Clockwork Orange (Relatório III)

Faz algum tempo que já terminamos de assistir ao filme (provavelmente, uma semana e pouco) e eu não me dignei a colocar a preguiça de lado, tomar vergonha na cara e terminar meus relatórios. Pra variar. Well, well… Vamos tomando a providência então.

Relatório 3 de Laranja Mecânica

Visto da cena em que Alex submete-se ao tratamento Ludovico, até sua apresentação pública.

Alex, após passar por interrogatório policial e obedecer as tolas normas de distância da bancada, de tolerar o andar duro do policial, é examinado como um perfeito animal e então, mandado para sua cela. A prisão é um lugar ruim, com certeza. Porém, Alex se empenha em tornar-se ávido seguidor do “padre”. Intera-se da bíblia, e demonstrando bom semblante, o jovem parece convencer que está para se tornar melhor, embora ainda seje possível encarar nos olhos do garoto suas antigas atrocidades. Confirma com o padre uma conversa que escutou de alguns policias sobre um método de tratamento que poderia tirá-lo da prisão e libertá-lo em 15 dias, e logo empoleirou-se o máximo para poder conseguir tal tratamento. Num dia típico, o diretor examina os presos e escolhe o jovem Alex a dedo para que ele possa ser submetido ao método Ludovico, o tal método ao qual Alex ouvira falar. E assim é feito. Uma vez muito bem acamado e alimentado no instituto, Alex é medicado com algo que desconhece e então é submetido a um estranho tratamento de choque, onde é obrigado a assistir um filme “ultraviolento”. Porém, ele os assiste revirando-se de náusea, pelo medicamento anteriormente dado. Em uma das sessões, enquanto assiste a um massacre nazista, ele reconhece a trilha sonora como a nona sinfonia de Beethoven. Neste exato momento, ele desespera-se, implorando para que parem ali mesmo o tratamento, pois era injusto que passasse mal enquanto escutava Ludwig Van. É claro que o tratamento continuou, visto que até mesmo a trilha sonora surtiria efeito no paciente. Os 15 dias são passados assim, neste tratamento de choque. Então, chega o momento de apresentar aos superiores o “magnífico” resultado do trabalho com o criminoso. Exibido em um palco, na frente de todos, Alex é humilhado por um homem sem motivo algum. Apenas a simples idéia de revidar o deixava enjoado e doente. Foi ao chão, onde o homem o fez lamber inúmeras vezes a sola de seu sapato, uma vez que Alex era completamente impossibilitado de reagir. Foi então, a vez de testar sua violência sexual. Uma mulher de seios descobertos, sedutora, avançou em direção a Alex, mas a simples aproximação o fez ir ao chão mais uma vez, enjoado ao extremo. Os superiores aplaudiram. “É um milagre, ele está curado!”. E Alex é enfim, liberto para a sociedade considerado novo e bom.

Em seu ingresso na prisão, podemos reparar na futilidade e inutilidade das normas de distância do balcão, podendno ser considerado uma simples imposição de regras. Podemos reparar a tolice e a teatralidade do andar do soldado, que parece fazer aquilo para definir o que é. O passo firme, espaçado, a voz alta e imponente. No exame, Alex recebe um númro, que substituirá seu nome. Está aí a significância da substituição do ser pelo número. Não passa de um número a mais. Os cultos religiosos com o “padre” são de constante deboche por parte dos criminosos, e o “padre” explicita inúmeras e inúmeras vezes a condenação da alma, da hipocrisia e exagero religioso. Porém, Alex parece tão empenhado que é possível até deixar de reconhecê-lo. Possui o semblante calmo e a bíblia nas mãos, sempre acompanhando o “padre”. Depois de escutar sobre o método Ludovico, fica clara a sua vontade em simplismente sair daquele lugar. E assim consegue. O método é bruto, é completamente destituído de qualquer cuidado com os direitos humanos, ou qualquer ação humana, pois o método nada mais é do que uma completa desumanização. É a perfeita domestificação dos atos. Impõem a idéia de doença ao corpo e a vontade da própria morte associada com as cenas de violência (e a sinfonia de Beethoven), adestrando e conduzindo o comportamento de Alex. Testado, os superiores ignoram que Alex demonstra a vontade da violência, e o desejo sexual, e relevam o fato de que, mesmo que ele queira, é impossibilitado de fazer. Aplaudido por sua então submissão animal, ele é liberto.

Para maiores conclusões, aguardo mais cenas do filme.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s