A Deriva.

Sabe, querido paciente, eu talvez tenha avistado um pedaço de terra no meio dessa imensidão azul, na qual tento não me afogar… Se bem que eu já sabia que esse pedaço de terra existia, de uma forma ou de outra. O problema real, creio eu, é ter forças para dar braçadas até lá.

As indecisões, os desapontamentos, as desilusões, os problemas em geral… Passam. Uma hora, cansamos de pensar neles, e enfim, eles vão se diluindo em meio a esse oceano que somos. Claro, eles nunca desaparecem… São como baleias, que só se alimentam dos pequenos peixes abaixo de você, até se dar conta que a fome é tanta. De duas, uma: a) Ou ela vai embora, procurar novas colônias, ou b) Ela vai te engolir.

Talvez você dê a sorte de já ter conseguido nadar até a pequena ilha… Ou tenha o azar de ainda estar a deriva, esperando pela fome do predador.

Eu a vejo, ali longe, e aos poucos, sinto a maré me levando. Não ouço mais o canto do grande peixe, embora eu sinta as águas geladas se deslocarem ferozmente nos abissais. Eu sei que em um certo momento, vou voltar a nadar. Vou recuperar o meu fôlego e dar longas braçadas, cada vez mais longe, cada vez mais perto.

E sim, eu sei que vou sobreviver.

Tudo é fase… Quando se é criança, seus problemas se resumem a ganhar brinuqedos no Natal, e mantê-los inteiros até o ano seguinte… É não pintar as paredes da casa com crayon, e correr bastante para não perder a corrida de três pernas. Quando se é adolescente, os problemas se tornam mais emocionais. Aquele cara não estar tão afim de você, sua amiga estar passando por um término no relacionamento, ou aquela festa de ontem, onde você viu e fez coisas que prefere que seus amigos finjam que nem viram.

Na vida adulta, creio eu, grande parte disso se torna totalmente obsoleto.  Não irrelevante, é claro, afinal tudo fez parte de seu processo de aprimoramento, mas se torna de certa forma, tolo.

É como dar risada de uma antiga desgraça. Ela passou, estão todos vivos, e a situação até era cômica, se pensarem bem.

Enfim… Em meio a tantas ondas, nessa maré inconstante, é inevitável chegar a conclusão de que felizmente…

Vamos Sobreviver  🙂

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2 Respostas para “A Deriva.

  1. Esqueça o amanhã, ele é uma ilusão, repare que pensava nele ontem. Ainda acha que pode alcança-lo? São as lembranças do passado que importam. Um presente que vive a vislumbrar a futuro, se resume somente a sonhos. É bom sonhar, mas melhor ainda, é olhar para traz e encontrar lembranças que não foram meros sonhos, mas histórias escritas por alguém que não ficou somente a sonhar.

  2. Quanto por mais se passa, mais fica fácil lidar com o que vem.
    As primeiras experiencias são mais difíceis de lidar: você nunca passou por algo assim, nunca esperava que fosse desse jeito, não sabe o que deveria fazer.
    A cada batalha, você ganha mais força. O que vêm à seguir não vai ser melhor do quê você passou, pode até ser pior, mas você já sabe que vai superar, sabe como prosseguir e passa por elas mais cada vez mais inteira.

    E você pode chegar na ilha, mas ainda vai querer atravessar a praia, entrar na floresta, subir a montanha, e então, querer alcançar o céu. Sempre em frente.

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