Clockwork Orange (Relatório I)

Relatório das primeiras cenas de Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick. Visto da primeira cena, no Moloko, até a loja de música, onde conhece duas garotas.

É escandalizador, sem dúvidas, as impressões causadas pelos detalhes gritantes que se encontram no filme. Desde os móveis do Moloko, que tratam de mulheres em pose sexual de submissão, até as pinturas na parede do Hall do prédio de Alex, ou das artes em seu quarto. Mostra explicitamente um interesse sexual sem controle ou pudor. O vocabulário do excêntrico protagonista é também vasto e singular, com muitas expressões próprias e colocações rebuscadas. Temos a idolatria de Alex por Ludwig Van Bethoven, uma contraposição á sua personalidade agressiva e sem escrúpulos, uma vez que abusa da violência contra outras pessoas, como o velho moribundo a quem ele e sua gangue de retardatários (nada inteligentes comparado ao protagonista) surram na rua, ou a mulher do escritor, a quem estupram, na maior tranquilidade (Alex chega a cantar e dançar Singing In The Rain), ou a gangue de seu inimigo, um rato sujo chamado Billy Boy. A violência retratada é intensamente coreografada, e acontece à trilha sonora de Bethoven, como se fosse um musical bem feito (aqui cabe o exemplo da dança de Alex durante o estupro). Os móveis, pessoas e figurinos dão claramente a entender que é retratado no futuro britânico. Quanto a maquiagem de Alex, parece representar dois extremos de si, como o belo abstrato e seu olhar feroz (usa cílios postiços em apenas um olho).

Tentando trazer tais observações para os dias atuais, vemos muitos contrastes, que encaixam-se ou repelem-se. Estes são a liguagem rebuscada de Alex, que é algo completamente perdido em nosso tempo. Ninguém mais se dá o trabalho de falar polidamente. Temos a música de Bethoven, um completo avesso nos dias atuais, onde a cultura morre cada vez mais. Música clássica é extinta e perdida entre todos. Apenas para quem trabalha com tal estilo musical a aprecia de verdade, como bailarinos, músicos líricos ou este tipo de profissão. Por outro lado, a falta de importância dada ao sexo e ao pudor estão presentes e sempre vivos na sociedade. E isto, mesmo que digam ser proibido ou controlado, é totalmente explícito. Quanto a violência, esta é uma comparação que quase não exige comentários. A ultra-violência, como é colocada no filme, é uma amostra abstrata, porém realista do que se vive em dias atuais. A agressão sem motivos, o desejo sexual indiscriminado, e toda a “porrada” sem escrúpulos ou limites é facilmente encontrada nas nossas ruas.

Para maiores conclusões, espero as próximas cenas do filme.

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