Dígito 09.

Já vi tantas retrospectivas por aí de 2009… Da Globo, da Veja, da MTV, das rádios, dos produtos… E, ultimamente, um pouco de retrospectivas de Blogs. E por mais estranho que pareça, foram as mais interessantes. Afinal, demonstra o quanto uma pessoa apegou-se (ou não) ao ano, as experiências, aprendizados, perdas, ganhos, etc. de um modo sincero e pessoal. Mesmo que pareça tolo, foi um ano a mais (ou a menos) para alguém, em muitos lugares. O meu não foi diferente. Ou foi. Bem diferente.

Percebi este ano o quão instável sou, mas o quanto me surpreende que posso controlar isso, sem perceber. O quanto minha distração avançou e regressou. O número de amizades que semeei e, rapidamente, colhi. E quão bons foram os frutos, mesmo que nem sempre tão maduros. Percebi que sou bem mais fraca do que imaginava… E um pouco mais forte do que imaginavam. Ganhei e perdi, e não sei dizer o quão balanceado e justo isso foi, mesmo porquê, acho que perdi o senso disto há um certo tempo. Sinto que envelheci uns 20 anos, mas retrocedi à infância milhões e milhões de vezes. Foram 12 meses, 365 dias… De puro Darwinismo. Evolução, creio eu. Ou não. Aqui clamo Einstein e a Relatividade. Tudo dependerá do ponto de vista…

A virada, onde 2008 foi deixado para trás, foi na praia. Certamente, deliciosa. Um casal de amigos de minha irmã, minha irmã e o marido, minha mãe, e um primo. Os fogos, as noites de jogatina (Não poker, Jogo Da Vida), o passeio de Banana Boat (com queda), a tentativa de invadir uma Rave particular… E um telefonema beira-mar. De um alguém que eu cultivei uma história de anos de amizade e, naquele momento, mais que isso.

Passo um bom tempo com minha amiga/irmã numa outra praia, em contato com outro grande amigo nosso. Retorna o ano letivo. 2° ano numa escola onde eu tinha me adaptado bem, pelo que imaginava. Uma nova amiga, uma antiga, que se tornou nova, um antigo, que continuou melhor e melhor, a falta de uma antiga, que tinha ido pra outro estado… E a companhia da eterna. Sem contar com todos os outros, que com certeza, contam. Passam-se testes, provas, atividades. Mais testes, provas e atividades de um começo de semestre. Nada muito a se preocupar (pelo menos não pra mim. Não, não é modéstia… É que sei me ajustar, do meu jeito). Uma notícia. Que pra mim, foi como saber que estava anunciada a Guerra Fria. Mas nada havia de negativo.

Eu e minha mãe estávamos naquele momento planejando uma viagem de meio de ano, nas férias… Para Minas Gerais. Eu iria conhecê-lo, depois de quatro anos. 13 horas de viagem. Uma semana em uma cidadezinha calorosa… E uma aliança. Durante toda a expectativa, a estadia, e tudo o mais… Pareceu o melhor sonho já traçado pelo inconsciente de uma garota apaixonada. E foi real. Até a volta.

Beirando uma depressão, por ter voltado, por ter deixado, as amigas socorreram, (surgiram novos) os amigos conversaram… E o poço levou 1 mês pra mostrar seu fundo. Bastou uma ou duas ligações, quase nenhuma insistência… E lá se foi a aliança se perder em algum lugar do armário. Foi uma fase. Uma bem intensa, daquelas que marca a vida. Mas fase é um degrau. E continuei subindo.

O bom de ser do jeito estranho que sou, é que mudo. Me moldo, me adapto, mesmo que a contragosto as vezes, me convenço… E supero.

Foi neste momento, acho eu, que toda a mágica começou a acontecer. Chame de mágica, ciência ou tempo… Aconteceu. Me moldei, me adaptei, me convenci. Formulei teorias, escrevi polêmicas, falei sobre conspirações, inspirei a mais inconstante mudança. Depois de 1 mês de uma mente vazia e um corpo ferido, foi como se o Big Bang tivesse sido desvendado de uma vez, por uma só pessoa, dentro de um só organismo. E lá eu estava, vivendo então. É engraçado como as coisas acontecem, e parecem simplesmente acontecer. Mas na verdade, tudo faz parte de uma coisa só, que são várias que só enxergamos devagar, num plano sem pé nem cabeça, que gira sem parar numa órbita alucinada, dentro de um grande sistema que nos compreende, mas não limita… E que pode fazer tudo acontecer. Sem o simplesmente. Se isso pode ser chamado de vida, não é pra mim que tem que perguntar. É fase, ou não. Eu disse que escrevia polêmicas, conspirações e todo tipo de maluquice.

