De Baixo de Sete Chaves

Nestes anos (poucos) de vida, passei por muita coisa, certamente. Que acho cansativo demais para ir tecendo por aqui, assim, sem mais nem menos. Creio que reservo tais detalhes a quem me tem ao lado verdadeiramente pelo tempo. E, por ter levado tantas, e atravessado mais outras, penso muito a respeito de tudo. Sempre tento ao menos saber por que tais coisas acontecem, e na maioria das vezes, comigo. Mas isso é outro assunto, pra outra ocasião.

O que venho aqui dizer é que ultimamente, ando tecendo muito (e não é de agora) uma idéia sobre amizade. Sempre pensei que já a tivesse bem concluída na cabeça. Mas é nessas horas que todas as suas conclusões parecem querer provar estarem erradas.

Não sei dizer se sou muito ingênua, ou o contrário. Talvez eu até seja, confio facilmente em qualquer um que me ofereça um sorriso e bons momentos. Tolinha, claro.

A questão é que uma amizade é construída do ponto zero. Do nada, por nada. Ela simplesmente se mostra ali, presente, funcional e companheira. Não tem interesses, não tem implicações, não tem condições ou limitações. É verdadeira por si só, pela convivência de duas pessoas que se dispõem uma a outra, que se aceitam, que se conhecem e verdadeiramente se respeitam, não importando idade, não importando sexo, não importando estado civil, status social, ou qualquer outra baboseira. Ela cresce, ela se fortalece e, em pouco tempo, ela te revela uma pessoa em que sempre poderá contar e vice-versa. E, ao passo que ela se decorre, ela se mostra cada vez mais incrível e nova.

Tomarei aqui de um exemplo pessoal, se me permitem. Conheço Hay Lin, a quem considero uma irmã, desde meus 2 anos. Isso significa mais de década de amizade. Bem mais. Hay Lin sempre foi um grande oposto meu. Quieta, comportada, educadinha, meiga. Uma doçura de menina. Quanto a mim, bem… Quem me conhece, percebe aqui as contradições. Para quem não conhece, acreditem quando digo que é sim um oposto. Porém, ao decorrer da infância, nos criamos juntas. Hay Lin sempre se divertia com minhas asneiras e estardalhaços, e por isso, criamos um laço. Ela tornou-se minha confidente. E foi ela quem esteve junto a mim no decorrer das desventuras da minha vidinha enfurecida. Não só ela, claro, mas vamos focar no exemplo. Ela esteve lá para me consolar, para me ouvir, ou para falar. Para me abraçar ou me bater, me acolher ou sorrir. Mesmo se errássemos uma com a outra, isto não era importante. A amizade era forte o suficiente para passar por uma lombada ou mais sem maiores estragos, seguindo viagem indiferente. Brigamos, sim. Mas nunca me lembro de uma única briga em que nos odiamos, falamos mal uma da outra, jogamos contra na cara da outra, ou qualquer outro quebra-pau horrendo. Brigas e desentendimentos acontecem a qualquer um. Até consigo mesmo. Mas aí é que está a beleza majestosa da amizade. Isso não importa. Isso passa. E a vida segue da mesmíssima forma.

Temos dias silenciosos e apagados, em que mal nos falamos ou nos olhamos. Não por desavença, mas por simples efeito do tempo. São anos a fio juntas. Porém, mesmo depois de eras, há dias e dias que passamos o tempo inteiro conversando ou rindo, viajando juntas, ou passando horas no telefone.

Cada sorriso dela é para mim como uma miragem num deserto. Cada momento é um pedaço precioso de uma coleção sem preço. Seja ele silencioso, triste ou divertido.

Já escutei que verdadeira amizade é aquela na qual mesmo estando horas em silêncio, ao separarem-se, ambos sentem que tiveram uma das melhores conversas da vida.

Este exemplo também é a prova de que se pode existir a amizade com qualquer um. Seja esta pessoa parecida, ou completamente oposta, isto não é relevante. Isto não muda a amizade e nem a prejudica. É o simples respeito e carinho. É um casamento perfeito, sem as carícias, é claro. Ou o contrato. Ou o padre… Enfim.

Conheço outros tipos de amizade a parte deste que cultivo há tantos milênios com Hay Lin. Conheço minhas garotas, Will e Taranee, há alguns bons 6 anos, e estas me acompanham da mesma forma. São meu pedaço de vida. Isto sem falar de Bob, ou Terk, ou outras pessoas incríveis com as quais convivo. Algumas talvez não perdurem como sei que outras perdurarão. Mas não deixam de conter todas as especialidades que já expus. São únicas, e perfeitas pelo que são.

Por ser a mais natural amizade possível. Pessoas que escolheram estar ao meu lado, que escolheram me entender, me ouvir, me acompanhar, me abraçar e me aceitar. E vice-versa.

E eu posso dizer então a tais pessoas que sou feliz pelos momentos que tenho ao lado delas, e que as amo de coração, sempre em minha memória e história.

Pela verdadeira amizade, guardada a sete chaves.

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2 Respostas para “De Baixo de Sete Chaves

  1. Amizade verdadeira é um combinado de respeito mútuo e sinceridade… sinceridade sempre. O que foge disso resume-se há apenas algumas pessoas que compartilham um mesmo contexto. Bom pra ti ter pessoas que se enquadram nessas características.

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