Lindo Colibri.

Aviso: Post Besta.

Em meio a aula de Geografia, Rouxinol puxou a melodia infantil, mas catching da músiquinha… “Eu preciso de você, você precisa de mim, nós precisamod e Cristo, até o fim… Sem parar, sem cessar, sem vacilar, sem temer, sem chorar…” Na segunda vez, Terk se juntou a nós e então, nas consecutivas, Bob e Tuki também embalaram. Depois de um tempo, paramos. Mas eu já estava animada demais pra sufocar as melodias com lições de Super Potências Mundiais…

Comecei a cantar sozinha, em alto e bom som, uma músiquinha há muito tempo esquecida, mas que me marcou muito, e provavelmente só eu lembre da cena… No filme infantil “A Hora do Recreio” (com uma excelente trilha sonora, com direito a Steppenwolf), existe um momento em que em cima da árvore, na vigilha da noite, os 5 amigos, tão diferentes um do outro, relembram da infância cantando. E a melodia tomou força na minha voz. Terminei com as mãos pra cima, nos exatos gestos doidos que compõe a loucura. Deparei com a professora e a turma do fundo (onde estou) me encarando. Olhei para ela, abaixei os braços… e Caímos as duas na gargalhada. Depois ensinei a musiquinha a todos eles…

Eu fui no parque passear

Junto do Lago Azul…

E foi então que eu vi

um lindo Colibri

Sob o sol bem alegre a cantar…

La la la la la la la!!

Na segunda, provavelmente não irão se lembrar…

Mas eu não esquecerei aquelas gargalhadas…

Futuro é para os fracos.

Aviso: Post Besta.

 

Estávamos reunidos, o grupo do fundo do canto direito, os mesmo doidos de sempre… Rouxinol, Terk, Tuki, Bob e eu. Discutíamos sobre nossos possíveis futuros, nossas metas, cursos facultativos… Tuki estava completamente indeciso e pediu nossa ajuda, fomos puxando mil e uma possíveis carreiras e acabamos nos envolvendo na dúvida. Discussão vem e vai, passando de ternos e gravatas para ferramentas e tinturas, tecidos e até mesmo, plantações e contrabandos, quando Tuki revoltou-se…

-Meu, Dane-se o futuro! Eu sou o Macaco-Louco, eu vou dominar o mundo, e nada mais importa.

-Vai contruir uma base em cima de um vulcão e vestir uma capa roxa?

-Vou. E se bobear, ainda vou dar uma de Michael Jackson pra cima das meninas superpoderosas.

-O importante é acreditar em você, parceiro – foi o meu conselho.

Ah, futuro é para os fracos. Que seja criada a fantasia. shaushuashsashasuha!

 

😀

Mudo em pensamento

A citação no blog de minha prima (meninadovento.wordpress.com) me fez pensar em algo que eu já andava amadurecendo na cachola…

eu sei que eu deveria pensar menos…

mas o problema é que eu penso demais.

e aí complico tudo

enquanto, na verdade, tudo é tão mais simples.

Todo pensamento muda e os meus, parecem ser completamente ciganos.

Ora estão cá neste continente, ora para os hemisféros gélidos. Ora estão banhando-se em clima tropical, ora estão impregnados nos flocos de gelo, em algum lugar do Everest. Ora rolam pirambeira abaixo, ora ruflam asas pela estratosfera. Ora amam, ora odeiam.

Mas até que de certa forma me agrada ser completamente sônica em pensamentos… Me agrada não ser muda deles… Me agrada mudá-los.

Em prol de Darwin, maybe.

Vai pôr um chinelo, menina!

Aviso: Post Besta.

 

Ontem a noite, o chão molhado de chuva, escuro em meio as árvores, minha mãe me pegou descalça andando pelo quintal.

-Vai pôr um chinelonesse pé, menina! Ô mania de andar descalça!!

Eu, a fim de implicar com o conceito maternal, respondi com deliciosa ironia.

-Mãe, deixe de encanações! Liberte-se da prisão do plástico impedindo seu contato com o meio, seja livre disso! Sabe como faz bem andar descalça? Já fez isso pelo quintal?