No meio dessa guinada desenfreada, tornei-me próxima de um alguém já próximo, mas, se me permite a contradição, distante. Mais uma vez, é engraçado como as coisas parecem acontecer. Como as pessoas se trombam nessa vida. Umas vezes na hora errada… E outras, pontualmente. O ciclo toma um eixo e torna-se constante. Conversas, devaneios, experiências. Loucuras, como sempre, são as mais necessitadas. Evolução. Relatividade. Não vou voltar o começo, acho que o ponto já foi esclarecido. Enfim, foi o suficiente para que este alguém se tornasse marcado, sem a menor sombra de dúvidas. Essencial. Especial. Igual, ou não. Um sobrevivente.

Foi neste ponto em que o blog começou. Ou um pouco antes, ou um pouco depois. Tudo parece fazer um pouco mais de sentido? É, eu sei que não. Sem problemas. Prossigo?

Estou agora no início de setembro. Uma viagem à praia com os amigos. Foi convidado o amigo de um amigo. De certa forma eu já o conhecia, como todos eu já havia conhecido um dia. Criança, eu corria sempre como uma maluca pra lá e pra cá, sem prestar muita atenção, sempre esbarrando nos outros. Cresci, tornei a conhecê-los, e lá estávamos nós, naquela praia semi-deserta. Risadas, besteiras, flashes permanentes, como todos os bons amigos rendem. De volta, eu e ele permanecemos em contato… E em pouco tempo, estávamos de lábios e mãos dadas. Nunca fui uma pessoa de difícil convivência, me apego fácil, e vice-versa… Mas eu realmente não esperava algo mais.

E foi justamente (o contrário) o que aconteceu. Aquele amigo de um amigo se mostrou cada vez mais totalmente diferente de todos, e cada vez mais interessante, e mais interessado. Nossa aproximação foi no início, um tanto hesitante, mas depois, foi como que inevitável. E percebi estar apaixonada. Ele pôs de lado seus medos e pediu-me em namoro. Eu aceitei. Um mês depois, desconfiávamos de que era realmente mais sério. No dia 30 de novembro, ele puxou um par de alianças do bolso e disse que me amava. Tenho-a no dedo até agora. E não pretendo tirá-la por um longo, longo tempo. Eu o amava. Eu o amo.

Transcorre-se o resto do ano em passo rápido, mudado, com cheiro de velho arrastado, meio mofado, mas que ainda resistia. Passou-se o surto de uma doença, uma crise econômica mundial, um transtorno climático, um caos crescente na cidade, um apagão. Foi-se o Natal. Passou-se um ano. Para mim, para você, e para o mundo. Passou-se 2009.

Chegou 2010.

É uma página em branco nos bancos de dados do presente… Do futuro. Mas que será escrita. Obviamente. Não há como isso ser impedido, porquê o mundo não pára, o planeta gira e a Evolução continua. Para mim, para você, e para o mundo.

Ou não.

Feliz 2010. 😀

Agradeço a Dick, Hay Lin, Taranee, Will, Bob, Terk, Rouxinol, Vox, Buballoo, Buttercup, Old Janis, Harry, Petit… E todas as inúmeras pessoas maravilhosas que marcaram este ano, todo o resto da minha vida.

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2 Respostas para “Dígito 09.

  1. Foi bom enquanto durou. Um ano de conflitos, risos e sonhos em devaneios. Frases prontas, bordões e egos massageados, um mesmo orgulho compartilhado, desafios e equívocos. Metáforas, alegorias, parábolas… Piadas prontas? Não importa, era tudo explicitado. Dança sobre chamas, falta de noção que poderia se morrer queimado. Surtos, sinceridade? Demasiadamente humanos. 2009 ficou pra trás, como uma bela história que encanta, maltrata e sobrevive-se no final. Real.
    Foi bom enquanto durou, no fim… tudo se explicou.

    Praguinha Pretenciosa ou apenas… Mariçoca.

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