As idéias estão no chão.

Ainda na sessão nostalgia daquele antigo CD riscado Titãs – Acústico, a playlist emociona no vai-e-vem de acordes e melodias que arrematam, mesmo sem qualquer motivo aparente. A letra simplismente encaixa, invade e modifica o sistema operacional.

 

A melhor forma de esquecer
É dar tempo ao tempo
A melhor forma de curar o vício
É no início
A melhor forma de escolher
É provar o gosto
A melhor forma de chorar
É cobrindo o rosto
Evitar as rugas
É não olhar no espelho
Esvaziar o revólver
É puxar o gatilho
A melhor forma de esconder as lágrimas
É na escuridão
A melhor forma de enxergar no escuro
É com as mãos
As idéias estão no chão
Você tropeça e acha a solução
Acabar com a dor
É tomar um analgésico
Matar a saudade
É não olhar pra trás
A melhor forma de manter-se jovem
É esconder a idade
A melhor forma de fugir
É a toda velocidade
As idéias estão no chão

 

A melhor forma – Titãs.

Just Do It.

O que uma simples escolha poderia afetar é realmente embasbacante. Eu poderia ter ficado em casa e ter simplismente cabulado. Mas eu não o fiz. Perdi a perua, mas ganhei um excelente lugar no próximo, que veio 5 segundos depois…

Uma vez li em alguma comunidade de orkut que andar de ônibus é totalmente Indie. Procuro a comunidade e posto a descrição quando puder. Hoje eu tive a grande comprovação.

Pela janela da condução, a Itaberaba City reluzia de todo tipo de gente, como sempre. Vi um amigo apresentando a namorada ao outro amigo, vi um outro casal desfazendo o relacionamento. Vi duas amigas, uma com um quê gótico e a outra, completamente clubber, numa conversa agitada no ponto de ônibus. Vi um senhor de idade, vestido em roupas de época, numa deliciosa conversa com um gurizinho de boné virado para trás. Vi um Yorshire debruçado na janela de um Civic e um vira lata querendo lamber-lhe o focinho. Vi um homem sério, de terno, gravata, pasta na mão e celular no ouvido, esperando o ônibus do lado de um mendigo. Vi duas pequeninas irmãs rindo do barulho da roda que a bicicleta do vendedor de algodão doce fazia. Vi um casal de roqueiros de mãos dadas, trocando olhares apaixonados. Vi um ciclista gordinho penando pra subir a avenida, e vi um ciclista profissional, mal admito, porquê passou muito rápido por mim. Vi gente usando all-star, coturno, salto alto e havaianas. Pedi para o motorista abrir a porta antes do ponto, o trânsito estava demais para o meu gosto. Acabei me deparando com um Fusca azul estacionado na frente de um A4 prateado, rodas cromadas.

 

A aula foi a mesma de sempre. Tenho que aprender a conter meus comentários irônicos e desviar a atenção do coitado do professor. 😀 Discutimos sobre Educação Sexual fora da idade. Passamos do horário, e até esquecemos de voltar a falar português. Volto sempre caminhando e esta caminhada sempre me rende coisas novas.

Revi uma grande amiga, falei extremas asneiras com outra, recebemos cantadas de caminhoneiros e playboys, cantei em pensamento duas músicas ao mesmo tempo, passei em frente a igreja, depois em frente ao prostíbulo, ganhei o sorriso de um bebê. Vi uma garota surda com os fones de ouvido, vestida da camisa do Hopi Hari, depois vi uma mãe carregando as compras e o filho, voltando do exaustivo turno no caixa da mercearia. Vi uma viatura policial na mecânica, o capô aberto ao lado de outro, pertencente a um velho Chevet.

Entrei em casa com vontade de postar todas estas relatividades no blog, mas se quer saber, eu não faço a menor idéia do porquê.

Depois pensei que talvez o que esteja por trás de tanta coisa diferente não é entender porquê elas estão acontecendo, porquê as pessoas estão fazendo… é simplismente fazer. Não é desvendar o sorriso, a conversa, as roupas, o abraço… é simplismente abraçar.

Estar ali naquela ida e volta que faço há tantos anos por estar, por decidir pegar o ônibus, por decidir voltar a pé.

É viver a pura vontade do fazer, é simplismente usar do livre-arbítrio. Just do it.

E sim pela vontade, sim pelo fazer, talves seja apenas pelo gosto de que mesmo que não valha a pena…

Dar a cara a tapa 🙂

Letter to a survivor.