-Eu quero ver é você pisar na merda. – Ela me desafiou.

Eu estava mesmo a fim de um desafio. Calma, eu só ousei responder em um bom nível.

-Seria natural, pois eu teria contato com um simples dejeto, algo que passou pelo organismo humano num processo de metamorfose necessária…

Ela me olhou seca e retrucou:

-Então eu vou sentar a aqui e fabricar um pra você sentir pelos dedos. Satisfeita?

Contra este argumento eu não achei prudente continuar. Ela tinha me ganhado com o sarcasmo.

-Agora vai por o chinelo e não me enche o saco.

-Sim, mãe…

 

Old Janis

18 de novembro. Nasceu neste dia uma mulher que talvez você não conheça, nem teu vizinho ou teu familiar. Talvez a existência dela neste momento nem faça diferença em sua vida, afinal não tens necessidade dela, nem por ela cultiva afeto. Talvez você a conheça, mas de passagem, como que tendo uma impressão leviana que atrás daqueles óculos de aros astronáuticos e daquele jeito sarcástico, ela seja mais uma irrelevância. Se for um colega de escritório, talvez veja-a sorrir mais, enfadar-se mais. Se for um parente, talvez tenha mais carinho, tenha conversado um pouco, tenha criado algum laço, mas mesmo assim, não tenha se interessado o suficiente…

Porquê pra mim, aquela mulher representa um mistério e uma explicidade tão impactantes e sim, relevantes, que toran-se até mesmo confuso descrever em um post de blog. Um símbolo, muitas vezes mal interpretado, por ter sido visto as avessas, ou tão de perto. Uma vez olhado uma obra prima de perto, é possível ver os defeitos, as falhas das cores, as curvas mal-feitas… mas isto não muda o fato de que é uma obra-prima. E de que muitos pintores ainda farão de tudo para reproduzi-la em exatidão, seja com defeitos ou não.

A flor selvagem que cresce nos jardins regados de experiência e visão de mundo. Nunca duvidei de suas palavras (okay, posso ter duvidado, mas só acredito no que duvido, como assim disse Renato Russo), nunca deturpei suas predições (okay, posso ter deturpado, mas sempre acabo voltando atrás). O respeito e o amor com os quais a devoto serão sempre líquidos, límpidos e eternos, como uma fonte que brota no árido deserto.

Serei sempre dela e ela minha, mesmo que a vida venha nos levar em caminhos divergentes e embassados. Foi pra isso que fui preparada, foi para isso que ela me preparou.

É por tanto tempo e tanta universalidade de sentimentos, situações e lições, risadas sem sentido, lágrimas de raiva ou de tristeza, apoio, convivência e AMOR que hoje dedico estas palavras (que na minha opinião, ainda não alcançaram a soberbidade merecida por ela) a minha mãe.

Feliz Aniversário “Janis”. 😀

Tu és responsável pelo que cativas.

Voltei hoje de cabeça cheia do curso, pra variar. Decidi puxar os fones, botei um Bowie (com Mayer na cabeça) e abri O Pequeno Príncipe, pra organizar os pensamentos. Havia parado na minha parte preferida. Me surpreende a utilidade.

E foi então que apareceu a raposa:

-Bom dia – disse a raposa.

-Bom dia – respondeu educadamente o pequeno príncipe que, olhando a sua volta, nada viu.

-Eu estou aqui – disse a voz – debaixo da macieira…

-Quem és tu? – perguntou o principezinho – tu és tão bonita!

-Sou uma raposa – disse a raposa.

-Vem brincar comigo – propôs ele. – Estou tão triste…

-Eu não posso brincar contigo – disse a raposa – Não me cativaram ainda.

-Ah! Desculpa. – Disse o principezinho

Mas após refletir, acrescentou:

-Que quer dizer “cativar”?

-Tu não és daqui – disse a raposa. – Que procuras?

-Procuro os homens – disse o pequeno príncipe – Que quer dizer “cativar”?

