Lugar certo… Hora errada.
A questão é simples, claro, como todas sempre se apresentam. Deixe-me apresentar pelo menos os fatos primeiramente. Aí vai uma sequência de nomes que você bem poderá se lembrar.
The Cure, David Bowie, The Doors, Janis Joplin, Te Who, Jimi Hendrix, 5th Dimension, Led Zeppelin, The Police, Legião Urbana, Bob Marley, Raul Seixas, Titãs, Queen… The Beatles! (entre outros, mas é claro!)
Aí vão algumas datas…
Woodstock – 15 de agosto ~ 18 de agosto, 1969.
Show dos Beatles no Shea Stadium – agosto de 65 e 66
Morte de John Lennon – dezembro de 80
Morte de Renato Russo – outubro de 96
Morte de Raul Seixas – 21 de agosto de 1989
Morte de Freddie Mercury – novembro de 91
(entre zilhões de outras das décadas de 60 a 90)
Tudo isso leva a concluir que tudo de mais incrível já rolou nestas décadas passadas. Os anos 60, o Flower Power, A era da Discoteca, as revoluções culturais, o surgimento do rock pelo país, a febre do pioneirismo de grandes bandas, a quebra de conceitos de um mundo que beirava o moderno… E tantas e tantas outras coisas embasbacantes.
Meu ponto é dizer… Que é que diabos aconteceu depois dos anos 90? No novo milênio?! Pra quê vale a pena estar nesta revolução apagada de mundo? Acho que neste ponto, eu dou uma esfregada no punk, na sede da provocação, na instigação de ação, de reação… De explodir alguns prédios da sede de cartões de crédito. Em São Paulo, temos tanto de tudo! Clubbers, Punks, Rockabillys, alguns Hippies… E por enquanto, nenhum ataque declarado á, por exemplo, as torres de Brasília. Que geraçãozinha mais Emo. até mesmo Marley, sim, Bob Marley, deu o direito á sua própria revolução, no ritmo mais relaxante e despreocupado do mundo. Que é que fazemos? Que é que eu faço?
Sento 5 horas na carteira de um colégio, que é considerado bom, pra realizar ali minha função de boa estudante, tirando notas acima da média, para que o sistema me passe de ano, presumindo que estou aprendendo tudo que sei. Passada de ano, me preparam para um vestibular, uma faculdade, e em conseguida, um emprego. Um futuro, porquê não? Serei gerente? Serei política? Serei prestadora de serviços públicos? Vou ter um emprego de alta patente? É o esperado… É pra isso que passei mais de 10 anos de uma vida plausivelmente curta sentada horas numa escola. (É aí que minha memória tende a clamar pelo clipe de Another Brick In The Wall). É aí que deduzirão que eu tive uma vida boa e completa. Um bom emprego, com sorte, uma boa família, e então, um bom legado. É o quê você vê como satisfatório pra sua vida? Eu não acho condenável. Acho até mesmo necessário. Desde que você pare de insistir na venda da alienação. De que isso é toda a meta da sua existência. Se for, bom proveito, que eu tô correndo atrás da minha.
Os heróis estão mortos. Suas palavras já foram imortalizadas. E da melhor forma possível, com ótimos acordes de guitarra a fundo. Os filmes já foram rodados. Eles ainda estão por aí, nas locadores que estão indo a falência. Os imortais que restaram, perderam a mão da geração que poderia estar fazendo alguma diferença. Que podiam pelo menos estar tacando fogo em alguma coisa. De preferência, na certa. O que está fazendo as cabeças por aí não é o Rock. São as drogas e o sexo. O dinheiro. A luxúria. A ganância. A ignorância. Dá até desgosto anunciar esta nossa geração, que não sobrevive se não for plugada a um computador, a base de ritmos feitos numa máquina qualquer, com acordes que nem ao menos vem de um instrumento de verdade, e de letras como “Pode me gravar na câmera do seu celular”, ou “Velocidade 5 na dança do créu”. É a Blank Generation, uma lacuna na revigorante história da nata das revoluções culturais, onde eram os jovens que se levantavam contra as estipulações, que quebravam os paradigmas, que pegavam o microfone pra mostrar algo nunca visto. E não pra fazer as fãs gritarem “Belo, você é a minha vida!”.
Acabou o filtro. Agora, vivemos esponja. Eu sei que eu não, e eu tenho a esperança de que muito menos você.
Cabe ter mesmo a certeza… Que estamos no Tempo Errado, e no Lugar Certo.