Depois de inúmeros pisões no pé, creio que mais meus, devo admitir, o ritmo torna-se irrelevante…

It’s not a silly little moment
It’s not the storm before the calm
This is the deep and dying breath
Of this love that we’ve been working on

Can’t seem to hold you like I want to
So I can feel you in my arms
Nobody’s gonna come and save you
We pulled too many false alarms

We’re going down
And you can see it, too
We’re going down
And you know that we’re doomed
My dear, we’re slow dancing in a burning room

I was the one you always dreamed of
You were the one I tried to draw
How dare you say it’s nothin to me?
Baby, you’re the only light I ever saw
I’ll make the most of all the sadness
You’ll be a bitch because you can
You’ll try to hit me just hurt me
So you leave me feeling dirty
Because you can’t understand

We’re goin down
And you can see it, too
We’re goin down
And you know that we’re doomed
My dear, we’re slow dancing in a burning room

Go cry about it, why don’t you?
My dear, we’re slow dancing in a burnin room

Don’t you think we oughta know by now?
Don’t you think we should have learned somehow?

Slow Dancing in a Burning Room – John Mayer

Ring 206’s doorbell…

Como é perceptível ali em cima, decidi mudar o nome do blog 🙂 Mas alguns me perguntaram o porquê desse nome besta que coloquei, dentre tantos outros bons que eu tinha em mente… bem, senta que lá vem história!

Desde que nasci, um mesmo teto me abriga, há 16 anos. É mau localizado, é antigo, mas é o lugar que sempre me acolheu. Um lugar onde tenho minhas melhores e minhas piores lembranças da infância, se é que se pode chamar tanta conturbação assim. Porém, foi onde vivi anos com meu pai, de onde o vi partir, de onde recebemos uma ligação cortante na madrugada… Foi onde dei meus primeiros passos, sangrei pela primeira vez, chorei pela primeira vez, aprendi a desenhar pelas paredes, a rolar pelas escadas, a cantar pelos cantos… Onde minha irmã me criou, de onde vi a outra nos deixar. Onde vivi com minha melhor amiga desde o começo de tudo, que colei nossos nomes com durepox no rodapé da sacada, onde o sol a tudo ilumina. Quebrei o beiral da pia, rabisquei as paredes da salinha, fiquei presa dentro do banheiro por horas, chorei na banheira, balancei em três redes diferentes, abri o supercílio, abri a mão, caí nas escadarias inúmeras vezes, fiquei presa na porta do quarto, saí ao quintal com uma faca na mão, socorri um ferido, fui socorrida, achei lugares secretos e me escondi por dias…

Ninguém da rua nunca me conheceu. Nunca brinquei por lá… nunca me deixaram correr os riscos. Este meu castelo frio sempre foi meu maior abrigo e meu generoso reino. E eu o agradeço por isso… Neste mundo de números, eu pude achar um que sempre repeti com a maior vontade, carinho e certeza… Um número que sempre me remete ao caminho de volta, á minha estrada de tijolos dourados, ás minhas nostalgias e realidades…

O número da minha porta é o número 206.

😀

E nem meu CPF ou RG me descreveria melhor.

Via Láctea

Me diz que perdi o senso porquê ouço as estrelas. Mas eu te digo que, para ouvi-las, muitas vezes acordo e abro as janelas do quarto, admirado! E conversamos a noite toda, enquanto cintila a via láctea. Ao nascer do sol, em prantos, eu as procuro pelo céu deserto. Me diz: “Amigo louco! O que conversa com elas? Que sentido tem o que elas te falam?”.  E eu responderei: ” É preciso amar para entendê-las! Pois só quem ama pode ter um ouvido capaz de ouvir e entender estrelas.”

Estes dias, folheando meu livro de Literatura & Redação, este poema simplismente me hipnotizou. Me senti quase obrigada a fazer uma releitura… maravilhoso!

 

Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso! E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto,
E abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda a noite enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E ao vir do Sol, saudoso e em pranto
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado-amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Têm o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”

(Olavo Bilac)

Mary Jane Watson

Uma ligação, dois ingressos, três montanhas russas… Num dia, numa noite do terror.

Depois de passar o fim de semana prolongado inteiro praticamente as claras, trabalhando incansavelmente em prol dos outros (e meu também, é claro), tive uma extasiante recompensa que incluía entrada, diversão e excelente compania. E quando digo excelente, não peco pela educação, nem pela falta dela.

O abraço de uma irmã, teu sorriso e tua energia…

O carinho e os lábios de minha doce compania.

Um beijo “alá Peter Parker”, outro cinematográfico, flashes, fumaça, música trash, muita besteira e um par de olhos de um mel diferente de tudo que já me deparei…

E vale a pena o feriado vazio e cansativo, desta tarde vazia, desta noite de frio…

Da lembrança de uma surpresa inesquecível…

 

“Com licença, Mary Jane…”