Just Do It.

O que uma simples escolha poderia afetar é realmente embasbacante. Eu poderia ter ficado em casa e ter simplismente cabulado. Mas eu não o fiz. Perdi a perua, mas ganhei um excelente lugar no próximo, que veio 5 segundos depois…

Uma vez li em alguma comunidade de orkut que andar de ônibus é totalmente Indie. Procuro a comunidade e posto a descrição quando puder. Hoje eu tive a grande comprovação.

Pela janela da condução, a Itaberaba City reluzia de todo tipo de gente, como sempre. Vi um amigo apresentando a namorada ao outro amigo, vi um outro casal desfazendo o relacionamento. Vi duas amigas, uma com um quê gótico e a outra, completamente clubber, numa conversa agitada no ponto de ônibus. Vi um senhor de idade, vestido em roupas de época, numa deliciosa conversa com um gurizinho de boné virado para trás. Vi um Yorshire debruçado na janela de um Civic e um vira lata querendo lamber-lhe o focinho. Vi um homem sério, de terno, gravata, pasta na mão e celular no ouvido, esperando o ônibus do lado de um mendigo. Vi duas pequeninas irmãs rindo do barulho da roda que a bicicleta do vendedor de algodão doce fazia. Vi um casal de roqueiros de mãos dadas, trocando olhares apaixonados. Vi um ciclista gordinho penando pra subir a avenida, e vi um ciclista profissional, mal admito, porquê passou muito rápido por mim. Vi gente usando all-star, coturno, salto alto e havaianas. Pedi para o motorista abrir a porta antes do ponto, o trânsito estava demais para o meu gosto. Acabei me deparando com um Fusca azul estacionado na frente de um A4 prateado, rodas cromadas.

 

A aula foi a mesma de sempre. Tenho que aprender a conter meus comentários irônicos e desviar a atenção do coitado do professor. 😀 Discutimos sobre Educação Sexual fora da idade. Passamos do horário, e até esquecemos de voltar a falar português. Volto sempre caminhando e esta caminhada sempre me rende coisas novas.

Revi uma grande amiga, falei extremas asneiras com outra, recebemos cantadas de caminhoneiros e playboys, cantei em pensamento duas músicas ao mesmo tempo, passei em frente a igreja, depois em frente ao prostíbulo, ganhei o sorriso de um bebê. Vi uma garota surda com os fones de ouvido, vestida da camisa do Hopi Hari, depois vi uma mãe carregando as compras e o filho, voltando do exaustivo turno no caixa da mercearia. Vi uma viatura policial na mecânica, o capô aberto ao lado de outro, pertencente a um velho Chevet.

Entrei em casa com vontade de postar todas estas relatividades no blog, mas se quer saber, eu não faço a menor idéia do porquê.

Depois pensei que talvez o que esteja por trás de tanta coisa diferente não é entender porquê elas estão acontecendo, porquê as pessoas estão fazendo… é simplismente fazer. Não é desvendar o sorriso, a conversa, as roupas, o abraço… é simplismente abraçar.

Estar ali naquela ida e volta que faço há tantos anos por estar, por decidir pegar o ônibus, por decidir voltar a pé.

É viver a pura vontade do fazer, é simplismente usar do livre-arbítrio. Just do it.

E sim pela vontade, sim pelo fazer, talves seja apenas pelo gosto de que mesmo que não valha a pena…

Dar a cara a tapa 🙂

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3 Respostas para “Just Do It.

  1. Essa tem sido totalmente minha filosofia no último ano, tenho simplesmente feito.

    Qual o problema de sair pra escola com 3 horas de antecedencia pra ver o nascer do sol sozinho num parque de madrugada?

    Qual o problema de decidir dormir por 20 horas? Ou de decidir sair de manhã, tirar fotos de garças num lago, e correr por aí assustando pombas?

    O livre arbítreo está aí pra isso, para nos fazer bem, para procurarmos nossa felicidade, em cada momento. Quem se inibe passa a perder parte de sua vida.

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