por um ‘certo e errado’ que nunca pode nos ensinar pessoalmente, como saber qual é o ‘certo’ se não temos nenhuma base além das palavras de outras pessoas podres? Enfim, se existir, espero que seja como um pai mesmo, e ensine o que ele significa e explique o que ele pensa para ter deixado as coisas assim”.

    Permita-me citar uma passagem do seu texto:
    “Mas um pai faria o bem a um filho mesmo que este nada lhe desse em troca. Nem atenção, nem arrependimento, nem amor, nem nada. Um pai não faria o filho passar por perrenhes, nem cobraria dele obras em seu nome. Pelo menos meu pai ou minha mãe, que sempre foram excelentes, nunca fariam uma coisa dessas.”
    De fato, o termo “pai” nunca me pareceu mais estranho. Como você escreve uma coisa dessas que sempre esteve na minha cabeça? Aliás, a própria bíblia diz que a família deve vir em primeiro lugar, que é a verdadeira constituição… Então para que tantas igrejas e pais chutando os filhos para fora por não concordarem com ela? Hipocrisia…

    E por fim;
    “Meu erros são meus erros, e eu não gostaria nem um pouco de alguém dando sangue por eles.”
    Assim como os erros de outras pessoas SÃO DE OUTRAS PESSOAS.
    Que estória digna de mitologia grega é essa de pagarmos pelos crimes do primeiro homem e mulher? De todas as desculpas religiosas para a existência da morte, essa é a que faz menos sentido.

    Antigamente eu teria medo de soltar tantas chamadas “blasfêmias”… Mas se eu não pudesse pensar assim, por que teria essa capacidade afinal? Acho que fiz meu ponto.

    Sem falar que você não resumia tudo numa reclamação, mas no final também mostrou uma ótima verdade: “E eu sou meu Salvador. O amor é minha religião. E o Universo é meu Deus.”

    O quê você escreve parece ter saído da minha mente, mas o resultado final eu não alcançaria, isso é só seu mesmo!

    If you keep reading my mind like that, I’ll be really scared.

    • Man…
      you’re outstanding, as well…
      but thx!!
      Gosto dos seus coments (ou post, rs)
      E concordo com tuas complementaçõe, que formariam aí facilmente uma opinião muiito mais reforçada do que a minha.
      Valeu pelos elogios, e estarei atenta seus textos, beware.
      Que Jah o tenha… rs

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