-Os homens – disse a raposa – têm fuzis e caçam. É assustador! Criam galinhas também. É a única coisa que fazem de interessante. Tu procuras galinhas?

-Não. Eu procuro amigos. –disse o príncipe. – Que quer dizer “cativar”?

-É algo quase sempre esquecido. – disse a raposa. – Significa “criar laços.”

-Criar laços?

-Exatamente. – disse a raposa. – Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a ti uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo.

-Começo a compreender – disse o pequeno príncipe. – Existe uma flor… eu creio que ela me cativou…

-É possível – disse a raposa – vê-se tanta coisa na Terra…

-Oh! Não foi na Terra – disse o principezinho.

A raposa pareceu intrigada:

-Num outro planeta?

-Sim.

-Há caçadores neste planeta?

-Não.

-Que bom! E galinhas?

-Também não.

-Nada é perfeito.

Mas a raposa retomou seu raciocínio.

-Minha vida é monótona. Eu caço galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens também. E isso me incomoda um pouco. Mas, se tu me cativas, minha vida será como cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me chamarão para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha!  Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim não vale nada. Os campos d etrigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos dourados. Então será maravilhoso quando tiveres me cativado. O trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo…

A raposa calou-se e observou por muito tempo o príncipe:

-Por favor… cativa-me! – disse ela.

Eu até gostaria – disse o principezinho – mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.

-A gente só conhece bem as coisas que cativou. – disse a raposa – Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo já pronto nas lojas. Mas, como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!

-Que é preciso fazer? – perguntou o pequeno príncipe.

-É preciso ser paciente – respondeu a raposa. – Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto…

No dia seguinte o principezinho voltou.

-Teria sido melhor se voltasse à mesma hora – disse a raposa – Se tu vens, por exemplo, as 4 horas, desde as três eu começarei a ser feliz. Às 4 horas, então, estarei inquieta eagitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar meu coração… é preciso que haja um ritual.

-Que é um “ritual”? – perguntou o principezinho.

-É uma coisa muito esquecida também. – disse a raposa – E o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, adotam um ritual. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira é então o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem em qualquer dia, os dias seriam todos iguais e eu não teria férias!

Assim, o pequeno príncipe cativou a raposa. Mas, quando cehgou a hora da partida, a raposa disse:

-Ah, eu vou chorar.

-A culpa é tua – disse o principezinho – Eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse…

-Quis. – disse a raposa.

-Mas tu vais chorar! – disse ele.

-Vou. – disse a raposa.

-Então, não terás ganho nada!

-Terei, sim – disse a raposa – por causa da cor do trigo. Depois, ela acrescentou: – Vai rever as rosas, assim compreenderás que a tua é única no mundo. Tu voltarás e eu te presentearei com um segredo.

O pequeno príncipe foi rever as rosas:

-Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes a ninguém. Sois como era minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu a tornei minha amiga. Agora ela é única no mundo.

E as rosas ficaram desapontadas.

-Sois belas, mas vazias – continuou ele – Não se pode morrer por vós. Um passante qualquer sem dúvida pensaria que a minha rosa se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que todas vós, pois foi ela quem abriguei com o pára-vento. Foi nela que matei as larvas (exceto uma ou duas, por causa das borboletas). Foi ela quem eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. Já que ela é a minha rosa.

E então, voltou à raposa:

-Adeus… – disse ele…

-Adeus – disse a raposa. – Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.

O essencial é invisível aos olhos. – repetiu ele, para não esquecer.

-Foi o tempo que perdeste com tua rosa que a fez tão importante.

– Foi o tempo que eu perdi com minha rosa… –repetiu ele, para não se esquecer.

-Os homens esqueceram essa verdade – disse ainda a raposa. – Mas tu não deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela tua rosa…

-Eu sou responsável pela minha rosa… – Repetiu o principezinho, para não esquecer.

Acho que a raposa chorou muito durante alguns dias, quando se aproximava as 4 horas… e Riu muito sozinha quando escutava o vento nos campos de trigo.

Talvez eu poste mais deste livretinho infantil… É um santo remédio para a inocência.