Let the sun shine!

Dinheiro.

Uma linda mulher de fartos seios ao seu lado da cama.

Um homem escultural comprando-lhe jóias.

Um carro importado.

Um emprego fácil, que lhe dê dinheiro rápido e em grande quantidade.

Uma carteira rechonchuda.

Uma casa de 40 cômodos.

Um navio com o seu nome.

Um champagne com o seu nome.

Um cheque prime club no seu nome.

Um cartão de crédito dourado, edição limitada.

Tudo que alguém pode querer, pra poder morrer feliz e virar pó, provavelmente jogado no mar, no Ganges, no Himalaia. E tudo que se conseguiu… Todo o trabalho, o dinheiro, as mulheres, os carros… Tudo continua vivo, enquanto o corpo se decompõe e os vermes comem os glóbulos oculares e os dedos que antes contavam as cédulas na carteira cheia. Pra quê, me diz, que eu quero saber?

Pra quê trabalhar como condenado a vida toda, pra juntar dinheiro extra no banco, pra ter sobrando pra quando estiver mais velho, pra poder cuidar da saúde, enquanto se pensa em tudo que se podia ter feito nessa vida.

Não condeno a moeda (não totalmente). Não condeno a ambição (não totalmente). Condeno a falta de propósito. De vida. De Inanição. Pra quê você vive? Por quem você vive? O que é essa sua vida?

Quantos lugares do mundo você já conheceu? Quantas pessoas diferentes e desconhecidas você já ganhou amizade? Quantas histórias você tem pra contar aos netos? Quantos ossos quebrados? Quantas cicatrizes? Quantas lágrimas? Quantos sorrisos? Quantos sonhos? Qual é a soma da sua existência?

O fim dela é em cifras, ou em lembranças, em fôlego e sangue?

Ultimamente, o sistema em que o mundo se mostra baseado cada vez cospe mais na nossa cara. E parecemos nem nos importar! Como se o chefe gritasse com você, tomasse todo o seu tempo e energia, e você apenas concordasse, de cabeça baixa. Pra quê?!

Eu posso estar sendo muito, mas muito, mas muuito ingênua e supérflua no que digo. Sobre dinheiro, meta, vida. Mas é que ultimamente, ando pesando certos valores que antes, sempre fui apenas obrigada a aceitar. A contar o troco, a estudar firme pras provas. Pra mim, eu não quero isso.

Claro, não pretendo me revoltar, me isolar do mundo, botar algumas coisas na mochila e ir morar no Alasca. Mas ir embora, com certeza.

Não pra apenas deixar as pessoas para trás. Elas, as que eu escolhi para ter ao meu redor, com certeza valem a estadia. Eu falo agora, dos Hippies. Da ideologia incrível do Paz e Amor. Do ser e deixe estar. Ame, e deixe-se amar. Viva a essência do que se é. Do ser incrível que somos. De olhar para as estrelas no céu e ver mais que astros com nomes. De olhar o mar e ver mais do que água salgada. De respirar e sentir mais que carbono e poluentes. Migrar, sumir, voltar e ir. Ver o mundo, ver mais litorais, mais horizontes, povos de outras cores, de outros olhares, de outros sorrisos. Amar a natureza como ela merece. Deitar na grama. Abraçar uma árvore. Tomar banho num lago. Secar ao sol. Aproveitar o frio. Fazer uma tiara de flores e presenciar os maiores milagres e felicidades que tudo pode oferecer. Sem se preocupar com os relatórios de segunda, a cor da gravata, o prova de física quântica. Seja livre de tudo. Ser livre de si! Aprender a voar. A contar as cores do arco-íris. Abrir os olhos dentro de uma barraca na relva, escutar o barulho da cachoeira, abrir o zíper e deixar o sol brilhar. Deixar o brilho do sol entrar.

Let the Sun Shine.

Let the Sunshine In.

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2 Respostas para “Let the sun shine!

  1. O qoheleth fala

    O livro de Eclesiastes trata dessa situação em que é preciso encarar a angústia de um mundo sem sentido. O pregador (goheleth em hebraico) concorda com o existencialista, dizendo: “Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vendo” (Ec. 1:14). Ele tenta encontrar a sabedoria, mas isso o leva ao desespero: “Pois, tanto do sábio como do tolo, a memória não durará para sempre; pois, passados alguns dias, cai no esquecimento. Ah! Morre o sábio, e da mesma sorte, o tolo!” (2:16). Ele experimenta com a busca do prazer da estética, mas conclui novamente: “Considerei todas as obras que se fizeram as minhas mãos, como também o trabalho que eu, com fadigas, havia feito; e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento, e nenhum proveito havia debaixo do sol” (2:11). Ele inclusive abraça o absurdo, a loucura e a tolice, mas novamente uma crise relacionada ao seu encontro com a morte o enche de angústia, pois “os olhos do sábio estão na sua cabeça, mas o tolo anda em trevas; contudo, entendi que o mesmo lhes sucede a ambos” (2:14).

    “Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isso é o dever de todo homem. Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más” (Ec.12:1314).

    (Extraído do ensaio sobre “Existencialismo” de Brian Godawa)

  2. “Olhares distantes, mentes brilhantes insanas
    Caracteres moldados, reputações a zelar
    Dinheiro, poder, uma espécie em decadência
    Correndo atrás do vendo”.

    (Los Ronegas)

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