O Câncer Verde-Amarelo

Tive prova bimestral de redação esses dias atrás, e terminei com uma rapidez comum a mim, como sempre. O tema era um tanto composto, mas não chegava a ser complicado. É claro que temas definidos sempre implicam numa certa limitação de trabalho, mas tem de se fazer o que tem de se fazer, e isso não há jeito. Segue a proposta da prova e minha redação. Até que vale a pena gastar um tempinho lendo, eu acho. Não ficou tão ruim.

“[…]

Tomando como exemplo os textos acima, escreva um texto reflexivo dissertativo argumentativo em que você faça uma análise social, política ou econômica do Brasil, usando o campo semântico da medicina.”

O Câncer Verde-Amarelo

Sabe-se que o clima do Brasil é agradável, quente e úmido. Sabe-se que as terras são vastas e belas. Sabe-se que os alimentos são variados e abundantes. Por tais dados, é possível encontrar o país nu panorama mais do que saudável. Mas, como em toda boa história, sempre há um porém. E este porém sempre vem a tona pelas mãos do ser humano. De longe, é possível reparar que o verde das matas aos poucos deixa as paisagens, devastadas. O clima abafado e quase árido alterna-se com tempestades sob um céu cinza-poluição, e os alimentos esvaem-se no estômago vazio de um país faminto. Tudo isto, já dito, veio como uma doença repentina e fatal, pelas mãos do povo.

O Brasil foi acometido pelos brasileiros. Silenciosamente, os bens são consumidos com veracidade por políticos sujos, que esquecem-se de lavar as mãos contaminadas pelas cédulas, e as mostram amarelas-decrétidas para o povo, que as cumprimentam com mum forte aperto de mãos. Estão contaminados! A doença se arrasta na pele manchada de hematomas da violência nas ruas e dentro de casa, numa geração que conta as balas das armas automáticas, tentando camuflar as dores das perdas de sangue com drogas elaboradas. Mal sabem.

Mal sabem os brasileiros, corruptos, ganaciosos, violentos, tolos e ignorantes, que morrem em silêncio, apodrecendo por dentro, como um veneno discreto, que se espalha fatalmente pelas ruas mal-cuidadas, pelas veias, destruindo aos poucos células sadias que lhe restam, morrendo sem cura num leito que, se antes bem cuidado, poderia estar vazio. A causa mortis é povo. As próprias células que se matam e devoram-se. O Brasil vai chegando ao seu túmulo, adoentado do câncer Verde-Amarelo.

Pessoalmente, odeio texto dissertativo e tema. Sou muito mais uma crônica livre. Mas deu no que deu. A professora disse que gostou. No dia, cogitou enviar à Galileu. Hoje, informou-me que a redação irá parar no site da escola. Mas ainda tenho a sensação de que eu faria coisa muito melhor.😀

Como diria Terk… Pelo menos uma professora tem que gostar de mim!

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